José Lino dos Santos Coutinho (Salvador, 31 de março de 1784 — 24 de julho de 1836) foi um médico, poeta e político brasileiro.
Foi eleito deputado pela Província da Bahia para as Cortes de Lisboa (1821-1822). Foi presidente da província do Rio de Janeiro, de 16 de julho de 1831 a 3 de janeiro de 1832. Foi deputado geral nas três primeiras legislaturas da Câmara dos Deputados, e, apesar de ser ministro-geral do Império, era crítico e opositor, ainda que fosse conselheiro do imperador d. Pedro I e, após sua abdicação do trono, ocupou a Secretaria de Estado dos Negócios do Império, cargo que também lhe dava o direito de presidir a província do Rio de Janeiro, em 1831.
Nomeado lente de patologia externa da Academia Médico-Cirúrgica da Bahia no ano de 1825, tornou-se em 1832 diretor da Faculdade de Medicina. Foi também médico honorário da Imperial Câmara, cavaleiro da Ordem de Cristo e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Filho do português José Lino dos Santos e de Luiza Rosa Coutinho, após a conclusão do curso de humanidades seguiu para Coimbra, onde diplomou-se em medicina em 1813. Dali partiu para França e Inglaterra, onde ampliou os estudos.
Quando das lutas pela Independência da Bahia, Coutinho estava como deputado nas Cortes portuguesas. Apesar de ter defendido o envio de tropas lusas para deter "os facciosos, apoiados nos pretos e mulatos" recusa-se, junto a outros deputados brasileiros como Cipriano Barata, a subscrever a Constituição então aprovada, e foge com eles para Falmouth. De volta à Bahia, integra a junta constitucional como secretário, em 1821. No mesmo ano, foi deputado pela Bahia nas Cortes de Lisboa.
Na época, apesar de ser descrito como um deputado liberal, nos tempos da Corte de Lisboa, Coutinho, assim como a maioria dos deputados baianos, permaneceu fiel aos projetos do Reino Unido e de Portugal para o Brasil, em meio ao movimento de independência do Brasil já crescente na Bahia.
Após as lutas Coutinho descobriu que dois de seus escravos, os irmãos Francisco Anastácio e João Gualberto, que haviam lutado no Batalhão dos Periquitos, estavam lotados na Brigada de Artilharia a Cavalo, do Rio de Janeiro. Reclamou uma indenização, e recebeu o montante de 600 mil Réis, valor considerado pequeno, pelos dois negros que serviram nas lutas baianas.
Eleito deputado para as duas primeiras legislaturas do Primeiro reinado, foi oposição ao Imperador; entretanto, chegou a ser nomeado seu médico honorário e agraciado com o título de Conselheiro. Quando da abdicação de D. Pedro I, foi Ministro dos Negócios do Império por seis meses, no período regencial. Foi deputado ainda em 1826; por suas qualidades como orador causava grande impressão na plateia, recebendo por isto a alcunha de "deputado das galerias". No cargo de deputado, foi mantendo a postura liberal dos tempos das Cortes de Lisboa, e entre seus principais discursos, defendeu que as províncias deveriam ter toda uma amplitude para se governarem; mas que era preciso que se afrouxassem o nó, e que ficassem sujeitas ao governo central por uma "união doce e suportável", em uma postura defensora do federalismo, contra propostas centralizadoras, e estimulando as províncias a buscarem o desenvolvimento.
Atuou no Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia, na cátedra de patologia. Quando, em 3 de outubro de 1832, a Regência transformou a escola em Faculdade, foi Lino Coutinho seu primeiro Diretor. Em sua gestão criou a Biblioteca, formando um dos mais ricos acervos do país.
Dentre as obras que publicou, estão as médicas Topografia Médica da Bahia e Memória sobre a doutrina de Broussais; na literatura deixou uma coletânea de poemas.
Também escreveu um tratado sobre a educação feminina, destinado a instruir a ama de sua filha, Cora, sobre como educar a menina. O livro foi publicado postumamente e constitui um importante registro da forma como homens ilustrados viam a educação das mulheres.O livro está disponível no site "Museu Virtual Bertha Lutz".
Seu inventário confirmou que ele era dono de um razoável patrimônio, cuja propriedade de maior valor financeiro era o engenho Trindade, situado no termo da Vila de Santo Amaro da Purificação, além de 113 escravos. Ele também era dono do terceiro maior inventário com relação a obras documentais e bibliotecárias do Recôncavo Baiano naquele período, tendo ao todo uma biblioteca com 143 livros, que tinham um valor estimado por volta de 167 mil contos de réis. Desta bibliografia, ele tinha o maior número de obras em espanhol, e uma considerável quantidade em livros em português e francês, e presença de obras em italiano e inglês, embora houvesse uma ausência de livros em latim.
Como ministro, denunciou em relatórios feitos entre 1831 até sua morte em 1836, os resultados da Lei de 1827, que mostrava o mau estado do ensino elementar no país. Argumentava que, apesar dos esforços e gastos do Estado no estabelecimento e ampliação do ensino elementar, a responsabilidade pela precariedade do ensino elementar era dos municípios, devido a ineficiente administração e fiscalização, bem como culpava os professores por desleixo e os alunos por "vadiagem". Admitia, no entanto, que houve abandono do poder público quanto ao provimento dos recursos materiais, como os edifícios públicos previstos pela lei, livros didáticos e outros itens. Também apontava o baixo salário dos professores; a excessiva complexidade dos conhecimentos exigidos pela lei e que dificultavam o provimento de professores; e a inadequação do método adotado em vista das condições particulares do país.
Depois da abdicação do trono por parte de Dom Pedro I, Coutinho tomou a pasta de secretário de negócios do império no primeiro ministério organizado pela regência permanente, em 16 de julho de 1831, cargo no qual permaneceu até 4 de abril de 1832, quando Coutinho teve de deixar o cargo. Na época, o secretário de estado dos negócios do império era também o presidente da província do Rio de Janeiro, nomeado pelo imperador, ato que só foi revertido com o Ato Adicional de 1834.
Coutinho era médico pessoal do imperador Dom Pedro I, e tinha um grande prestígio por conta disso. Ele idealizou a reforma do Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia. As suas idéias foram levadas à Assembléia Geral e transformadas em lei no ano de 1832. Recebida a denominação de Faculdade de Medicina, tanto a da Bahia como a do Rio de Janeiro, a congregação teve mais autonomia. A Faculdade passou a contar com 14 cadeiras e a duração do curso alcançou seis anos. Lino Coutinho foi nomeado o seu primeiro diretor, na Bahia. A criação do ensino superior público de Medicina, ainda na Bahia e no Rio de Janeiro, foi uma das primeiras iniciativas do Príncipe Regente na área da educação.
Seus últimos dias de vida fizeram-o deixar o governo em 30 de julho de 1832, desaparecendo gradativamente da vida política. Sofria com problemas de inflamação de estômago e de intestino, causados pelo seu forte apreço pela culinária baiana, e que foram tratados como a causa de sua morte, em 1836.
Cartas para a Educação de Cora
Sua obra póstuma Cartas para a Educação de Cora, publicada em 1849, apesar de polêmica, foi um marco para a história da educação feminina no Brasil. Era um texto coerente com as ideias do autor, com o projeto de modernização e civilização da sociedade brasileira através da educação “higiênica” para a mulher: esposa e mãe. As orientações didáticas do Dr. Lino Coutinho não mudavam o papel social da mulher, mas inovavam nos meios para atingir este fim.