Kwame Nkrumah (Nkroful, 21 de Setembro de 1909 — Bucareste, 27 de Abril de 1972) foi um líder político africano, um dos fundadores do Pan-Africanismo. Foi primeiro-ministro entre 1957 e 1960 e presidente de Gana de 1960 a 1966.
Nascido Francis Nwia-Kofi Ngonloma, estudou em escolas católicas em Gana e posteriormente em universidades estadunidenses. Em 1945, ajudou a organizar o sexto Congresso Pan-Africano em Manchester, Inglaterra. Depois disso, começou a trabalhar para a descolonização da África. Quando a independência de Gana ocorreu em 1957, Nkrumah foi declarado o Osagyefo (líder vitorioso) e foi empossado como primeiro-ministro. Em 1962 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz. Em 1964, depois de turbulências econômicas e políticas, Nkrumah declarou-se presidente vitalício de Gana.
Em 1966, ele sofreu um golpe de estado militar apoiado pelo Reino Unido, enquanto estava em Hanoi, no Vietnam do Norte. Exilado na Guiné, jamais retornaria ao seu país de origem. Morreu em 1972 e foi enterrado na vila onde nasceu. É autor de vários livros, entre eles, Africa Must Unite (1963), African Personality (1963), Consciencism (1964), Neo-Colonialism: the Last Stage of Imperialism (1965), Handbook for Revolutionary Warfare (1968) e Class Struggle in Africa (1970).
Kwame Nkrumah nasceu em 1909, filho de Madam Nyaniba, em Nkroful na Costa do Ouro. Formou-se na prestigiosa Achimota School de Acra em 1930, estudou num seminário católico romano e lecionou numa escola católica em Axim. Em 1935 deixou Gana em direção aos Estados Unidos, recebendo um B.A. da Universidade Lincoln, na Pensilvânia, em 1939, onde prestou compromisso no Capítulo Mu da Fraternidade Fi Beta Sigma e recebeu um STB (Bacharelado em Teologia Sacra) em 1942. Nkrumah obteve um mestrado em educação na Universidade da Pensilvânia em 1942 e um mestrado em filosofia no ano seguinte. Enquanto palestrante em ciência política na Universidade Lincoln, foi eleito presidente da Organização dos Estudantes Africanos dos Estados Unidos e Canadá. Enquanto estudante de graduação no Lincoln, participou de pelo menos uma produção teatral estudantil e publicou um ensaio sobre o governo europeu na África, no jornal estudantil The Lincolnian.
Durante seu tempo nos Estados Unidos, Nkrumah pregou nas Igrejas Presbiterianas negras na Filadélfia e Nova Iorque. Lia livros sobre política e divindades e tutorava alunos em filosofia. Nkrumah deparou-se com as ideias de Marcus Garvey e em 1943 conheceu e começou uma longa correspondência com o trindadense marxista C.L.R. James, o exilado russo Raya Dunayevskaya e o sino-americano Grace Lee Boggs, os quais eram membros de um grupo de intelectuais trotskistas baseados nos Estados Unidos. Nkrumah posteriormente creditou a James o fato de ter lhe ensinado "como um movimento subterrâneo funciona".
Chegou em Londres em maio de 1945 pretendendo estudar na London School of Economics. Após encontrar George Padmore, ajudou a organizar o quinto Congresso Pan-Africano em Manchester, na Inglaterra. Em seguida, ele fundou o Secretariado Nacional do Oeste Africano para trabalhar pela descolonização da África. Nkrumah foi vice-presidente da União dos Estudantes do Oeste Africano (WASU, conforme as iniciais em inglês).
No outono de 1947, Nkrumah foi convidado para assumir o posto de Secretário-Geral da Convenção da Costa do Ouro Unida (UGCC), dominada por Joseph B. Danquah. Esta convenção política estava explorando caminhos para a independência. Nkrumah aceitou a posição e partiu para a Costa do Ouro. Após breves escalas em Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim, ele chegou na Costa do Ouro em dezembro de 1947.
Em fevereiro de 1948, a polícia disparou contra ex-militares africanos que protestavam contra o aumento do custo de vida. O tiroteio estimulou motins em Acra, Kumasi e em outros lugares. O governo suspeitou que a UGCC estava por trás dos protestos e prendeu Nkrumah e outros líderes partidários. Percebendo o erro, os britânicos logo liberaram os dirigentes da convenção. Depois de sua prisão pelo governo colonial, Nkrumah emergiu como o líder do movimento juvenil em 1948.
