Neste Dia

Lampião (cangaceiro)

Cangaceiro brasileiro conhecido como "Rei do Cangaço"

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Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião (Vila Bela, entre 1897 e 1900 – Porto da Folha, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro atuante no Sertão nordestino entre as décadas de 1920 e 1930. Por ser considerado o líder do movimento de banditismo mais bem-sucedido da história do Brasil e do século XX, ganhou o apelido de "Rei do Cangaço".

Filho de José Ferreira e Maria Lopes de Oliveira, conhecida como "Maria Jacosa”, Virgulino passou os primeiros anos de sua juventude trabalhando como vaqueiro na roça de seu pai. Ele e seus irmãos se envolveram em intrigas com seus vizinhos pela primeira vez em 1917, levando a diversas mudanças que não foram suficientes para afastar a família de seus inimigos. Entrou para o grupo de cangaceiros de seu tio, Antônio Matildes, quando passa a ser conhecido como "Lampião". Após a morte de seu pai, assassinado pela força volante do coronel José Lucena em 1921, entrou para o bando de Sinhô Pereira, do qual tornou-se líder após este abandonar o cangaço em 1922.

Durante os cerca de 16 anos em que Lampião atuou no cangaço, seu bando — que chegou a contar com centenas de cangaceiros — foi responsabilizado por saques, assassinatos, torturas, sequestros e estupros em sete estados do Nordeste brasileiro. Estima-se que o bando de Lampião tenha assassinado mais de mil pessoas e tenha entrado em conflito com as forças volantes mais de duzentas vezes, se tornando, na época, o criminoso mais conhecido e procurado do Brasil.

Foi executado junto com outros 10 membros do seu bando, incluindo a sua companheira Maria Bonita, pela força policial volante do então tenente João Bezerra da Silva na Grota do Angico, no município sergipano de Porto da Folha, em 28 de julho de 1938; Lampião e seus companheiros tiveram seus corpos decapitados, e suas cabeças postas em exibição em diversos pontos do país. Os crânios do casal foram enterrados junto aos restos mortais somente em 1969. A sua morte, ocorrida concomitantemente a um momento de modernização da paisagem do sertão nordestino e de centralização da administração pública promovida pela ditadura do Estado Novo — em conjunto com a intensificação dos fluxos migratórios para o Centro-Sul do Brasil — marcou os momentos finais do fenômeno do cangaço, que encerrar-se-ia alguns anos depois, com a morte e prisão de muitos dos antigos companheiros de Lampião.

A economia do sertão no tempo da juventude de Lampião estava fortemente ligada à pecuária desde os tempos da colonização portuguesa; nesse período, a política da região era dominada por grandes proprietários de terra, que a conquistavam por meio da expulsão das suas populações originárias via capangas armados — ou jagunços — e que utilizavam dessa força paramilitar para preservar o seu poder político e intimidar a grande massa de sertanejos despossuídos.

A partir do final do século XIX, com o crescimento populacional do Sertão e o agravamento da pobreza das camadas mais humildes da população sertaneja, fenômenos independentes como o Cangaço — que já encontrava precedentes desde meados do século XVIII — foram potencializados, formando o que o historiador Eric Hobsbawm chama de "banditismo social": isso é, o fenômeno onde criminosos produzidos por meio de idiossincrasias de sociedades estratificadas predominantemente rurais são considerados por parte significativa das camadas mais baixas dessa sociedade, como agente transformador da sua realidade.

Virgulino Ferreira da Silva nasceu entre 1897 e 1900, em Vila Bela (atual município de Serra Talhada), no estado de Pernambuco. Era o terceiro filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes de Oliveira, vulgo "Maria Jacosa". Seu pai era proprietário de um sítio chamado "Passagem das Pedras", dedicado à agricultura de subsistência, onde Virgulino trabalhou como vaqueiro durante sua juventude. Apesar disso, Virgulino conseguiu se alfabetizar rudimentarmente — apesar de nunca ter frequentado o ensino regular — e participava de diversos eventos sociais da vizinhança onde morava, aprendendo, inclusive a tocar sanfona.

