Carlo Lineu, geralmente conhecido como Lineu (em sueco: Carl Nilsson Linnæus; e, após nobilitação, Carl von Linné, latinizado como Carolus Linnaeus) (Råshult, Kronoberg, 23 de maio de 1707 — Uppsala, 10 de janeiro de 1778) foi um botânico, zoólogo e médico sueco, responsável por popularizar a nomenclatura binomial criada pelo naturalista Gaspard Bauhin e a classificação científica, sendo assim considerado o "pai da taxonomia moderna".
Lineu foi um dos fundadores da Academia Real das Ciências da Suécia. Lineu participou também no desenvolvimento da escala Celsius (então chamada centígrada) de temperatura, invertendo a escala que Anders Celsius havia proposto, passando o valor de 0° para o ponto de fusão da água e 100° para o ponto de ebulição. Lineu era o botânico mais reconhecido da sua época, sendo também conhecido pelos seus dotes literários. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau enviou-lhe a mensagem: "Diga-lhe que não conheço maior homem no mundo."; o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe escreveu: "Além de Shakespeare e Spinoza, não conheço ninguém entre os que já não se encontram entre nós que me tenha influenciado mais". O autor sueco August Strindberg escreveu: "Lineu era na realidade um poeta que por acaso se tornou um naturalista".
É ainda o cientista da área das ciências naturais mais famoso da Suécia e a sua figura esteve presente nas notas suecas de 100 coroas entre 1985 e 2016.
Duas obras de Lineu - o livro Systema naturae e a sua Expedição à Lapónia - estão incluídas no Cânone Cultural da Suécia (Sveriges kulturkanon), uma lista oficial de obras e realizações particularmente importantes para a herança cultural do país.
Lineu era o mais velho de cinco irmãos (três mulheres e um rapaz, Samuel) e o seu pai, Nils Linné, era o vigário de Stenbrohult, em Kronoberg. Quando criança, Lineu foi destinado à carreira eclesiástica, tal como seu pai e seu avô materno, mas ele tinha muito pouco entusiasmo pela profissão. Nils passou, no entanto, o seu interesse em plantas para o filho. Mantinha um enorme jardim ao redor de sua casa onde cultivava inúmeras espécies de plantas, pois havia estudado História Natural na Universidade de Lund. E neste ambiente cresceu Lineu, que demonstrava interesse pelas plantas desde os quatro anos de idade e aos oito já ajudava seu pai na manutenção do jardim.
Em Växjö ele passou para o ensino secundário. Os seus resultados escolares eram insuficientes para prosseguir estudos clericais; no entanto, seu interesse pela Botânica impressionou um médico de sua cidade, Johan Rothman, e Lineu foi então enviado para estudar Medicina na Universidade de Lund, em 1727. Em Lund, ele instalou-se na casa do médico Kilian Stobaeus, de quem adquiriu conhecimentos em medicina e ciências naturais.
Transferiu-se para a Universidade de Uppsala um ano depois. A sua estada em Uppsala tornou-se possível graças ao apoio financeiro do clérigo Olof Celsius (tio do cientista Anders Celsius), que o apresentou a Olof Rudbeck filho, professor de medicina na universidade; este acolheu Lineu na sua casa. Lineu travou conhecimento também com o professor de medicina Lars Roberg.
Lineu passou os sete anos seguintes em Uppsala, interrompendo a estada apenas para as suas viagens à Lapónia (1732) e Dalarna (1734). E, enquanto estudava, fazia conferências sobre Botânica, o que lhe rendeu o cargo de curador dos jardins botânicos da Universidade de Uppsala, cujos vencimentos garantiriam sua subsistência. Em 1731 começa a publicar catálogos sobre as plantas deste mesmo jardim, reconhecendo pela primeira vez o papel das flores na reprodução dos vegetais superiores.
Durante esse tempo, tomou contacto com uma obra de Sebastien Vaillant, Sermo de Structura Florum (Leiden, 1718), que o convenceu de que os estames e pistilos das flores seriam as bases para a classificação das plantas. Lineu então escreveria um curto estudo sobre o assunto, que lhe permitiu obter a posição de professor adjunto. Começou então a lecionar em 1730.
