Lana Turner, nome artístico de Julia Jean Mildred Frances Turner (Wallace, 8 de fevereiro de 1921 — Los Angeles, 29 de junho de 1995), foi uma atriz norte-americana. Ao longo de sua carreira de quase 50 anos, ela alcançou fama como estrela de cinema e modelo pin-up, bem como por sua vida pessoal altamente divulgada. Na década de 1940, Turner foi uma das atrizes mais bem pagas dos Estados Unidos e uma das maiores estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), com seus filmes ganhando mais de 50 milhões de dólares para o estúdio durante seu contrato de 18 anos com eles. É frequentemente citada como um ícone da cultura popular do glamour de Hollywood e uma lenda do cinema clássico de Hollywood.
Filha de Mildred Frances Cowan e John Virgil Turner, foi descoberta aos quinze anos em 1936, tomando uma coca-cola na lanchonete "Top Hat Cafe" na rua Highland, em Hollywood, pelo produtor do jornal "The Hollywood Reporter", W.R.Wilkerson. Foi contratada a 50 dólares por semana, por Mervyn LeRoy, diretor da Warner, tendo estreado em 1937 no filme "They won't forget". Ela era a "Garota do Suéter", considerada símbolo sexual entre as décadas de 1940 e 1950 e tornou-se uma das atrizes mais bem pagas da época.
Percorreu várias etapas até alcançar o estrelado em "O Destino bate à sua porta" (The Postman Always Rings Twice) de 1946. Foi casada e se divorciou sete vezes, além de ter mantido casos amorosos com várias personalidades como Victor Mature, Howard Hughes, Gene Krupa, Robert Stack, Tony Martin, Clark Gable, Fernando Lamas, Peter Lawford e Rex Harrison, entre outros. Teve uma única filha com Joseph Stephen Crane. Os outros maridos foram o músico Artie Shaw, o milionário Henry J. Topping, o ator Lex Barker, Fred May, o produtor Bob Eaton e o hipnotizador Joe Robert Dante.
Um dos grandes escândalos de Hollywood envolveu a filha da atriz, Cheryl Christina Crane, que acusava a mãe de abandono e, em 1958 assassinou Johnny Stompanato, um dos amantes de Lana com uma faca de cozinha. Nessa época a estrela era constantemente agredida pelo gângster Stompanato. Cheryl foi absolvida pelo crime.
Lana passou um longo tempo em depressão causada pelo álcool. Apesar de toda a tragédia, Cheryl demonstrou muito carinho pela mãe em sua autobiografia "Detour - a Hollywood tragedy" enfatizando ainda que tinha muito orgulho de haver matado para defender a mãe. Fez uma participação especial na série de televisão de horário nobre, Falcon Crest, entre 1982 e 1983. Em 1982 foi lançado o livro "Lana—the Lady, the Legend, the Truth", uma autobiografia da estrela.
Turner fumou durante grande parte de sua vida, e, durante seu contrato com a MGM, fotografias em que aparecia segurando cigarros eram retocadas para ocultar o hábito. Também teve histórico de consumo de álcool, que reduziu posteriormente por motivos de saúde. Na primavera de 1992, foi diagnosticada com câncer na garganta. Em comunicado, afirmou que a doença havia sido detectada precocemente e não havia afetado suas cordas vocais. Após tratamento, incluindo cirurgia e radioterapia, entrou em remissão no início de 1993, mas o câncer retornou em julho de 1994.
Em setembro de 1994, Turner fez sua última aparição pública no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, para receber o prêmio Lifetime Achievement Award, e ficou confinada a uma cadeira de rodas durante grande parte do evento. Ela morreu nove meses depois, aos 74 anos, em 29 de junho de 1995, de complicações do câncer, em sua casa em Century City, Los Angeles, com sua filha ao seu lado. De acordo com Cheryl, a morte de Turner foi um "choque total", pois ela parecia estar em melhor estado de saúde e havia completado recentemente sete semanas de radioterapia. Os restos mortais de Turner foram cremados e entregues a Cheryl. Segundo vários relatos, as cinzas ainda estariam em posse de Cheryl, enquanto outros relatos dizem que as cinzas foram espalhadas no oceano, mas o oceano e a localização variam de acordo com as fontes.
