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Kim Il-sung

Líder da Coreia do Norte de 1948 a 1994

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Kim Il-sung (em coreano: 김일성; em hanja: 金日成) (Mangyŏngdae, Pyongyang, 15 de abril de 1912 – Residência de Hyangsan, 8 de julho de 1994) foi o líder da Coreia do Norte desde a fundação do país em 1948 até à data da sua morte. Sucedeu-lhe como líder o seu filho, Kim Jong-il.

Exerceu o cargo de primeiro-ministro de 1948 a 1972 e de presidente de 1972 até à sua morte. Foi também o secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em que era o comandante autoritário e centralizador. Como líder da Coreia do Norte, partiu de uma ideologia marxista-leninista até formular a Ideia Juche, baseada na autossuficiência.

Seu regime autocrático estabeleceu uma ditadura socialista personalista totalitária com uma economia centralmente planejada. Apesar de ter estabelecido um regime estável com um forte culto a personalidade, o país era profundamente pobre e subdesenvolvido na época de sua morte, com uma onda de fome devastando a nação no começo da década de 1990. Conhecido como "Grande Líder", Kim Il-sung é oficial e constitucionalmente, desde 1998, o "Presidente Eterno da República", mesmo tendo falecido em 1994. São feriados no país as datas do seu nascimento e morte.

Infância e primeiras atividades

Como muitos fatos do começo de sua vida vem da imprensa estatal e de publicações do governo, a história de sua infância geralmente conflita com dados conseguidos com referências fora do país. Sabe-se que ele nasceu em 15 de abril de 1912 em uma vila na cidade de Mangyŏngdae (atual Pyongyang), na província de Heian-nandō, na Coreia ocupada pelo Japão. Seu pai, Kim Hyong-jik, e sua mãe, Kang Pan-sok, deram a ele o nome de Kim Sŏng-ju. Eles tiveram outros dois filhos: Ch’ŏl-chu e Yŏng-ju. Relatos desta época são obscuros e segundo o próprio Kim, ele não era pobre e nem rico, e seus pais seriam presbiterianos praticantes. Segundo a imprensa oficial do governo, a família de Kim participou de atividades anti japonesas e foi forçada a fugir para a Manchúria, na China. Naquela época o ressentimento contra o Japão na Coreia era forte e a repressão destes brutal. Milhares eram presos e muitos morreram. A real participação da família de Kim nas insurreições não é sabido.

Em 1926 ele fundou a "União Abaixo o Imperialismo". No mesmo ano ele cursou a Academia Militar de Whasung, mas ele achou que os ensinamentos lá eram obsoletos e então ele largou os estudos em 1927. Na província de Jilin, na China, ele estudou na escola Yuwen e se formou em 1930. Foi neste período que ele se interessou pela ideologia do comunismo. Em 1931, Kim se filiou ao Partido Comunista da China. Com eles, Kim teria participado de atividades anti japonesas. Em 1935 ele se juntou ao Exército do Norte e lá conheceu o homem que viria a ser o seu mentor, Wei Zhengmin, que era seu oficial superior.

Em 1935, segundo a propaganda coreana, ele assumiu o nome de Kim Il-sung (que significa "torne-se o sol"). Dois anos depois ele comandava uma divisão de algumas centenas de homens e teria os liderado em combate algumas vezes. Apesar das batalhas que participou tenham sido pequenas, eram ainda assim vitórias que vinham em um momento difícil para a guerrilha. Assim, Kim ganhou alguma notoriedade na região. Os japoneses começaram a considerar Kim como um perigo e um popular líder guerrilheiro coreano. Em 1940, ele era um dos poucos líderes insurgentes ainda estavam vivos naquela região da China e com a pressão dos japoneses ele foi forçado a fugir para a União Soviética. Lá ele recebeu treinamento militar pelo Exército Vermelho e serviu com eles até o término da Segunda Guerra Mundial.A União Soviética oficialmente declarou guerra ao Japão em agosto de 1945. No mesmo mês, Pyongyang foi conquistada pelo exército vermelho quase sem luta e os americanos haviam lançado as bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, forçando a rendição incondicional do Japão. A península coreana fora então dividida em zonas de ocupação e influência: o Norte, ocupado pelos soviéticos, viria a ser comunista, e o Sul, ocupado pelos Estados Unidos, viria a ser capitalista. O ditador soviético Josef Stalin enviou então Lavrentiy Beria para a Coreia para ver como seria a implementação do Estado comunista no norte. Beria então recomendou que Moscou aceitasse Kim como líder socialista da Coreia do Norte.

