Lesley Sue Goldstein (Nova Iorque, 2 de maio de 1946 – 16 de fevereiro de 2015), conhecida profissionalmente como Lesley Gore, foi uma cantora, compositora, atriz e ativista norte-americana. Em 1963, aos dezesseis anos de idade, Gore lançou o hit pop "It's My Party", que alcançou o primeiro lugar da parada Billboard Hot 100. Ela continuou o sucesso com mais dez canções que alcançaram o top 40 da Billboard, incluindo "Judy's Turn to Cry" e "You Don't Own Me".
Posteriormente, Gore trabalhou como atriz e personalidade de televisão. Ela compôs músicas com seu irmão, Michael Gore, para o filme Fama (1980), pelo qual foi indicada a um Oscar. Nos anos 2000, Gore apresentou várias edições do In the Life, programa de notícias da PBS direcionado ao público LGBT.
Lesley Sue Goldstein nasceu no Brooklyn, na cidade de Nova Iorque, em uma família judaica de classe média. Ela era filha de Leo Goldstein e Ronny Gore. Seu pai era dono da Peter Pan, fabricante de trajes de banho infantis, e posteriormente tornou-se um agente de licenciamento de marcas na indústria do vestuário. Gore foi criada em Tenafly, Nova Jérsei, e frequentou a Dwight School for Girls em Englewood. Após o ensino médio, enquanto continuava sua carreira de cantora, Gore frequentou o Sarah Lawrence College, onde estudou Literatura Americana. Ela se formou em 1968.
Gore foi descoberta depois que seu tio deu a Joe Glaser uma fita dela cantando, que ele encaminhou para Irving Green, presidente da Mercury Records. Green deu a fita para Quincy Jones avaliar e Jones, reconhecendo seu talento, tornou-se seu produtor. Ela tinha 16 anos. "It's My Party" foi lançado como seu single de estreia em abril de 1963, e tornou-se um hit número um na Billboard Hot 100 dos EUA, e também nas paradas da Austrália, Canadá e Nova Zelândia. A música recebeu um disco de ouro nos EUA, e em 1964, foi indicada ao Grammy de Melhor Gravação de Rock and Roll. O sucesso da canção marcou o início de uma era na qual fãs apareciam em seu jardim.
"It's My Party" foi seguida por vários outros hits de Gore, incluindo sua sequência, "Judy's Turn to Cry" (5.º lugar nas paradas); "She's a Fool" (5.º lugar); a canção de temática feminista, "You Don't Own Me", que ficou em segundo lugar nas paradas por três semanas, atrás apenas de "I Want To Hold Your Hand", dos Beatles; "That's the Way Boys Are" (12.º lugar); "Maybe I Know" (14.º lugar nos EUA / 20.º lugar no Reino Unido); "Look of Love" (27.º lugar); e "Sunshine, Lollipops and Rainbows" (13.º lugar), canção que ela cantou durante uma cena do filme Ski Party, de 1965. Em 1965, Gore também apareceu no filme The Girls on the Beach, no qual cantou três músicas: "Leave Me Alone", "It's Gotta Be You", e "I Don't Want to Be a Loser".
Gore gravou a primeira composição de sucesso de Marvin Hamlisch, "Sunshine, Lollipops and Rainbows", que foi lançada no álbum Lesley Gore Sings of Mixed-Up Hearts. Hamlisch compôs mais três canções para Gore: "California Nights", "That's the Way the Ball Bounces" e "One by One". Em 1964, ela foi uma das atrações do filme concerto T.A.M.I. Show, lançado pela American International Pictures. Ela teve a apresentação mais longa do filme, com seis músicas.
Em janeiro de 1967, Gore apareceu em dois episódios consecutivos da série de televisão Batman, no qual ela fez uma participação especial como Pussycat, uma dos asseclas da Mulher-Gato. No episódio de 19 de janeiro "That Darn Catwoman", ela dublou a canção "California Nights", e no episódio de 25 de janeiro "Scat! Darn Catwoman", ela dublou "Maybe Now". "California Nights", que Gore gravou para seu álbum homônimo de 1967, atingiu a 16.ª posição da Hot 100 em março de 1967. Foi sua primeira canção a alcançar o top 20 desde "Sunshine, Lollipops and Rainbows".
