Sílvio Luiz Borba da Silva, mais conhecido como Kuki (Crateús, 30 de abril de 1971), é um ex-futebolista brasileiro que atua como auxiliar técnico no Náutico desde 2010, no qual é ídolo e é o terceiro maior artilheiro da história do clube.
Com 22 anos de carreira e passagens pelo futebol gaúcho, catarinense e pernambucano e sul-coreano, eternizou-se ídolo do Náutico, com 389 aparições e 184 gols marcados. O atacante chegou ao Timbu em 2001, sob muita desconfiança, uma vez que o então presidente André Campos, que assumiu o Náutico atolado em dívidas, esperava receber um atacante jovem, revelado na segunda divisão do Campeonato Catarinense, onde foi artilheiro no ano de 2000 pelo Inter de Lages. No entanto, diferentemente da revelação de 1,80m que era aguardada, o atleta que chegou ao clube tinha 29 anos, 1,69 m de altura e atendia pelo nome de Kuki. Apesar de se sentir enganado, o mandatário seguiu com o baixinho, que logo virou ídolo da torcida e do clube, que vivia um momento muito difícil e via o rival Sport se aproximar de igualar seu inédito hexacampeonato estadual.
Kuki se profissionalizou no futebol defendendo o Encantado, do Rio Grande do Sul. Depois, passou por Taquariense, Palmeirense, Ypiranga de Erechim, Veranópolis, Lajeadense e Grêmio Santanense, todos do futebol Gaúcho. Ainda passou por Inter de Lages e Brusque, de Santa Catarina, até chegar ao Náutico, em 2001. No Timbu, começou a se dar bem. Tendo uma passagem rápida pelo Chonbuk, da Coreia do Sul, em 2002, sendo eleito artilheiro da K League daquele ano, ao mesmo tempo em que tornou-se o grande artilheiro do Alvirrubro naquela década. Passou por bons momentos, como títulos estaduais e o acesso para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol em 2006, mas também viveu momentos complicados, como a Batalha dos Aflitos, em 2005, e em 2007, sendo emprestado para o rival Santa Cruz.
Em 2009, com oito anos no time pernambucano, o atacante balançou as redes em 184 oportunidades, sendo o jogador que mais vestiu a camisa alvirrubra em nove anos.
Nascido em Crateús, extremo oeste do estado do Ceará, aos 7 meses de vida foi levado com sua família para Roca Sales, no Rio Grande do Sul, onde seria criado por Dona Irene, sua avó. Dona Irene foi fundamental na vida de Kuki, seu primeiro emprego teve sua influência, aos 14 anos trabalhando em uma indústria de calçados e conciliava com os estudos e seu sonho de se tornar jogador. Aos 16 anos já estava se destacando nas categorias juvenis em times da sua região, chegando a se apresentar para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, porém na época foi rejeitado pelo diretor do Clube. O fato de ter sido rejeitado pelo Grêmio o decepcionou, mais tarde Kuki voltaria ao futebol pelo Esporte Clube Encantado, aos 23 anos, jogando no Campeonato Gaúcho de 1993.
Ao começar tardiamente a carreira profissional, no Encantado, da cidade do mesmo nome. Foi contratado pelo Esporte Clube Internacional de Lages, onde receberia seu primeiro título oficial como jogador em 2000, sendo artilheiro e campeão da segunda divisão do campeonato catarinense pelo Inter de Lages. Tal conquista o levaria a uma rápida passagem pelo Brusque Futebol Clube conquistando uma meta de 50 gols em poucos meses. Em 2001, conquistou sua meta tanto desejada, sendo contratado pelo Náutico, o presidente da época, André Campos, esperava um jogador alto de 1,80 m e 21 anos, como era dito pelos conselheiros. Quando Kuki chegou, André Campos assustou-se com sua aparência, já tendo 29 anos de idade e pouco menos de 1,70 m, fato que assustou Muricy Ramalho, na época treinador do Clube Náutico Capibaribe.
Tido como grande surpresa do Náutico, Kuki fez sua estreia no time profissional em 21 de janeiro de 2001, aos 28 anos, na partida contra o Vitória das Tabocas, no estádio dos Aflitos, pelo Campeonato Pernambucano, porém seu primeiro gol oficial vestindo a camisa alvirrubra foi contra o Botafogo da Paraíba, no Almeidão, em 2001, pela Copa do Nordeste. No mesmo ano, Kuki foi destaque nas semifinais e finais do Campeonato Pernambucano contra o Santa Cruz, destacando-se com a conquista do Campeonato Pernambucano no ano de centenário do Clube Náutico Capibaribe, sendo eleito a revelação do Campeonato Pernambucano. Pelo Campeonato Brasileiro da Série B, Kuki obteve destaque ao lado de Carlinhos Bala, que na época jogava pelo Clube Náutico Capibaribe mas o Náutico acabou terminando na 3ª posição.
