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Kursk (K-141)

O Kursk (Курск) foi um submarino de mísseis de cruzeiro operado pela Marinha da Rússia e a décima primeira embarcação da

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O Kursk (Курск) foi um submarino de mísseis de cruzeiro operado pela Marinha da Rússia e a décima primeira embarcação da Classe Oscar II. Sua construção começou em março de 1990 nos estaleiros da Sevmash e foi lançado ao mar em maio de 1994, sendo comissionado em dezembro do mesmo ano. Era armado com 24 mísseis de cruzeiro P-700 Granit e vários tubos de torpedos de 650 e 533 milímetros, tinha um deslocamento de mais de 24 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 32 nós na superfície e dezesseis nós submerso.

O Kursk foi designado para servir na Frota do Norte, porém pouco atuou pelos seus primeiros cinco anos de serviço devido a uma escassez de combustível e dinheiro na Rússia pós-fim da União Soviética. Suas atividades no período consistiram em apenas algumas viagens de treinamento. A primeira e única missão da embarcação ocorreu em meados de 1999, quando foi enviada por seis meses para o Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo com o objetivo de monitorar as operações da Sexta Frota dos Estados Unidos durante uma intervenção militar na Iugoslávia por parte da OTAN.

O navio afundou em 12 de agosto de 2000 no Mar de Barents durante um grande exercício junto com a frota, quando torpedos na sua proa detonaram acidentalmente devido a um vazamento de peróxido de hidrogênio. Atrasos no reconhecimento da ocorrência de um acidente e início de operações de busca, equipamentos obsoletos e recusa de ajuda internacional impediram a localização rápida do Kursk e resgate de sobreviventes. A resposta da marinha e do governo foram muito criticadas. Seus destroços foram recuperados em outubro de 2001 e desmontados.

A Classe Oscar II, designada oficialmente pelos soviéticos como Projeto 949A Antei, foi projetada pelo Escritório de Projetos Rubin. A principal diferença em relação à Classe Oscar I, ou Projeto 949 Granit, era adição de uma seção à ré da torre de comando. Esta tinha a intenção de modificar a sala de máquinas ao adicionar um sistema de silenciamento em massa e um sonar MGK-540 aprimorado. A insonorização adicional permitiu que a Classe Oscar II fosse muito mais silenciosa que submarinos soviéticos anteriores, porém ao custo de um aumento de 1,3 mil toneladas de deslocamento.

O Kursk tinha um comprimento de fora a fora de 154 metros, boca de 18,2 metros e calado de nove metros quando navegando na superfície. Seu deslocamento na superfície era de aproximadamente 14,7 mil toneladas, enquanto o deslocamento submerso chegava a por volta de 24 mil toneladas. Tinha um casco duplo dividido em nove compartimentos interconectados e normalmente acessíveis, com exceção do sexto, onde ficavam os reatores nuclares, que eram acessados apenas por um corredor especial antirradiação. O casco externo era feito de chapas de aço com oito milímetros de espessura, que por sua vez eram apoiadas por um casco cilíndrico rígido interno feito de chapas de cinquenta milímetros. O espaço entre os dois cascos variava de um a quatro metros, dependendo da localização. Todo o casco externo era coberto com placas de revestimento anecóico de borracha, o que reduzia os sons vindos de dentro da embarcação e dispersavam a onda acústica que podia ser captada por um sonar inimigo.

O submarino era equipado com dois reatores nucleares de água pressurizada OK-650b que proporcionavam o vapor necessário para movimentar duas turbinas a vapor, cada uma girando uma hélice de sete lâminas. Este sistema produzia um total de cem mil cavalos-vapor (73,6 mil quilowatts) de potência, suficiente para uma velocidade máxima de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora) na superfície e 32 nós (59 quilômetros por hora) submerso. Cada reator ficava em um compartimento próprio e selado. O invólucro pressurizado ficava alojado em um tanque de absorção com 25 metros cúbicos cheio de água e montado sobre uma base de amortecimento de vibração para absorver choques de explosões próximas do navio. O combustível consistia em elementos anulares de cermet de urânio-alumínio ou um tipo dispersado em zircônio envolto em vinte a 45 por cento de urânio enriquecido em 48 conjuntos, totalizando duzentos quilogramas para cada reator. Havia um sistema de desligamento de emergência por meio da inserção de hastes de controle. Como medida final de segurança, todo o compartimento dos reatores podia ser inundado com água por meio de válvulas especiais.

