Leonid Aleksandrovich Govorov (em russo: Леони́д Алекса́ндрович Го́воров; Butyrki, distrito de Yaransky, Província de Viatka, 22 de fevereiro de 1897 - Moscou, 19 de março de 1955) foi um comandante militar soviético, Marechal da União Soviética, Herói da União Soviética e Cavaleiro da Ordem da Vitória. Também foi acadêmico da Academia de Ciências da Artilharia.
Leonid Aleksandrovich Govorov nasceu em 22 de fevereiro (10 no Calendário Juliano) de 1897, na vila de Butyrki, no distrito de Yaransky, Província de Viatka, em uma família camponesa russa. Seu pai, Aleksandr Grigoryevich Govorov (1869–1920), trabalhou como barqueiro, marinheiro em uma companhia de navegação pertencente aos mercadores Stakheev, e também como escriturário em uma escola técnica em Elabuga. Sua mãe, Maria Aleksandrovna Govorova (nascida Panfilova, 1867–1919), era dona de casa. Leonid era o filho mais velho entre quatro irmãos.
Depois Após concluir a escola de ofícios em Yaransk, Govorov ingressou no olégio técnico de Elabuga, que concluiu com excelência em 1916. No mesmo ano, foi admitido no curso de engenharia naval do Instituto Politécnico de
Em dezembro de 1916, foi mobilizado para o Exército Imperial Russo e encaminhado para o Colégio de Artilharia Konstantinovsky. Após concluir o curso, em junho de 1917, foi promovido ao posto de subtenente e designado como oficial subalterno de uma bateria de morteiros em uma das unidades da guarnição de Tomsk.
Em março de 1918, foi desmobilizado e retornou à casa dos pais em Elabuga, onde passou a trabalhar em uma cooperativa.
Em setembro de 1918, com a entrada das tropas do Exército Popular de Komuch em Elabuga, Leonid ingressou, junto com seu irmão mais novo Nikolai, então também com a patente de subtenente, nas fileiras da força. Foi designado para uma bateria de artilharia da 8.ª Divisão de Fuzileiros de Kama, que integrava o 2.º Corpo de Exército de Ufa e, a partir de março de 1919, passou a fazer parte do Exército Ocidental.
Mais tarde, nos questionários soviéticos, Govorov afirmava ter sido mobilizado. Participou da Ofensiva da Primavera promovida pelas forças do Front Oriental, sob comando do almirante Aleksandr Kolchak, enfrentando o Exército Vermelho em batalhas nos arredores de Ufa, Zlatoust, Cheliabinsk e ao longo do rio Tobol, em combate contra o 5.º Exército do Exército Vermelho.
Em 13 de julho de 1919, por ordem do comandante supremo, almirante Kolchak, Leonid e seu irmão Nikolai, que servia na mesma bateria, foram promovidos ao posto de segundo-tenente. A nomeação foi publicada em 27 de julho no jornal oficial do Ministério da Guerra do governo de Kolchak, Russkaia Armiya Em documentos e folhas de recomendação relativas à promoção dos irmãos, consta que ambos ingressaram voluntariamente no Exército Branco.
Em dezembro de 1919, no contexto do colapso geral e da retirada das tropas de Kolchak, Govorov, seu irmão e alguns soldados da sua bateria dirigiram-se a Tomsk. Lá, uniram-se a um destacamento de combate e participaram da insurreição contra as autoridades brancas, durante a qual Govorov atuou como assistente do comandante da unidade rebelde.
Em 22 de dezembro de 1919, Tomsk passou para o controle do Exército Vermelho. No mês seguinte, em janeiro de 1920, Govorov alistou-se como voluntário na 51.ª Divisão de Fuzileiros, comandada por Vasily Blyukher. Foi designado comandante de um grupo de artilharia da divisão.
Logo depois, toda a unidade foi transferida para a Frente Sul, onde, integrada ao grupo de ataque de Perekop do 6.ª Exército, sob o comando de Aleksandr Kork, participou dos combates contra as forças do general Pyotr Wrangel.
Durante a campanha de 1920, Govorov foi ferido duas vezes: em agosto, sofreu um ferimento por estilhaço na perna durante combates defensivos nas proximidades de Kakhovka, perto da aldeia de Serogozy; em setembro, foi atingido por um tiro no braço durante uma batalha nos arredores de Antonovka.
Pela bravura e coragem demonstradas nas batalhas contra o Exército de Wrangel, especialmente durante a operação de Perekop–Chongar, Leonid Aleksandrovich Govorov foi condecorado, em 1921, com a Ordem do Estandarte Vermelho.
Em outubro de 1923, Govorov foi nomeado chefe de artilharia da 51.ª Divisão de Fuzileiros de Perekop (que passara a ser conhecida assim a partir de 14 de setembro de 1921). A partir de novembro de 1924, Govorov passou a servir como comandante do regimento de artilharia dessa mesma divisão. Os habitantes de Odessa, onde estava localizado o quartel-general da divisão, elegeram-no para o conselho municipal da cidade e seu Comitê Executivo.
Em maio de 1931, foi nomeado chefe de artilharia da área fortificada de Rybnitsa. A partir de julho de 1934, assumiu a função de chefe de artilharia dos 14.º e 15.º corpos de fuzileiros. De fevereiro a outubro de 1936, trabalhou como chefe de seção no Departamento de Artilharia do Distrito Militar de Kiev.
Govorov também se dedicava ativamente ao autoaperfeiçoamento. Em 1926, concluiu os Cursos de Aperfeiçoamento de Comando de Artilharia. Em 1930, completou os Cursos Acadêmicos Superiores na Academia Militar M. V. Frunze. Em 1933, terminou o curso completo dessa mesma academia, estudando no seu Departamento de Operações, mesmo realizando o curso de forma a distância. Ele também aprendeu alemão por conta própria e passou no exame para se tornar tradutor militar.
Em 5 de fevereiro de 1936, foi promovido ao posto de "Kombrig" (Comandante de Brigada). No mesmo ano de 1936, foi selecionado para o primeiro grupo de estudantes da Academia do Estado-Maior Geral do Exército Vermelho, onde frequentou o famoso "curso de marechais". Nesse curso, estudaram quatro futuros Marechais da União Soviética, seis generais do exército, oito coronéis-generais e um almirante.
Durante o período do Grande Terror, Govorov esteve sob forte suspeita por parte dos serviços de segurança soviéticos, devido a diversos fatores: seu passado como oficial do Exército Branco sob o comando de Kolchak, o serviço de seu irmão na mesma força, suspeitas de ligações com a chamada "Prompartiya" (um suposto grupo conspirador dentro da indústria soviética), além de uma denúncia de sabotagem em depósitos de artilharia no Distrito Militar de Kiev, apresentada em meados da década de 1930. Ele também foi acusado de manter vínculos com pessoas mais tarde rotuladas como “inimigos do povo”, como Ilya Garkavy, Semyon Turovsky, Boris Bobrov, Pyotr Grigoriev e Dmitry Kuchinsky. Ainda assim, por alguma razão, que muitos consideram um verdadeiro milagre, Govorov conseguiu escapar das repressões.