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Lima Duarte

Ator brasileiro

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Lima Duarte, nome artístico de Ariclenes Venâncio Martins (Sacramento, 29 de março de 1930), é um ator, diretor de televisão, radialista, apresentador e dublador brasileiro. Reconhecido como um dos pioneiros da televisão brasileira, esteve presente desde sua inauguração e é amplamente considerado um dos mais prestigiados e influentes atores do país, tendo alcançado a fama por meio de diversos papéis memoráveis ao longo da história da teledramaturgia no Brasil.

Natural do interior de Minas Gerais, chegou ao Estado de São Paulo no final dos anos 1940, iniciando sua carreira como contrarregra e faz-tudo nas rádios da capital. Em pouco tempo, Lima começou a fazer locuções e a participar de radionovelas e outros programas, destacando-se como um dos principais artistas do país. Com a inauguração da televisão no Brasil, Lima – que esteve presente na cerimônia – migrou para as telas e tornou-se um dos grandes nomes da TV Tupi, na época uma das maiores emissoras do país, onde passou a realizar trabalhos não só como ator, mas também como escritor e diretor-geral. Em 1970, Lima foi contratado como diretor da Rede Globo, mas logo passou a se destacar na atuação, interpretando papéis memoráveis como Zeca Diabo em O Bem Amado (1973) e Salviano Lisboa em Pecado Capital (1975), consolidando-se como um dos maiores nomes da emissora até os dias atuais. Nas décadas que se seguiram, permaneceu entregando personagens que conquistaram o país, como Sinhozinho Malta em Roque Santeiro (1985), Sassá Mutema em O Salvador da Pátria (1989), Murilo Pontes em Pedra sobre Pedra (1992), Major Bentes em Fera Ferida (1993), Nikos Karabastos em Uga Uga (2000), Afonso Lambertini em Da Cor do Pecado (2004), Shankar em Caminho das Índias (2009) e Josafá em O Outro Lado do Paraíso (2017–2018). Na década de 1980, Lima ainda foi um dos apresentadores do programa dominical Som Brasil, também exibido pela Globo.

Lima também teve a carreira marcada pelos mais variados papéis no cinema, destacando-se em produções como Guerra Conjugal (1974), O Crime do Zé Bigorna (1977), Os 7 Gatinhos (1980), Lua Cheia (1987), A Ostra e o Vento (1997), O Auto da Compadecida (2000), Eu, Tu, Eles (2000), 2 Filhos de Francisco (2005), Assalto ao Banco Central (2011), Família Vende Tudo (2011) e O Juízo (2019).

Ao longo de uma carreira que abrange mais de cinco décadas e os mais variados campos do entretenimento, Lima foi condecorado com os principais prêmios da televisão e do cinema do país, conquistando entre eles 6 vezes o Troféu Imprensa, 6 vezes o Prêmio APCA e 2 vezes o Troféu Roquette Pinto. Em 2006, Duarte foi laureado com o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra.

Nascido no interior de Minas Gerais, num povoado chamado Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e do Sagrado Sacramento, referido por ele como "Desemboque", distrito de Sacramento, chegou em São Paulo de carona num caminhão que transportava mangas.

Filho do boiadeiro araguarino Antônio José Martins e da artista do circo América, Lima Duarte jamais se esqueceu de suas raízes, e viu na oportunidade uma forma de entrar em contato com a figura paterna. “Estar aqui na cidade (Araguari), para mim, é de certa forma encontrar-me com meu pai, com um passado que eu não tive oportunidade de conhecer. Tenho certeza de que ele permanece vivo em meu coração e em minhas lembranças, das quais também fará parte”.

Começou a trabalhar em rádio, como faz-tudo, até chegar a sonoplasta e, finalmente, a radioator, quando adotou o nome artístico de Lima Duarte por sugestão de sua mãe, que era espírita e lhe aconselhou o nome de seu guia. Ingressou na televisão, da qual é um dos pioneiros no Brasil.

Esteve no elenco da primeira telenovela brasileira, Sua Vida Me Pertence, tornando-se um dos principais nomes do gênero.

