Karl von den Steinen (Mülheim, 7 de março de 1855 — Cromberg, 4 de novembro de 1929) foi um médico, explorador, etnólogo e antropólogo alemão.
Pesquisador da Universidade de Berlim, em 1884, com alguns auxiliares, partiu de Cuiabá, desceu pelo Rio Xingu da nascente até a foz, indo até o Pará. Estudou os índios, fixou a origem dos Bacairis como sendo os Caribes e não os Tupi-Guaranis, como se achava até então. Publicou os resultados da expedição em 1886, no livro intitulado Durch Central-Brasilien (Através do Brasil Central).
Retornou ao Brasil em 1887, para estudar os afluentes do rio Xingu. Para esta expedição contratou os rio-grandenses Carlos Dhein e o seu irmão Pedro Dhein para integrar a expedição, como guias. Como resultado de seus estudos, publicou Unter den Naturvölkern Zentral-Brasiliens (Entre os Povos Nativos do Brasil Central).
Nas duas expedições, contou com o apoio financeiro do Império brasileiro, interessado nesses estudos, e que também lhe forneceu alguns militares como guias. A maior parte foi custeada pelo Instituto Bibliográfico de Leipzig, de propriedade de Herrmann Julius Meyer.
Foi professor da Universidade de Marburg e presidente da Sociedade Geográfica de Berlim. Também estudou as Ilhas Marquesas.
Em 31 de Julho de 1872 deixou seu ginásio em Düsseldorf e foi estudar medicina, com ênfase em psiquiatria, nas universidades de Zurique, Bona e Estrasburgo. De 1878 a 1879 foi assistente psiquiátrico na clínica psiquiátrica do Charité de Berlim. Além disso fez pesquisas na mesma área em outro países europeus. De 1879 a 1881 viajou ao redor do mundo e realizou pequenas viagens de pesquisas etnológicas ao redor de diversas ilhas do sul. Simultaneamente estudou a loucura em estados culturais. Após sua volta da viagem ao redor do planeta, Karl von den Steinen retomou sua posição no Charité de Berlim. De 1882 a 1883 participou da primeira Expedição Alemã Internacional à Georgia do Sul como médico e biólogo, na qual pode observar a rara transição de Vênus.
Na viagem de volta da expedição, em fevereiro de 1884, se separou, junto de Otto Clauss do restante do grupo e se empenhou, junto a seu primo Wilhelm von den Steinen, pintor e gráfico, a viajar de Buenos Aires passando por Cuiabá para a região da nascente do rio Batovi, numa viagem de pesquisa. Em 1886 a Sociedade de Geografia concedeu a ele e a Clauss a medalha Carl-Ritter de prata por esse trabalho. Escreveu sua obra Durch Central-Brasilien – Expedition zur Erforschung des Schingú. Após da primeira expedição-Xingu dirigiu uma segunda expedição Xingu (1887 a 1888) com o antropólogo e etnólogo berlinense Paul Ehrenreich.
No começo do ano 1890 tornou de o redator chefe da revista “Ausland”. No mesmo ano, formou-se em etnologia na Universidade de Marburgo, licenciando-se como professor da mesma matéria. Um ano mais tarde adquiriu a formação de professor universitário em etnologia, tornando-se professor da segunda universidade alemã a oferecer o curso de etnologia no ensino superior. Dois anos mais tarde, em 1892, abandona, no entanto, seu posto de professor na Universidade de Marburgo, devido ao escasso acervo etnológico oferecido, e retorna a Berlim.
Sobre sua demissão, escreve o seguinte, na carta de motivação, no dia 3 de março de 1892:"Ao Curatório Real da Universidade Marburg tenho a honra de humildemente demonstrar minha saída do corpo docente acadêmico. Eu cometi um erro ao me habilitar a tal posição. Mas, como aprendi gradualmente, não é possível – pelo menos não para mim – executar um trabalho etnológico sem o material de um museu. Só no Instituto etnológico, acredito, seria possível o docente fazer salutar seu trabalho; sem demonstração é impossível conseguir verdadeiro entendimento do aluno, assim como é impossível alcançar o veredito próprio, o verdadeiro objetivo da aula. Por isso preciso considerar mais útil minha dedicação aos estudos práticos antes do ensino. Karl von den Steinen, dia 3 de março de 1892."
