Kurt Donald Cobain (Aberdeen, 20 de fevereiro de 1967 – Seattle, c. 5 de abril de 1994) foi um cantor, compositor e músico norte-americano, famoso por ter sido o fundador, vocalista e guitarrista da banda Nirvana. Figura central do movimento grunge no início dos anos 1990, Cobain ajudou a popularizar o rock alternativo com o álbum Nevermind e o sucesso de Smells Like Teen Spirit. Sua música era marcada por letras introspectivas e uma sonoridade crua e emocional. Considerado um ícone de sua geração, sua vida foi marcada por conflitos pessoais, problemas de saúde mental e dependência química.
Dentre suas principais composições, o single Smells Like Teen Spirit, do segundo álbum do Nirvana, "Nevermind", considerado o melhor álbum da história, foi o responsável pelo início do sucesso do grupo e do próprio Kurt, popularizando um subgênero do rock alternativo que a imprensa passou a chamar de grunge. Outras bandas grunge de Seattle, como Alice in Chains, Pearl Jam e Soundgarden, ganharam também um vasto público e, como resultado, o rock alternativo tornou-se um gênero dominante no rádio e na televisão nos Estados Unidos, do início à metade da década de 1990. O Nirvana foi considerado a banda "carro-chefe da Geração X", e seu vocalista, Kurt Cobain, viu-se ungido pela mídia como ícone da geração, mesmo contra sua vontade.
Cobain não se sentia bem com a atenção que recebeu, e colocou seu foco na música da banda, acreditando que a mensagem da banda e sua visão artística tinham sido mal-interpretadas pelo público, desafiando a audiência da banda com o seu terceiro álbum In Utero. Desde sua estreia, a banda Nirvana, com Cobain como compositor, vendeu mais de vinte e cinco milhões de álbuns nos Estados Unidos, e mais de cinquenta milhões em todo o mundo. Durante os últimos anos de sua vida, Cobain lutou contra o vício em heroína, doenças, depressão, fama e imagem pública, bem como as pressões ao longo da vida profissional e pessoal em torno dele próprio e de sua esposa, a cantora Courtney Love. Em 8 de abril de 1994, Cobain foi encontrado morto em sua casa em Seattle, três dias após a sua morte, vítima do que foi oficialmente considerado um suicídio por um tiro de espingarda na cabeça. As circunstâncias de sua morte, por vezes, tornam-se um tema de fascínio e debates sobre saúde mental.
A vida do cantor já foi retratada de várias maneiras e diversas vezes após a sua morte, seja no cinema, em livros ou em documentários televisivos. A primeira delas foi em 1998, com o documentário Kurt & Courtney. Em seguida, em 2005, foi produzido o filme Last Days, um filme de gênero drama que narrava, de forma fictícia, os últimos dias de vida de Kurt. O documentário Kurt Cobain - Retrato de uma Ausência, lançado em 2006, continha entrevistas de amigos, parentes e do próprio Cobain. Em 2006, doze anos após a sua morte, a revista Forbes listou as treze celebridades mortas que mais lucraram nos últimos doze meses do respectivo ano. O cantor ficou em primeiro lugar na lista, com ganhos estimados em cinquenta milhões de dólares estadunidenses. Em 2014, no seu primeiro ano elegível, o cantor, junto com seus companheiros de banda, Krist Novoselic e Dave Grohl, foi admitido ao Rock and Roll Hall of Fame.
Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, no Hospital Grays Harbor, em Aberdeen, em Washington, filho da garçonete Wendy Elizabeth Fradenburg e do mecânico automotivo Donald Leland Cobain. Seu pai era descendente de escoceses, irlandeses e franceses, e sua mãe era de origem irlandesa, alemã e inglesa. Os antepassados irlandeses de Cobain migraram do Condado de Tyrone, na Irlanda do Norte, em 1875. Outras pesquisas descobriram que eles foram sapateiros, eram originalmente chamados de Cobane, e vieram da aldeia de Inishatieve, perto de Pomeroy, na Irlanda do Norte, e se estabeleceram em Cornwall, em Ontário, no Canadá, e depois em Washington, nos Estados Unidos. Cobain teve uma irmã mais nova chamada Kimberly, nascida em 24 de abril de 1970.