Em setembro de 1945, Kim chegou no porto de Wonsan e em dezembro do mesmo ano foi empossado líder do Partido Comunista Coreano. Com apoio incondicional da União Soviética, ele se tornou o líder inquestionável da Coreia do Norte em fevereiro de 1946. Para consolidar seu poder, em 1948, ele criou o Exército Popular da Coreia. Ele deu o controle das forças armadas a colegas que ele conhecera nas suas atividades de guerrilha contra o Japão na China. Seu objetivo era criar um exército completamente mergulhado na ideologia comunista, leal a liderança do partido e a ele próprio. Os soviéticos começaram a fornecer enormes quantidades de equipamento (tanques, caças, canhões e armas pequenas) para as forças de Kim, enviando conselheiros e oficiais para ajudar no treinamento também.

Apesar de planos por parte das Nações Unidas para tentar fazer eleições gerais em toda a península coreana, nem o Sul ou o Norte tinham interesse em se submeter um ao outro. A República Popular da Coreia foi estabelecida oficialmente no norte em 9 de setembro de 1948. No sul foi proclamada a República da Coreia em maio daquele mesmo ano. Em outubro, Moscou reconheceu Kim como o líder de direito de toda a península. Em 1949, é fundado oficialmente o Partido dos Trabalhadores da Coreia, com Kim como seu líder. Naquela altura, o país já estava sob firme controle de Kim Il-sung. Opositores eram caçados e presos (muitos eram condenados a morte). O Estado passou a exercer influência sobre cada aspecto da vida dos seus cidadãos. Neste período começou também o culto à personalidade, que se tornaria notório na Coreia do Norte. Kim passou a ser chamado então por seus seguidores de "o Grande Líder".

Diversas fontes afirmam que a decisão de invadir a Coreia do Sul tenha partido do próprio Kim e não da União Soviética. A inteligência russa havia confirmado que os Estados Unidos não interfeririam na península e que o programa de corte de gastos pós-segunda guerra ajudou a firmar este ponto. Kim teria então afirmado para a República Popular da China que Stalin tinha dado sua benção para a invasão.

O começo da guerra na Coreia pareceu favorável ao norte. Ao fim de junho de 1950, os exércitos do norte já haviam conquistado a capital do sul. Frente a estes eventos, o presidente americano, Harry S. Truman, autorizou suas forças armadas a intervirem no conflito, sob a bandeira da ONU. Os Estados Unidos começaram então a enviar enormes quantidades de equipamentos e soldados para o Sul, ao mesmo tempo que lançavam ataques aéreos e navais contra o norte. Em setembro, os norte coreanos foram derrotadas pelos americanos na batalha do perímetro de Pusan, revertendo o quadro de vitórias dos comunistas até então. No mesmo mês, as forças aliadas desembarcaram em Inchon e derrotaram as tropas de Kim por lá, infligindo a estes severas perdas. Neste momento, os soviéticos aconselharam Kim Il-sung a recuar, mas ele recusou. Em outubro de 1950, os chineses enviaram 200 mil soldados para ajudar o norte. Naquela altura, os americanos e sul coreanos já haviam avançado para além da fronteira entre os dois países. A interferência chinesa acabou levando a guerra a um impasse sangrento de três anos que resultou na morte de mais de 1 milhão de coreanos. Segundo fontes chinesas e russas, Kim havia tentado acertar uma trégua de alguma forma durante o conflito já que, após a intervenção da ONU e dos Estados Unidos, suas chances de vitória haviam declinado. Ele também se preocupava com a influência chinesa em seu país (que possuíam milhares de soldados na região). Em julho de 1953 é assinado um armistício que acabou colocando um fim na guerra e estabeleceu uma zona desmilitarizada entre as Coreias.

Consolidação do poder e governo

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