Em 1892 Karl von den Steinen escreveu seu livro “Die Bakari-Sprache”, com ênfase no paralelo entre a língua Bacari e a língua Caraíba. 1897 escreve o livro “Unter den Naturvölkern Zentralbrasiliens” (Junto aos nativos do Brasil Central). De agosto de 1897 até fevereiro de 1898 explora e conduz pesquisas nas Ilhas Marquesas, no pacífico. Através de seus registros e de suas edições tardias de “Die Marquesaner und ihrer Kunst” (Os marqueses e sua arte) ele pode, assim como Adam Johann von Krusenstern, guardar parte do saber sobre a arte da tatuagem, que havia sido proibido por missionários protestantes. Apesar de seus registros durante essas expedições, parte do saber e significado por trás desses padrões e figuras se dá por desconhecido. A partir de 1900 torna-se professor da Universidade de Berlim, assim como diretor da sessão americana do Museu Berlinense de Etnologia.
Karl von den Steinen descobriu em suas viagens às até então desconhecidas nascentes do rio Xingu, um dos maiores afluentes do rio Amazonas, um imenso complexo cultural até então completamente desconhecido, com cerca de doze tribos indígenas distintas. Os habitantes destas tribos construíam casas da mesma maneira, festejavam as mesmas festas, compartilhavam os mesmos mitos e executavam rituais de matrimônio que iam para além das fronteiras da própria tribo, apesar da clara disparidade entre as línguas de cada uma das tribos.
Através de suas obras “Die Bakari-Sprache” (A língua Bacari) e “Unter den Naturvölkern” (Entre os povos primitivos) estabeleceu importantes, seguras e duradouras bases para um estudo etnológico vívido e sofisticado do Brasil, dividindo inclusive as tribos nativas entre quatro grandes grupos – Aruaques, Jê, Caraíbas e Tupis – a partir da diferenciação das línguas faladas em cada tribo, além de diversos subgrupos.
Evoluiu de médico e psiquiatra de formação para um etnólogo a partir de suas viagens na América do Sul (a etnologia acadêmica começava a se desenvolver neste período). As ênfases de seus estudos etnológicos, dada a sua formação, abrangiam o pensar, a vida espiritual, a aparência, os aspectos culturais (hábitos alimentares, comemorações, música, ornamentos, armas, ferramentas) e a interpretação da moral dos moradores de cada uma das tribos. Devido à sua experiência, visitava as tribos sozinho ou em pequenos grupos, já que temia que os resultados da pesquisa pudessem ser alterados através da presença de soldados ou armas.
Karl von den Steinen trabalhou, junto a Adolf Bastian, no Museu de Etnologia de Berlim, o que o inspirou às suas viagens de exploração etnológicas. Tratou-se de um cientista orientado à prática e aos resultados concretos de suas pesquisas, que se dedicava à pesquisa de campo acima de tudo. Prestou seu maior serviço à etnologia ao explorar e apreciar as tribos da área da nascente do rio Xingu, além de sua análise do idioma Bacari, que estabeleceu os Bacaris como parte do povo Caraíba. Ao longo de suas duas expedições ao Xingu reuniu mais de 2 000 peças etnográficas para o Museu Etnológico de Berlim, além de contribuir para o estudo geográfico do local, através de detalhada cartografia e descrição do correr do rio Xingu.
Através das duas expedições de Karl von den Steinen e os resultados etnológicos derivados deste foram possíveis todas as demais expedições do local que seguiram.
Karl von den Steinen era membro da Sociedade Berlinense para Antropologia, Etnologia e Pré-História.
No dia 4 de novembro de 1929 morreu em Kronberg (Taunus) e foi enterrado no Cemitério Central Friedrichsfelde.
von den Steinen foi pai de Helmut von den Steinen (1890-1956), que foi tradutor literário e ensaísta, de Wolfram von den Steinen (1892-1967), que foi professor universitário de história da idade média, assim como de Marianne von den Steinen, casada com Karl Schefold, professor de Arqueologia clássica.