Pelo Campeonato Pernambucano, Kuki conseguiu o feito de marcar três gols em dois clássicos; no mais notável, marcou dois gol contra o Intercontinental Futebol Clube do Recife, além de marcar um gol contra o Santa Cruz na campanha em que perdeu por 2-1 e contra o Intercontinental na primeira fase, a partida foi vencida por 4-3. Já nas semifinais, uma vitória nos pênaltis e uma derrota (0-0 na ida e e 1-0 na volta). Apesar da derrota no Clássico das Emoções, em 27 de junho, o Clube Náutico Capibaribe sagrou-se bicampeão pernambucano, um feito que não se repetia em 17 anos. Em dezembro do mesmo ano, Kuki aceitou uma proposta para transferir-se ao o Jeonbuk Hyundai Motors Football Club, da Coreia do Sul, por aproximadamente 200 mil dólares (equivalente em 2002, a 470 mil reais), inicialmente Kuki exigiu 500 mil dólares pela sua transferência, mas no final foi acordada a sua transferência pelo valor inicial. Pelo Chonbuk, Kuki foi artilheiro da K League de 2002, ao lado do jogador português, Edmilson e Leomar Leiria.
Após o bicampeonato em 2002, o Clube Náutico Capibaribe agora reforçado com Batata do Corinthians, Kuki iniciou a temporada ajudando o clube a classificar-se para as finais da Copa Pernambuco e Campeonato Pernambucano daquele ano. Porém durante as eliminatórias do Campeonato Pernambucano, no caloroso Clássico das Emoções contra o Santa Cruz, o Náutico perdeu em casa pelo placar de 3-0, ainda no mesmo jogo Kuki se desentendeu com o zagueiro Sílvio e deixou o estádio revoltado com o time, mais tarde Kuki foi multado pela diretoria do clube por conduta disleal. Apesar de não conquistar o título pelo clube, Kuki foi novamente o artilheiro do campeonato.
Em 10 de abril, após derrota de 2x1 pelo Atlético Mineiro, Kuki deixou o clube dirigindo um Volkswagen Golf prata, acompanhado de sua noiva Vanessa Soares da Silva, o primo Cláudio Henrique Soares da Silva e sua sogra, e vinha em sua preferência pela rua Conde de Irajá, no bairro da Torre. Ao cruzar pela rua Real da Torre, chocou-se lateralmente com um Chevrolet Corsa, que vinha em alta velocidade e capotou, matando duas pessoas e deixando outros dois feridos. Alessandro Batista, de 20 anos, e outro rapaz identificado apenas como David, morreram na hora da batida, enquanto Josuel Carlos Batista, Fabiano Oliveira, Luís Carlos Soares dos Santos, que também estavam no Corsa, ficaram feridos, e foram internados no hospital Getúlio Vargas. Segundo depoimento de Alessandra Batista, esposa do motorista do Corsa, Luis Carlos Soares dos Santos, o marido saiu à noite com o tio, o irmão dela e mais dois amigos para beber no bairro do Vasco da Gama, e pela hora do acidente, eles estavam alcoolizados e provavelmente voltando do bar.
Ao descobrir que duas pessoas haviam morrido no acidente, Kuki, ficou profundamente abalado com a notícia e o Clube Náutico Capibaribe decretou dez dias de férias para Kuki aliviar-se do estresse do acidente.
Em 2004, o jogador protagonizou mais uma glória do Timbu, na conquista do pernambucano daquele ano, conseguindo o feito de marcar cinco gols em cinco clássicos; no mais notável, um gol contra o Sport, além de marcar contra o Santa Cruz e contra o Central na campanha em que o Náutico perdeu por 1-2. Contra o Sport na primeira fase, a partida foi vencida na Ilha do Retiro por 3–1. Já na segunda rodada, enfrentou o Santa Cruz conquistando mais uma vitória e um empate (1-0 na ida e 2–2 na volta). O Náutico voltou a vencer outro clássico, dessa vez contra o Petrolina, por 2–0. Já contra o Porto, onde sua equipe perdeu pelo placar de 2–0. Nas finais o Náutico venceu mais uma vez do Santa Cruz (derrota de 1-0 na ida e vitória de 3-0 na volta) conquistando o tricampeonato de Kuki, levando o título de campeão pernambucano para o Náutico e o garantindo na Copa Pernambuco daquele ano. Em agosto de 2004, o Timbu foi jogar em Brasília em busca da liderança do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2004 pela Série B, mas antes de enfrentar o Brasiliense Futebol Clube, inesperadamente naquele mesmo dia, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o qual é declarado torcedor do Clube Náutico Capibaribe, convocou uma audiência com toda a delegação alvirrubra e tirou foto ao lado dos jogadores da época.