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Leopoldo, Duque de Albany

Leopoldo, Duque de Albany (nome pessoal em inglês: Leopold George Duncan Albert; Londres, 7 de abril de 1853 – Cannes, 2

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Leopoldo, Duque de Albany (nome pessoal em inglês: Leopold George Duncan Albert; Londres, 7 de abril de 1853 – Cannes, 28 de março de 1884), foi o oitavo filho, o quarto menino, da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Ele recebeu os títulos de Duque de Albany, Conde de Clarence e Barão Arklow em 1881. Leopoldo tinha hemofilia, que o levou à morte aos trinta anos de idade.

Primeiros anos e diagnóstico de hemofilia

Leopoldo nasceu em 7 de abril de 1853 no Palácio de Buckingham, Londres. Sua mãe foi a rainha Vitória do Reino Unido, então monarca reinante. Seu pai foi o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Durante o parto, a rainha optou pelo uso de clorofórmio e assim sancionou o uso de anestesia, então recentemente desenvolvida pelo médico escocês James Young Simpson. O médico da rainha, Sir James Clark, chamou John Snow, à época um dos poucos anestesistas do país, ao palácio para administrar o clorofórmio à rainha.

Leopoldo foi batizado na capela privada do Palácio de Buckingham em 28 de junho de 1853, por John Bird Sumner, o arcebispo da Cantuária. Seus padrinhos foram: Jorge V de Hanôver, Augusta de Saxe-Weimar, a princesa Maria Adelaide de Cambridge e Ernesto I, Príncipe de Hohenlohe-Langemburgo. Seus pais o nomearam a partir de seu tio-avô, Leopoldo I da Bélgica.

Quando Leopoldo nasceu, a sua avó, a Duquesa de Kent, viu-o e notou que ele era "pequeno e delicado", o que a deixou num estado de ansiedade que não conseguia explicar. De facto, Leopoldo foi o menor bebé da rainha Vitória ao nascimento e, nas suas primeiras semanas de vida, teve vários problemas digestivos que forçaram a família a trocar de ama-seca. Isto levou a que o seu registo fosse atrasado e a família teve de pagar uma multa no Registo Civil do distrito de Belgravia.

Este viria a ser o primeiro de vários problemas de saúde que Leopoldo enfrentaria ao longo da sua vida. O príncipe demorou mais tempo do que o habitual a aprender a falar e e tinha um pequeno problema na fala. Além disso, era descrito como "irrequieto" e teve vários acidentes. Apesar de demorar algum tempo a recuperar de algumas das suas quedas e de até ficar vários dias sem conseguir andar, estes problemas provocavam mais exasperação do que preocupação na rainha Vitória. Esta comparava-o negativamente com o seu irmão mais velho, Artur, e considerava que Leopoldo era o membro mais "feio e menos agradável" da família.

Só em abril de 1858, quando Leopoldo tinha cinco anos e fez um corte num joelho que o fez sangrar ao ponto de ter de ser carregado de volta para o palácio é que os seus pais consideraram a hipótese de que o príncipe poderia sofrer de uma doença mais grave. Na época, a hemofilia ainda era uma doença relativamente desconhecida e não havia casos conhecidos na família, o que explica que a doença tenha sido descoberta tão tarde. O diagnóstico coincidiu com o início da educação mais formal de Leopoldo, que demonstrou ser inteligente e ter interesse nas aulas, o que fez com que Vitória mudasse a sua opinião em relação ao filho e visse nas suas capacidades intelectuais um reflexo do príncipe Alberto. Mais tarde, o príncipe também começou a sofrer de ataques de epilepsia.

Leopoldo encontrava-se em Cannes, no Sul de França, quando recebeu a notícia da morte do seu pai a 8 de dezembro de 1861. O príncipe tinha oito anos na altura e encontrava-se naquele país por recomendação dos médicos, que achavam que um clima mais quente seria favorável para a sua doença. Leopoldo acabaria por passar cinco meses em Cannes e não esteve presente no funeral do seu pai, nem presenciou da mesma forma que os seus irmãos o luto profundo da rainha Vitória.

Os meses que passou em Cannes foram bastante benéficos para Leopoldo: o ar fresco e exercício contribuíram bastante para a boa saúde do príncipe. Enquanto permaneceu em Cannes, o Dr. Theodore Günther, o professor e guardião de Leopoldo, levava-o em passeios para explorar as redondezas e este ganhou um gosto pelo mundo natural e pela ciência que o acompanhariam para o resto da vida. Quando chegou a altura de regressar a Inglaterra, Dr. Günther escreveu a Vitória a pedir para ele ficar mais tempo em Cannes (Günther tinha lido as cartas desesperadas que Vitória enviara ao filho e temia que o ambiente sombrio que se vivia no palácio o prejudicasse), mas sem efeito.