Especula-se que Virgulino e seus irmãos envolveram-se em intrigas com os seus vizinhos, principalmente com José Alves de Barros — ou "José Saturnino". Os relatos a respeito do começo dessa inimizade são vários e, muitas vezes, confusos, mas geralmente apontam para uma acusação de roubo de animais de Saturnino pelos irmãos Ferreira; por sua vez, os irmãos Ferreira teriam igualmente acusado José Saturnino e seu pai — Saturnino Alves de Barros — de estarem roubando seus animais.

Em 1917, após a morte do patriarca Saturnino Alves de Barros, José Saturnino acusou Virgulino de se apoderar de um chocalho que era utilizado para identificar seus animais, ocasião na qual Ferreira haveria destruído o instrumento na frente de Saturnino, dando-lhe o apelido de "Zé Chocalho", ou "Zé Muié”, como forma de humilhação. Após uma série de altercações entre os irmãos Ferreira e os funcionários de Saturnino, José Ferreira teria sido forçado a entrar em um acordo com o vizinho, no qual teria que vender seu sítio a um preço irrisório e se exilar na localidade de "Poço do Negro", próximo à vila de Nazaré, no município de Floresta, onde vivia Manoel Lopes — um parente da família. Segundo esse acordo, enquanto os Ferreiras juravam não mais retornar à sua antiga propriedade, os Saturninos deveriam se comprometer em não se aproximar de Nazaré.[carece de fontes?]

Tempos depois do acordo, Saturnino foi avistado por Virgulino e seu tio Manoel Lopes visitando Nazaré. Para responder à quebra do acordo, os dois atocaiaram Saturnino, sem matá-lo ou feri-lo. Como resposta, os Saturninos atacaram o Poço do Negro, sendo repelidos por Virgulino e Manoel. A partir desse momento, os irmãos Ferreira começaram a andar constantemente armados, ganhando a antipatia dos moradores de Nazaré, que os imputaram a fama de cangaceiros; eles acreditavam que os Ferreiras mantinham ligações com o bando de Sinhô Pereira. Em 1918, a família foi levada a se exilar novamente, passando a viver como inquilinos de uma propriedade chamada "Olho d'Água", no município alagoano de Água Branca, onde a família viveria juntamente do sogro do patriarca Ferreira: Antônio Matilde, que era protegido dos coronéis Luís e Ulysses Luna.

Sob o comando de Antônio Matilde

Segundo relatos, Saturnino procurou destruir a reputação de Antônio Matilde junto ao coronel Luna. Ao saber disso, Matilde reuniu os seus netos e mais alguns membros de sua família e foi até a vila de São Francisco pedir proteção à Sinhô Pereira, que colocou à disposição o cangaceiro Baliza, além de seis outros homens. O grupo então partiu para o assalto às fazendas de Saturnino, que, diante da situação, se aliou ao bando de cangaceiros de Cassimiro Honório. A partir desse momento, Virgulino e seus irmãos — liderados por Antônio Matilde e aliados ao bando de Antônio Porcino e irmãos — teriam saqueado, pela primeira vez, o povoado de Pariconha. Foi nessa época que Virgulino teria se dado o apelido de Lampião. Para se afastar das atividades criminosas dos filhos, José Ferreira se mudaria novamente — e pela última vez — para o município de Mata Grande, nas Alagoas.

Ali, José Ferreira foi assassinado pela polícia sob o comando do Tenente Lucena; Maria Jacosa morreria pouco tempo depois de complicações cardíacas.

Pouco tempo depois da morte de José Ferreira, Antônio Matilde deixou o cangaço e foi viver o resto da vida na Paraíba, deixando Lampião no encargo de seu bando, que, principalmente após a morte de Antônio Porcino em setembro de 1921, passou a trabalhar em conjunto com Sinhô Pereira. Nesse período, Lampião conheceu muitos dos coiteiros e parentes de Pereira que, mais tarde, dariam abrigo e tornariam possível a continuidade do cangaço sob o seu comando. Tomou posse do bando do cangaceiro alguns meses depois, quando esse, exortado por Padre Cícero, decidiu abandonar o banditismo; Luís Padre, cangaceiro companheiro de Sinhô Pereira, abandonou o cangaço por volta da mesma época.

Lampião como o "Rei do Cangaço"

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