Em 1732, a Academia de Ciências de Uppsala cedeu todos os fundos necessários a sua expedição para explorar a Lapônia, então praticamente desconhecida. Lineu se dedicou a essa expedição por cinco meses, com o objetivo desenhar a fauna e a flora e de escrever sobre os costumes da população local. Como exercia ainda as funções de organizador, mineralogista, botânico e zoólogo, a expedição seria constituída por uma única pessoa. O resultado dessa viagem foi o livro Flora lapponica, publicado em 1737. Durante sua viagem à Lapônia, Lineu conheceu e descreveu em seus diários um jogo tradicional da família tafl de jogos de tabuleiro, o Tablut, sendo por esse motivo o Tablut o exemplo melhor documentado de toda esta família de jogos. Lineu iniciou a viagem, em que percorreu mais de dois mil quilómetros, indo até Luleå e atravessando o sistema montanhoso interior até chegar à costa atlântica norueguesa, voltando depois pela mesma via e descendo pela costa do golfo da Bótnia na Finlândia; regressando então a Uppsala, ele viajaria através através do arquipélago de Åland.
Tanto a viagem à Lapónia como a viagem à Dalarna, dois anos depois, tinham objetivos científicos, como o de inventariar recursos naturais úteis para a Suécia. Na viagem à Dalarna, Lineu fez-se acompanhar de um grupo de estudantes, que o assistiam no seu trabalho de campo e recebiam tutoria do seu professor.
Depois disso, Lineu se mudou para os Países Baixos, em 1735, de modo a obter a qualificação necessária para a obtenção do grau de doutor. Devido à influência cultural deste país sobre a Suécia da época, desde meados do século XVII que era usual a ida de suecos para os Países Baixos com o propósito de obter doutoramentos. Após apenas alguns dias na pequena Universidade de Harderwijk, Lineu obteve o grau de doutor em medicina, com um trabalho sobre a malária (Hypothesis nova febrium intermittentium). Conheceu Jan Frederick Gronovius e mostrou-lhe o rascunho de seu trabalho sobre Taxonomia, o "Systema Naturae". Johan Frederick Gronovius o ajudou financeiramente a publicar o "Systema Nature", trabalho de apenas 12 páginas no qual especificou os três reinos da natureza: o vegetal, o animal e o mineral.
Nele, as desajeitadas descrições usadas anteriormente - physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis - haviam sido substituídas pelos concisos e hoje familiares nomes "Gênero-espécie" - Physalis angulata - e níveis superiores eram construídos de uma maneira simples e ordenada. Embora esse sistema, nomenclatura binomial, tenha sido criado pelos irmãos Johann e Gaspard Bauhin, Lineu ficou com o crédito de tê-lo popularizado.
A classificação dos taxa passou a ser mais sistemática e técnica do que as que existiam até aquele momento. O novo sistema possibilitou encaixar cada planta e animal em qualquer lugar do mundo em uma grade taxonômica de gêneros e espécies.
A décima edição do Systema Naturae publicado inicialmente por Lineu em dois tomos (1758/1759) foi inovadora em várias frentes, sendo talvez a proposição que mais chamou a atenção a do o gênero Homo subdividido em duas espécies: Homo sapiens e o Homo troglodytes.
Lineu permaneceu nos Países Baixos durante um ano, tendo então partido para Londres em 1736. Visitou a Universidade de Oxford e conheceu diversas personalidades da comunidade científica, como o médico Hans Sloane e os botânicos Philip Miller e Johann Jacob Dillenius. Após alguns meses, Lineu voltou a Amesterdão, onde continuou a impressão do livro Genera Plantarum, o ponto de partida para o seu sistema de taxonomia.
Em 1737, começou a trabalhar e estudar no jardim de George Clifford em Heemstede, na Holanda do Norte. Graças às suas ligações comerciais com mercadores holandeses, Clifford colecionava plantas de todo o mundo e o seu jardim era famoso. Lineu descreveu o jardim na obra Hortus Cliffortianus. No ano seguinte, tendo concluído este trabalho, Lineu iniciou a sua viagem de regresso à Suécia: após permanecer em Leiden durante um ano, enquanto era imprimida a sua obra Classes Plantarum, ele viajou até Paris, antes de navegar de volta a Estocolmo.