O Kursk tinha a intenção de combater navios de superfície inimigos, especialmente porta-aviões. Para isso, foi armado com 24 mísseis de cruzeiro antinavio P-700 Granit transportados em silos rígidos localizados na parte central da embarcação em ambas as laterais da torre de comando com doze de cada lado, ficando inclinados em quarenta graus. Também levava consigo um carregamento de 24 torpedos. Haviam quatro tubos de torpedo de 533 milímetros na proa e dois ou quatro tubos de torpedo de 650 milímetros também, dependendo da fonte. Destes tubos de torpedo também era possível disparar mísseis antissubmarino RPK-2 Wjuga e RPK-6 Wodopad.

O batimento de quilha do submarino ocorreu em 22 de março de 1990 nos estaleiros da Sevmash em Severodvinsk, em Arcangel. Foi originalmente chamado K-141, mas foi rebatizado em 6 de abril de 1993 para Kursk em homenagem à Batalha de Kursk na Segunda Guerra Mundial. Foi lançado ao mar em 16 de maio de 1994 e comissionado na Frota do Norte da Marinha da Rússia em 30 de dezembro do mesmo ano. O navio pouco atuou nos anos após sua entrada em serviço devido à uma escassez de combustível causada pela situação econômica ruim da Rússia no período pós-fim da União Soviética, partindo apenas para cruzeiros de treinamento. Consequentemente, sua tripulação passou pouquíssimo tempo no mar e era inexperiente. Sua única missão ocorreu em 1999, quando foi enviado durante seis meses para o Oceano Atlântico e depois Mar Mediterrâneo com o objetivo de monitorar as operações da Sexta Frota dos Estados Unidos durante uma intervenção militar na Iugoslávia por parte da OTAN.

O Kursk deixou sua base em 10 de agosto de 2000 com uma tripulação de 118 homens e seguiu para exercícios no Mar de Barents, ao leste da Península de Rybachy, aproximadamente 135 quilômetros de Severomorsk e duzentos quilômetros de Murmansk. A área foi designada como campo de tiros de torpedo durante exercícios que seriam realizados por trinta navios da Frota do Norte.

Dois dias depois, durante os exercícios, uma explosão ocorreu na proa do Kursk às 11h29min (7h29min UTC) enquanto ele estava se preparando para lançar dois torpedos a uma profundidade de periscópio. Uma segunda explosão muito maior ocorreu 135 segundos depois da primeira, sendo registrada por uma estação sismológica na Noruega com uma magnitude entre 3 e 3,5 na escala Richter. Essas explosões abriram um buraco de dez por oito metros no casco interno e causaram uma onda de choque que percorreu todo o comprimento do submarino até a popa, quebrando a segunda e terceira anteparas estruturais estanques e deformando a quarta. Estas acabaram ruindo sob a pressão hidrostática da água, inundando o interior do Kursk. As outras anteparas até a última permaneceram intactas. A enorme quantidade de água que entrou no submarino o deixou com uma flutuabilidade negativa e o fez afundar imediatamente até acomodar-se no fundo do mar a uma profundidade de 108 metros. Seus destroços ficaram com um adernamento de dois graus para frente e 1,5 grau para bombordo.

A maior parte dos estilhaços e pedaços arrancados do submarino caíram de vinte a trinta metros a bombordo. A condição do casco interno indicava que a onda de choque da segunda explosão foi direcionada de dentro do navio para cima e bombordo.

A primeira explosão provavelmente matou todos os tripulantes nos compartimentos dianteiros, enquanto a onda de choque da segunda matou os restantes, com a exceção de 23 que trabalhavam nas seções dos reatores nucleares e salas de máquinas, no sétimo, oitavo e nono compartimentos. Eles conseguiram se refugiar no último compartimento. Um desses sobreviventes foi o capitão-tenente Dmitri Kolesnikov, que conseguiu escrever bilhetes contando sobre a situação no compartimento.

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