Cheryl e sua parceira Joyce LeRoy, que Turner disse ter aceitado "como uma segunda filha", herdaram alguns dos pertences pessoais de Turner e $ 50.000 no testamento de Turner. Sua propriedade foi estimada em documentos judiciais em 1 milhão e 700 mil dólares. Turner deixou a maior parte de sua propriedade para sua empregada, Carmen Lopez Cruz, que foi sua companheira por 45 anos e cuidadora durante sua doença final. Cheryl contestou o testamento e Cruz disse que a maior parte do patrimônio foi consumida por custos de inventário, honorários advocatícios e despesas médicas.
Turner foi descrita por historiadores como um símbolo sexual, ícone da cultura popular e como um símbolo da narrativa do "sonho americano" em Hollywood, associada à ideia de ascensão social a partir de origens humildes por meio da indústria cinematográfica. O crítico Leonard Maltin observou em 2005 que Turner "veio para cristalizar as alturas opulentas às quais o show business poderia levar uma garota de cidade pequena, bem como suas profundezas mais sombrias, trágicas e narcisistas". Ela também foi citada por estudiosos como um ícone gay por causa de sua personalidade glamorosa e triunfo sobre lutas pessoais. Embora as discussões em torno de Turner tenham sido amplamente baseadas em sua prevalência cultural, pouco estudo acadêmico foi realizado sobre sua carreira, e a opinião de seu legado como atriz dividiu os críticos. Após a morte de Turner, John Updike escreveu no The New Yorker que ela "era uma peça de época desbotada, uma rainha do glamour à moda antiga cujos cinquenta e quatro filmes, ao longo de quatro décadas, não somaram, retrospectivamente, muito... Ela era puramente um produto feito em estúdio."
Críticos e historiadores de cinema, como James Robert Parish, destacam a atuação de Turner em The Postman Always Rings Twice como um de seus trabalhos mais significativos, frequentemente associando-a ao cinema noir e ao arquétipo da femme fatale. A historiadora de cinema Jeanine Basinger também destacou positivamente a carreira de Turner dentro do sistema de estúdios de Hollywood, ressaltando sua eficácia como intérprete dentro dos papéis que lhe eram atribuídos.
Por causa das interseções entre a personalidade glamourosa e de alto perfil de Turner, a vida pessoal célebre e muitas vezes conturbada, ela é incluída em discussões críticas sobre o sistema de estúdio de Hollywood, especificamente sua capitalização sobre os trabalhos privados de suas estrelas. Basinger a considera o "epítome do estrelato feito à máquina de Hollywood". Turner também foi citada em discussões acadêmicas sobre a sexualidade das mulheres.
Turner foi retratada e referenciada em inúmeras obras na literatura, cinema, música e arte. Ela foi o tema do poema "Lana Turner has collapsed" por Frank O'Hara, e foi retratada como um personagem menor em L.A. Confidential (1990), romance de James Ellroy. O assassinato de Stompanato e suas consequências também foram a base do romance de Harold Robbins, chamado Where Love Has Gone (1962). Na música popular, Turner foi referenciada em canções gravadas por Nina Simone e Frank Sinatra, e foi a fonte do nome artístico da cantora e compositora Lana Del Rey. Em 2002, o artista Eloy Torrez incluiu Turner em um mural ao ar livre, Portrait of Hollywood, pintado no auditório da Hollywood High School, sua alma mater. Turner tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 6241 Hollywood Boulevard. Em 2012, Complex a nomeou a oitava atriz mais infame de todos os tempos.
1937 - Esquecer, Nunca (They Won't Forget)
1938 - The Adventures of Marco Polo
1938 - Love Finds Andy Hardy (O amor encontra Andy Hardy)
1941 - Quero-te como És (Honky Tonk)
1941 - A Vida É Um Teatro (Ziegfeld Girl)
1941 - O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)