Kiev ou Kyiv, também conhecida como Quieve, (em ucraniano: Київ, transl. Kyїv, pronúncia em ucraniano: [ˈkɪjiu̯] ()) é a capital e a cidade mais populosa da Ucrânia. Fica no centro-norte do país, ao longo do rio Dnieper. Em 1.º de janeiro de 2021, sua população era de 2 962 180 habitantes, tornando Kiev a sétima cidade mais populosa da Europa.
Kiev é um importante centro industrial, científico, educacional e cultural da Europa Oriental. É o lar de muitas indústrias de alta tecnologia, instituições de ensino superior e marcos históricos. A cidade possui um extenso sistema de transporte público e infraestrutura, incluindo o metrô de Kiev.
Diz-se que o nome da cidade deriva do nome de Kyi, um de seus quatro fundadores lendários. Durante sua história, Kiev, uma das cidades mais antigas do Leste Europeu, passou por vários estágios de destaque e obscuridade. A cidade provavelmente existia como um centro comercial já no século V. Um assentamento eslavo na grande rota comercial entre a Escandinávia e Constantinopla, Kiev era um afluente dos cazares, até sua captura pelos varangianos (vikings) em meados do século IX. Sob o domínio varangiano, a cidade tornou-se a capital da Rússia de Kiev, o primeiro estado eslavo oriental. Completamente destruída durante as invasões mongóis em 1240, a cidade perdeu a maior parte de sua influência nos séculos seguintes. Era uma capital de província de importância marginal na periferia dos territórios controlados por seus poderosos vizinhos, primeiro a Lituânia, depois a Polônia e finalmente a Rússia.
A cidade prosperou novamente durante a Revolução Industrial do Império Russo no final do século XIX. Em 1918, depois que a República Popular da Ucrânia declarou independência da Rússia Soviética, Kiev tornou-se sua capital. A partir de 1921, Kiev foi uma cidade da Ucrânia Soviética, proclamada pelo Exército Vermelho e, a partir de 1934, Kiev tornou-se sua capital. A cidade foi quase completamente arruinada durante a Segunda Guerra Mundial, mas rapidamente se recuperou nos anos do pós-guerra, permanecendo a terceira maior cidade da União Soviética.
Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia em 1991, Kiev permaneceu como capital e experimentou um fluxo constante de migrantes ucranianos de outras regiões do país. Durante a transformação do país em uma economia de mercado e democracia eleitoral, Kiev continuou a ser a maior e mais rica cidade da Ucrânia. Sua produção industrial dependente de armamentos caiu após o colapso soviético, afetando negativamente a ciência e a tecnologia, mas novos setores da economia, como serviços e finanças, facilitaram o crescimento de salários e investimentos de Kiev, além de fornecer financiamento contínuo para o desenvolvimento de moradias e infraestrutura urbana. Kiev emergiu como a região mais pró-ocidental da Ucrânia; partidos que defendem uma integração mais estreita com a União Europeia dominam durante as eleições.
O nome da cidade parece derivar de Kyi, um dos fundadores lendários da cidade (juntamente com seus irmãos Schek e Khoryv).
A forma transliterada do russo Kiev é a única registrada para a língua portuguesa por Antenor Nascentes, pelo Código de Redação Interinstitucional da União Europeia. e pelo Dicionário Houaiss.
A alternativa Quieve, forma preconizada no sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e pela Direção-Geral da Tradução da Comissão Europeia, encontra-se registada no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora. Entretanto, ainda está pouco implementada a variante "Quieve": a maioria das fontes de língua portuguesa utiliza "Kiev".
Kiev é uma das cidades mais antigas e importantes da Europa Oriental e tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento da civilização eslava oriental, bem como na moderna nação ucraniana.
Kiev foi fundada no século V pelos eslavos orientais. A lenda de Kyi, Schek e Khoryv fala de uma família fundadora composta por um eslavo 'Kyi', o mais velho e líder da tribo, seus irmãos 'Schek' e 'Khoryv', e também sua irmã 'Lybid', que fundaram a cidade. Kiev/Kyiv é traduzido como "pertencente a Kyi".