Após a sua libertação, Nkrumah viajou por todo o país pedindo carona. Proclamava que a Costa do Ouro necessitava de "autogoverno já" e construiu uma grande base de poder. Produtores de cacau reuniram-se em torno de sua causa porque discordavam da política britânica para conter uma praga na lavoura cacaueira. Ele convidou as mulheres a participar do processo político num momento em que o sufrágio feminino era novidade para a África. Os sindicatos também se aliaram ao seu movimento. Em 1949 ele organizou os grupos num novo partido político: A Convenção do Partido Popular.
Os britânicos convocaram uma comissão selecionada de africanos da classe média para elaborar uma nova constituição que daria maior autogoverno a Gana. Sob a nova Constituição, somente aqueles com salário e propriedade suficientes seriam autorizados a votar. Nkrumah organizou uma "Assembleia Popular" com membros do partido CPP, jovens, sindicalistas, agricultores e veteranos. Propuseram o sufrágio universal sem qualificações de propriedade, uma câmara dos chefes à parte e status de auto governo ao abrigo do Estatuto de Westminster. Essas alterações, conhecidas como as propostas constitucionais de Outubro de 1949, foram rejeitadas pela administração colonial.
Quando o administrador colonial rejeitou as recomendações da Assembleia Popular, Nkrumah organizou uma campanha de "Ação Positiva" em janeiro de 1950, incluindo a desobediência civil, não-cooperação, boicotes e greves. A administração colonial prendeu Nkrumah e muitos adeptos do CPP e ele foi condenado a três anos de prisão.
Enfrentando protestos internacionais e resistência interna, os britânicos decidiram abandonar a Costa do Ouro. O Reino Unido organizou a primeira eleição geral, que seria realizada sob sufrágio universal de 5 a 10 fevereiro de 1951. Embora na prisão, o CPP de Nkrumah foi eleito por maioria esmagadora, obtendo 34 das 38 cadeiras em disputa na Assembleia Legislativa. Nkrumah foi libertado da prisão em 12 de fevereiro e convocado pelo governador britânico Charles Arden-Clarke, foi solicitado a formar um governo no dia 13. A nova Assembleia Legislativa reuniu-se em 20 de fevereiro, com Nkrumah como Líder dos Negócios Governamentais e Emmanuel Charles Quist como presidente da Assembleia. Um ano depois, a Constituição foi emendada para estabelecer um primeiro-ministro em 10 de março de 1952, e Kwame Nkrumah foi eleito para esse cargo pelo voto secreto da Assembleia por 45 a 31, com oito abstenções, em 21 de março. Ele apresentou sua "Moção do Destino" para a Assembleia, pedindo a independência dentro da Comunidade das Nações "tão logo as providências constitucionais necessárias sejam feitas", em 10 de julho de 1953, e a assembleia aprovou a proposta.
Como líder do governo, Nkrumah enfrentou muitos desafios: primeiro, para aprender a governar, em segundo lugar, para unificar os quatro territórios da Costa do Ouro, e em terceiro lugar, para ganhar independência de seu país, então soberano ao Reino Unido. Nkrumah foi bem-sucedido em todos os três desafios. Num prazo de seis anos após a sua libertação da prisão, ele se tornou o líder de uma nação independente.
Ao meio-dia de 6 de março de 1957, Nkrumah declarou a independência de Gana. O país se tornou independente deixando de ser um dos Reinos da Comunidade de Nações. Foi aclamado como o Osagyefo - que significa "redentor" na língua Twi.
Em 6 de março de 1960, Nkrumah anunciou planos para uma nova constituição, o que tornaria Gana uma república. O projeto incluiu uma disposição para ceder a soberania de Gana a uma União de Estados Africanos. Nos dias 19, 23 e 27 de abril de 1960 uma eleição presidencial e um plebiscito sobre a constituição foram realizados. A Constituição foi ratificada e Nkrumah foi eleito presidente pelo Partido de União Popular (Convention People's Party-CPP) com 1 016 076 votos contra 124 623 de Joseph Kwame Kyeretwie Boakye Danquah, o candidato do Partido Unido (United Party-UP).