O regresso de Leopoldo a Windsor marcou o início de uma nova vida. A morte do seu pai teve um impacto profundo no rumo que teria o resto da sua infância. Enquanto era vivo, o príncipe Alberto tinha encorajado Leopoldo a passar tempo e a fazer exercício ao ar livre e tinha concebido um plano de estudos tão exigente como os dos seus irmãos. No entanto, o luto profundo da rainha Vitória e a sua necessidade de companhia, fizeram com que os filhos que ainda viviam com ela vissem a sua liberdade limitada. A doença de Leopoldo e os seus longos períodos de confinamento levaram a que os planos da rainha para o seu futuro passassem por o manter o mais próximo possível dela e afastá-lo da influência que ela considerava ser negativa dos irmãos mais velhos. Isto fez com que Leopoldo passasse o resto da sua infância em relativo isolamento, brincando apenas esporadicamente com alunos de Eton escolhidos pela rainha.

À medida que Leopoldo foi crescendo, os seus problemas de saúde foram-se agravando e a rainha foi limitando cada vez mais a sua liberdade e atividades. Quando o príncipe tinha 10 anos, teve uma hemorragia interna grave que a rainha atribuiu ao facto de ele andar de cavalo demasiado depressa, o que a levou a proibi-lo de o fazer, assim como de participar em brincadeiras com outras crianças. A rainha acabou por atribuir a Leopoldo o papel da criança doente, mas com bom coração tão celebrado pelos mais sentimentalistas da Era Vitoriana e escreveu mesmo numa carta à sua filha mais velha, Vitória:"A doença de uma criança boa é muito menos penosa do que os pecados dos nossos filhos, como os teus dois irmãos mais velhos. Aí sentimos que a morte com pureza é preferível a uma vida cheia de pecado e degredo!"Porém, Leopoldo nunca se conformou com a forma como a mãe o tratava e, à medida que entrava na adolescência, começou a entrar em conflito com Vitória e a tentar ter uma vida mais independente. Leopoldo também nunca gostou de John Brown, o criado escocês preferido da rainha, nem do seu irmão, Archie Brown, que ficou encarregue de cuidar do príncipe. Em cartas, Leopoldo falava dos maus tratos que sofria às mãos de Archie que lhe "batia com colheres no rosto por diversão".

As habilidades intelectuais do príncipe eram evidentes quando menino; o poeta laureado, Alfred Tennyson e seu amigo, o filósofo James Martineau, estavam familiarizados com os filhos da rainha e notaram que Leopoldo, que muitas vezes "conversara com o eminente Dr. Martineau, era considerado um jovem muito aplicado e de inteligência notável​​".

Em 1866, foi nomeado um novo tutor para Leopoldo: o reverendo Robinson Duckworth, recomendado pelo deão Stanley de Westminster e pelo seu amigo, Henry Liddel, o deão de Christ Church em Oxford. Esta marcou a primeira ligação do príncipe à Universidade de Oxford, visto que Duckworth lecionava na Trinity College na altura. Duckworth desempenhou um papel na educação e desenvolvimento de Leopoldo: enquanto foi seu tutor, levou-o em passeios e visitas para o afastar do ambiente claustrofóbico e lúgubre da corte. Duckworth também incentivou Leopoldo a começar um projeto de um livro de autógrafos, algo que se encontrava em voga entre os mais jovens da época, para incentivar o jovem a socializar. Foi com este livro de autógrafos que Leopoldo teve o seu primeiro contacto com o reverendo Charles Lutwidge Dodgson, o professor de Matemática da Christ Church que viria a ficar conhecido para a história como Lewis Carroll.

Aos 18 anos, Leopoldo estava determinado a estudar na Universidade de Oxford, no entanto, a rainha Vitória tinha planos diferentes para ele. Desde a morte do príncipe Alberto e, ainda mais depois dos casamentos das suas irmãs mais velhas, Helena e Luísa, Leopoldo tinha-se tornado no secretário informal da rainha e num dos seus principais companheiros. Vitória usava a doença do filho e os seus longos períodos de confinamento como justificação para o manter perto dela e defendia que ele era feliz só com ela e com a irmã mais nova, Beatriz. Incentivado pelos seus irmãos, cunhados e tutores, Leopoldo escreveu-lhe uma carta onde lhe pedia autorização para frequentar a Universidade de Oxford.

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