A época não-lendária da fundação da cidade é mais difícil de determinar. Povoações eslavas dispersas existiam na área desde o século VI, mas não está claro se alguma delas posteriormente evoluiu para a cidade. Fortificações do século VIII foram construídas sobre um assentamento eslavo aparentemente abandonado algumas décadas antes. Não está claro se essas fortificações foram construídas pelos eslavos ou pelos cazares. Se foram pelos primeiros, também é incerto quando Kiev caiu sob o domínio do império Cazar, ou se a cidade foi, de fato, fundada pelos cazares. Pelo menos durante os séculos VIII e IX, Kiev funcionava como um posto avançado do Império Cazar. Uma fortaleza em uma colina chamada Sambat ("lugar alto" em turco antigo), foi construída para defender a área. Em algum ponto durante o final do século IX ou início do X, Kiev caiu sob o domínio dos varegues (ver Olegue de Kiev) e se tornou o núcleo da política da Rússia de Kiev. A data prevista para a conquista da cidade por Oleg de Novgorod na crônica de Nestor é 882, mas alguns historiadores, como Omeljan Pritsak e Constantino Zuckerman, contestam e alegam que o domínio Cazar continuou até a década de 920 (evidencias documentais existem para amparar esta afirmação – Carta de Kiev e Carta de Schechter). Outros historiadores sugerem que tribos magiares governaram a cidade entre 840 e 878, antes de migrar com algumas tribos cazares para Hungria.
A Crônica de Nestor (fonte principal de informações sobre a história inicial da região) menciona Ascoldo e Dir, dois dos homens de Rurique que governaram Kiev na década de 870. A Crônica relata que Ascoldo e Dir foram autorizados por Rurique para ir a Constantinopla (Miklagard em nórdico antigo, Czargrad em eslavo). Ao viajar pelo rio Dniepre, eles viram um assentamento sobre uma montanha e perguntaram a quem ele pertencia. Foi dito que era Kiev e tinha sido construído por três irmãos chamados Kyi, Schek e Khoryv, antepassados dos habitantes, que passaram a prestar homenagem aos cazares. Ascoldo e Dir se instalaram na cidade e reuniram um grande número de colegas varegues e começaram a governar a cidade e as terras dos polanos orientais.
Em 968, os pechenegues nômades atacaram e, em seguida, cercaram a cidade. Em 1203, Kiev foi capturada e incendiada pelo príncipe Rurik Rostislavich e seus aliados quipechaques. Na década de 1230, a cidade foi sitiada e devastada diversas vezes por diferentes príncipes moscovitas. Em 1240, a invasão mongol na Rússia liderada por Batu Cã destruiu completamente Kiev, um evento que teve um efeito profundo sobre o futuro da cidade e da civilização eslava oriental. Na época da destruição mongol, Kiev era reputada como uma das maiores cidades do mundo, com uma população superior a cem mil habitantes.
Em 1321, a cidade e a área circundante, já bastante reduzidas, foram conquistadas por Gediminas para o Grão-Ducado da Lituânia. A partir de 1569, a cidade foi controlada pela Comunidade Polaco-Lituana, como a capital da Voivodia de Kiev, transferida nesta época à coroa polonesa. No século XVII, Kiev foi transferida para o domínio da Rússia. No Império Russo, Kiev foi um centro primitivo cristão, atraindo peregrinos, e o berço de muitas das mais importantes figuras religiosas do império, mas até o século XIX a importância comercial da cidade manteve-se marginal.
Em 1834, a universidade de São Vladimir foi criada, ela é atualmente conhecida como Universidade Nacional de Kiev Taras Shevchenko. O poeta Taras Shevchenko cooperou com seu departamento de geografia como pesquisador de campo e editor.
Durante os séculos XVIII e XIX, a vida da cidade foi dominada pelas autoridades militares e eclesiásticas russas; a Igreja Ortodoxa Russa formou uma parte significativa da infra-estrutura e atividade empresarial de Kiev. Na década de 1840, o historiador, Mykola Kostomarov (em russo Nikolay Kostomarov), fundou uma sociedade política secreta, a Irmandade de São Cirilo e São Metódio, cujos membros colocaram adiante a ideia de uma federação do povo eslavo livre, com os ucranianos como um grupo distinto e separado, ao invés de uma parte subordinada da nação russa. A sociedade foi rapidamente reprimida pelas autoridades.