Na primavera de 1968, Gore assinou um contrato de cinco anos com a Mercury Records. Durante esse período, "He Gives Me Love (La La La)", single baseado na canção vencedora do Festival Eurovisão da Canção em 1968. Apesar dos esforços da Mercury para promover o single, a canção não obteve um bom desempenho, alcançando apenas a 98.ª posição na Hot 100. Na época, Gore passou a trabalhar com os produtores Kenny Gamble, Leon Huff e Thom Bell em dois singles que foram sua porta de entrada para a música soul: "I'll Be Standing By" e "Take Good Care (Of My Heart)". Porém, estas canções não se encaixaram com a imagem que a Mercury havia planejado para Gore, e os singles foram descartados. Gore foi dispensada da Mercury após o lançamento de "98.6/Lazy Day" e "Wedding Bell Blues", que fracassaram nas paradas musicais.
Em 1970, Gore assinou um contrato com a Crewe Records e trabalhou novamente com o produtor Bob Crewe, que produziu seu álbum California Nights. Seu primeiro lançamento pela gravadora, "Why Doesn't Love Make Me Happy", foi um sucesso moderado na parada Adult Contemporary, mas nenhum de seus outros singles obteve êxito. Ela deixou a Crewe Records em 1971, quando a gravadora faliu. Em 1972, Gore assinou com a MoWest Records, uma subsidiária da Motown, e em julho daquele ano lançou seu primeiro álbum de estúdio em cinco anos, Someplace Else Now. Todas as músicas foram escritas por Gore, com a colaboração de Ellen Weston e seu irmão Michael. Devido ao fracasso do primeiro single, "She Said That", a gravadora cancelou a divulgação do álbum.
Gore fez shows e apareceu em vários programas televisivos durante a década de 1980. Ela compôs algumas músicas para a trilha sonora do filme musical Fama, pelo qual ela recebeu uma indicação ao Oscar pela canção "Out Here on My Own", escrita com seu irmão Michael.
Em 1996, Gore co-escreveu a canção, "My Secret Love", para o filme Grace of My Heart. O filme inclui uma subtrama sobre uma jovem cantora chamada Kelly Porter, interpretada por Bridget Fonda e parcialmente inspirada em Gore. A personagem, que é lésbica não assumida, canta "My Secret Love" em uma cena.
Em 2005, Gore lançou Ever Since, seu primeiro álbum de inéditas desde The Canvas Can Do Miracles de 1982, pela gravadora Engine Company Records. O álbum recebeu críticas favoráveis do The New York Times, Rolling Stone, Billboard, e outros veículos de imprensa dos Estados Unidos. O disco também inclui uma versão revisada de "You Don't Own Me", sobre a qual o New York Daily News escreveu: "Na nova versão de 'You Don't Own Me, — mais de 40 anos após a primeira gravação — Lesley Gore dá uma nova vida ao clássico pop." Gore comentou: "Sem a faixa de de fundo alta, eu poderia extrair mais significado da letra. [...] É uma canção que tem um novo significado a cada vez que você canta."
A partir de 2003, Gore apresentou várias edições do In the Life, programa da PBS direcionado ao público LGBT. Em uma entrevista de 2005 ao site After Ellen, ela se assumiu lésbica e disse que estava em uma relação com a designer de joias de luxo Lois Sasson desde 1982. Gore sabia que tinha atração por mulheres desde os 20 anos de idade e declarou que, embora a indústria musical fosse "totalmente homofóbica", ela nunca sentiu que precisasse fingir que era heterossexual. "Eu só vivi a minha vida naturalmente e fiz o que queria fazer", disse. "Eu não evitei nada, não coloquei na cara de ninguém."
Gore estava trabalhando em um livro de memórias e um espetáculo da Broadway baseado na sua vida quando morreu de câncer de pulmão em 16 de fevereiro de 2015, em Manhattan, Nova Iorque, aos 68 anos de idade. No ano da sua morte, Gore e Lois Sasson estavam juntas há 33 anos e planejavam se casar no verão de 2015.
Seu obituário no New York Times diz: "com canções como 'It's My Party', 'Judy's Turn to Cry', e 'You Don't Own Me' — todas gravadas antes dela ter 18 anos de idade — Gore tornou-se a voz de adolescentes afligidas por namorados inconstantes, passando da auto piedade chorosa para a autoafirmação feroz."
A National Public Radio nomeou Lesley Gore Sings of Mixed-Up Hearts, seu segundo álbum, como o precursor de um dos 150 melhores álbuns gravados por mulheres. O disco perdeu a lista oficial (1964–presente) porque foi lançado em 1963. "Ela é uma precursora de sua afirmação do poder feminino no pop e sua validação de uma perspectiva feminina.