Também fez dublagens em português de desenhos animados norte-americanos da Hanna-Barbera, como o Manda-Chuva (e também a segunda voz do Espeto), o Wally Gator, o Dum-Dum de Tartaruga Touché.

Atuou em peças teatrais de protesto como Arena conta Zumbi de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Foi um dos atores que foram membros do Teatro de Arena em São Paulo, um dos principais redutos da dramaturgia brasileira.

Depois de anos na TV Tupi, foi contratado pela Rede Globo como diretor, graças à fama obtida pela direção de duas novelas de grande sucesso e popularidade nos anos 60, O Direito de Nascer e Beto Rockfeller, ambas ainda na TV Tupi. Conseguiu dar um salto na carreira ao interpretar o personagem Zeca Diabo, na novela O Bem-Amado (1973), de Dias Gomes. Imitando a voz fina de um parente na interpretação desse matador, obteve grande notoriedade e foi premiado, transformando esse personagem num dos maiores sucessos da história das telenovelas. Em 1975, na primeira versão da telenovela Pecado Capital, exibida pela Rede Globo, interpretou o empresário da alta moda Salviano Lisboa, que se apaixona por Lucinha (Betty Faria), uma desconhecida e pobre operária de sua empresa. Em 1984, substituiu Rolando Boldrin no programa Som Brasil, onde também contava histórias de escritores consagrados como Guimarães Rosa.

Outro personagem antológico da história da telenovela brasileira foi o Sinhozinho Malta de Roque Santeiro, novela escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Tendo ganhado destaque também o milionário Dom Lázaro Venturini, sócio majoritário da Venturini Designers na novela Meu Bem, Meu Mal de Cassiano Gabus Mendes, o personagem foi responsável por uma das frases mais memoráveis da novela, a antológica frase: "Eu quero melão!". Houve também o histórico Sassá Mutema, de O Salvador da Pátria (1989). Assim como o seu personagem, também ele se apaixonou pela "professorinha" Clotilde, interpretada por Maitê Proença, mas não foi correspondido.

Em 1992, interpreta o político Murilo Pontes na novela Pedra sobre Pedra. o personagem retornou em alguns capítulos na novela A Indomada em 1997. Depois no ano seguinte, interpreta o Major Bentes na novela Fera Ferida, um homem prepotente que dita as regras e se acha dono da cidade.

Em 1995, interpreta o caminhoneiro Zé Bolacha na novela A Próxima Vítima, um homem simpático e muito envolvente, que tinha cultura e paixão pelas palavras. Aprendeu tudo na estrada, nos bordéis, na vida. No ano seguinte, interpreta o Coronel Ildásio Junqueira na novela O Fim do Mundo.

Em Da Cor do Pecado ele viveu o empresário Afonso Lambertini e protagonizou cenas emocionantes da trama, como a que descobre que o filho não morreu e que logo em seguida é assassinado na frente dele.

Interpretou ainda o prefeito Viriato Palhares em Desejo Proibido (2007/08), novela exibida às 18 horas pela Rede Globo. Em Caminho das Índias (2009), foi Shankar, um brâmane, pai de Bahuan (Márcio Garcia). Interpretou o vilão Max Martinez em Araguaia (2010). Em Julho de 2015 aceita o convite da TV Cultura para apresentar o programa Viola, Minha Viola. No mesmo ano, participou da novela I Love Paraisópolis interpretando o mafioso Dom Peppino. Em 2017, interpretou Josafá, avô da protagonista Bianca Bin e marido de Fernanda Montenegro na novela O Outro Lado do Paraíso. Em 2022, fez uma participação especial nos primeiros capítulos da novela Além da Ilusão, interpretando Afonso Camargo, pai de Violeta (Malu Galli) e Heloísa (Paloma Duarte).

Lima foi casado entre os anos 1951 a 1961, com a atriz Marisa Sanches. Tornou-se pai adotivo da também atriz Débora Duarte. Entre 1965 e 1968, foi casado com Martha Godoy de Freitas. Entre os anos de 1970 e 1989, foi casado com Mara Martins, com quem teve os filhos Julia, Mônica e Pedro. É avô das atrizes Paloma Duarte e Daniela Duarte.

Lima declarou abertamente ser ateu. Politicamente, o ator é filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

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