Cobain foi criado por pais da classe trabalhadora. Sua família tinha uma tradição musical: seu tio materno Chuck Fradenburg estrelou em uma banda chamada The Beachcombers; sua tia Mari Earle tocava guitarra, e tocou em bandas pelo Condado de Grays Harbor; seu tio-avô Delbert tinha uma carreira como tenor irlandês e fez uma aparição no filme King of Jazz, de 1930. Cobain foi descrito como uma criança feliz e muito criativa. Seu quarto era descrito como tendo tido a aparência de um estúdio de arte, onde ele desenhava seus personagens favoritos de filmes e desenhos animados, como Aquaman, o Monstro da Lagoa Negra, e os personagens da Disney, como Pato Donald, Mickey Mouse e Pluto. Esse entusiasmo foi incentivado por sua avó Íris Cobain, que era uma artista profissional. Cobain começou a desenvolver um interesse pela música cedo em sua vida. De acordo com a sua tia Mari, ele começou a cantar aos dois anos de idade. Aos quatro anos, Cobain começou a cantar e tocar piano, escrevendo uma música sobre sua viagem a um parque local. Quando era novo, ouvia artistas como Ramones e Electric Light Orchestra e cantava músicas como "Motorcycle Song", de Arlo Guthrie, "Hey Jude", dos The Beatles, "Seasons in the Sun", de Terry Jacks, e a canção-tema do seriado The Monkees.
Em fevereiro de 1976, Wendy, mãe de Kurt, pediu o divórcio, surpreendendo todos da família, inclusive Don. Stan Targus, o melhor amigo de Don, disse que "ele [Don] ficou arrasado com a ideia do divórcio". A queixa da mãe de Kurt era que o marido estava o tempo todo envolvido em esportes. Kurt, na época, tinha nove anos e esse foi um evento que, conforme Kurt, teve um profundo efeito em sua vida. Sua mãe notou que sua personalidade mudou drasticamente - Cobain se tornou mais desafiador e recluso. Em uma entrevista de 1993, ele explica:
Lembro-me envergonhado, por alguma razão. Eu tinha vergonha dos meus pais. Eu não poderia enfrentar alguns dos meus amigos na escola mais, porque eu desesperadamente queria ter o clássico, você sabe, a família típica. Mãe, pai. Eu queria a segurança, assim eu me ressenti com meus pais por alguns anos por causa disso.
Os pais de Cobain passaram a encontrar novos parceiros após o divórcio. Seu pai prometeu não se casar novamente; ele o fez, porém, após conhecer Jenny Westeby. Os dois homens Cobain, Westeby e seus dois filhos, Mindy e James, mudaram-se para um novo lar juntos. Cobain gostava de Westeby a princípio, pois esta lhe dava a atenção materna que ele desejava. Em janeiro de 1979, Westeby deu, à luz, Chad Cobain. Esta nova família, que Cobain insistia em dizer que não era a real, estava em contraste com a atenção que Cobain recebia como filho único. Ele, logo então, começou a expressar seu ressentimento com a madrasta. Sua mãe começou a namorar um homem que abusava dela. Cobain testemunhou a violência doméstica infligida contra ela, e houve um incidente em que ela teve que ser hospitalizada com um braço quebrado. Wendy se recusou a dar queixa, e manteve-se completamente comprometida com a relação.
A personalidade de Cobain continuou a mudar, e ele começou a se comportar insolentemente com adultos e a praticar bullying contra outro menino na escola. Eventualmente, seu pai e Westeby o levaram a um terapeuta, que concluiu que ele estava precisando de uma única família. Ambos os lados da família tentaram reunir seus pais novamente, mas sem sucesso. Em 28 de junho de 1979, a mãe de Cobain concedeu a custódia total de seu filho a seu pai. Mas a rebelião adolescente de Cobain logo tornou-se demais para ele, e ele acabou colocando o filho sob os cuidados de diversos amigos e familiares.
Enquanto convivia com a família cristã do seu amigo Jesse Reed, Cobain se tornou um devoto da igreja cristã e a frequentava regularmente. Cobain, depois, renunciou ao cristianismo durante o início da adolescência, engajando-se em o que seria descrito como discursos "anti-Deus". A música "Lithium" é sobre a sua experiência de vida com a família de Reed. A religião continuou a desempenhar um papel importante na vida pessoal de Cobain e em suas crenças: ele costumava utilizar imagens cristãs em seus trabalhos e manteve um interesse constante no jainismo e na filosofia budista. O nome da banda Nirvana foi tirado do conceito budista, que Cobain descreveu como "a liberdade em relação à dor, ao sofrimento e ao mundo externo", em paralelo com a ética e a ideologia do punk rock. Cobain se referiu a si mesmo tanto como um budista como um jainista em diferentes momentos de sua vida. Inclusive, assistia a documentários de televisão à noite sobre os dois assuntos.