Laurent Nkunda, Laurent Nkundabatware ou Laurent Nkunda Batware (Mirangi, Rutshuru, Quivu do Norte, 2 de fevereiro de 1967) é um ex-general das Forças Armadas da República Democrática do Congo, e é o ex-líder da facção rebelde que opera na província de Quivu do Norte, solidário aos tútsis congoleses e ao governo de Ruanda, dominado pelos tútsis. Nkunda comandou as 81ª e 83ª brigadas das tropas das Forças Armadas da República Democrática do Congo. Ele domina as línguas inglês, francês, suaíli e quiniaruanda. No início de 2009, Nkunda foi capturado durante uma operação conjunta entre as Forças Armadas do Congo-Quinxassa e de Ruanda.
Nkunda tem seis filhos, sendo o mais velho com 18 anos de idade. Antes de se juntar à carreira militar, Nkunda estudou psicologia na Universidade de Quissangane, e então começou a lecionar numa escola na cidade de Kichanga. Diz-se que ele admirava líderes como Mahatma Gandhi e George W. Bush.
Nkunda foi ordenado como pregador e ministro cristão. Segundo ele, a maior parte de suas tropas converteu-se ao Cristianismo. No documentário Blood Coltan, sobre o real custos de telefones celulares, Nkunda mostra orgulhosamente um botom que ele usa, onde está escrito "Rebeldes de Cristo". Segundo o próprio Nkunda, ele é um pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Também diz que recebe ajuda e conselhos do grupo religioso americano "Rebeldes de Cristo", que visita regularmente o país pregando o Cristianismo Pentecostal. No entanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia nega que Nkunda esteja ligado à igreja.
Genocídio em Ruanda (1994–1995)
Durante o Genocídio do Ruanda, o ex-estudante de psicologia viajou para Ruanda, juntando-se à Frente Patriótica Tútsi-Ruandense, que estava lutando contra as Forças Armadas da Ruanda, as forças armadas responsáveis pelo genocídio, liderado pelo governo controlado pelos hútus.
Primeira Guerra do Congo (1997–1998)
Após a vitória da Frente Patriótica da Ruanda, que se tornou o novo governo do Ruanda, Nkunda retornou à República Popular do Congo. Durante a Primeira Guerra do Congo, ele combateu juntamente com Laurent-Désiré Kabila, que derrotou com sucesso Mobutu.
Segunda Guerra do Congo (2000–2003)
Durante o início da Segunda Guerra do Congo, Nkunda juntou-se, e tornou-se um major no Reagrupamento Congolês para a Democracia, e lutou ao lado das forças de Ruanda, Uganda, Burundi, e de outras forças militares tútsis.
Carreira no Exército e rebelião (2007)
Em 2003, com o término oficial da guerra, Nkunda juntou-se ao novo exército nacional integrado do governo de transição da República Democrática do Congo como Coronel, e em 2004, foi promovido a General. No entanto, logo rejeitou a autoridade governamental, e retirou-se com algumas tropas RCD e de Goma para as florestas de Masisi, na província de NQuivu do Norte, onde ele instalou um foco de rebelião contra o governo de Joseph Kabila. Nkunda disse estar defendendo os interesses da minoria tútsi no leste da República Democrática do Congo, que estavam sujeitos a ataques hútus, que tinham fugido após o seu envolvimento com o Genocídio do Ruanda. Esta guerra ficou conhecida como Conflito de Quivu.
Em agosto de 2007, a área sob o controle de Nkunda cobria os territórios ao norte do Lago Quivu, na província de Quivu do Norte, nos territórios de Masisi e Rutsuru. Nesta área, Nkunda estabeleceu seu quartel-general, construindo a infraestrutura necessária e desenvolvendo instituições de ordem. Nkunda estabeleceu uma organização política conhecida como Congresso Nacional para a Defesa do Povo.
Conflitos em Quivu do Norte (2008)
Na guerra, que começou em 27 de outubro de 2008, conhecida como a Guerra do Quivu do Norte, Nkunda liderava os rebeldes tútsis que estavam se opondo ao Exército da República Democrática do Congo e às forças das Nações Unidas, que tem um contingente de mais de 17.000 soldados no país. Relata-se que Nkunda estava avançando com suas tropas numa tentativa de capturar a cidade de Goma, e o Exército do Congo-Quinxassa diz que Nkunda estava recebendo ajuda de Ruanda.
A guerra causou a retirada de 200.000 civis, trazendo o total de pessoas afetadas pelo Conflito de Quivu para mais de 2 milhões de pessoas, causando grande mal-estar civil e fome. As Nações Unidas chamam o conflito como "uma crise humanitária de dimensões catastróficas".
Numa entrevista ao BBC em 10 de novembro de 2008, Nkunda ameaçou atingir o governo da República Democrática do Congo se o presidente, Joseph Kabila, continuar a evitar negociações diretas.
Com o passar dos anos, Nkunda esteve sob investigação e foi acusado por várias organizações de cometer abusos aos direitos humanos. Nkunda foi indiciado por crimes de guerra em setembro de 2008, e está sob investigação da Corte Penal Internacional.
De acordo com observadores dos direitos humanos, tais como a Refugees International, alega-se que as tropas de Nkunda cometeram assassinatos, estupros e saques nas povoações civis controladas pelos rebeldes; uma responsabilidade que Nkunda nega. A Anistia Internacional diz que suas tropas usaram crianças menores de 12 anos para servirem como soldados-criança.