Louis Hersent (Paris, 10 de março de 1777 — Paris, 2 de outubro de 1860) foi um pintor francês, conhecido por suas pinturas históricas, retratos e composições de temática mitológica e religiosa. Foi um dos principais representantes da pintura acadêmica francesa durante o período do Primeiro Império Francês, da Restauração Bourbon e da Monarquia de Julho.
Discípulo de Jacques-Louis David, Hersent destacou-se pela combinação entre o neoclassicismo herdado de seu mestre e uma sensibilidade mais sentimental e refinada, próxima do gosto artístico do início do século XIX.
Louis Hersent nasceu em Paris, filho de um gravador. Demonstrou aptidão artística desde jovem e ingressou na oficina de Jacques-Louis David, um dos mais influentes pintores do período revolucionário francês.
Em 1797, venceu o prestigiado Prix de Rome, distinção concedida a jovens artistas promissores da França, o que lhe permitiu aperfeiçoar seus estudos artísticos sob forte influência da tradição clássica.
No Salão de 1802, apresentou Metamorfose de Narciso, obra que chamou atenção pela precisão do desenho e pelo tratamento elegante das figuras. A partir de então, participou regularmente dos salões oficiais franceses até 1831, consolidando-se como um dos pintores históricos mais respeitados de sua geração.
Em 1821, casou-se com Louise-Marie-Jeanne Mauduit. O casal manteve um salão artístico frequentado por intelectuais, músicos e membros da elite parisiense do período da Restauração.
A obra de Hersent é geralmente associada ao neoclassicismo, embora apresente elementos do romantismo emergente, especialmente no tratamento emocional das cenas e no refinamento cromático.
Suas pinturas caracterizam-se por:
inspiração em temas históricos e mitológicos;
expressão moderada das emoções;
influência da pintura renascentista italiana.
Ao contrário de alguns discípulos de David, Hersent evitou os temas revolucionários mais radicais, preferindo assuntos históricos, religiosos e literários.
Entre suas obras mais importantes durante o Primeiro Império Francês destacam-se Aquiles despedindo-se de Briseida e Atala morrendo nos braços de Chactas, ambas reproduzidas nos Annales du Musée de Landon.
Outra obra notável foi Um incidente da vida de Fénelon, pintada em 1810 e posteriormente instalada no Palácio de Malmaison. Do mesmo período data Passagem da Ponte em Landshut, atualmente conservada em Versalhes.
Hersent também produziu diversos retratos de oficiais, nobres e figuras intelectuais ligadas ao regime napoleônico.
As obras mais célebres de Hersent pertencem ao período da Restauração Bourbon. O artista adaptou-se com facilidade às mudanças políticas da França após a queda de Napoleão Bonaparte, tornando-se um pintor apreciado pela monarquia restaurada.
No Salão de 1817, apresentou Luís XVI aliviando os aflitos e Daphnis e Chloé, ambas amplamente elogiadas pela crítica contemporânea.
No Salão de 1819, exibiu Abdicação de Gustavo Vasa, obra que lhe rendeu uma medalha de honra. A pintura foi adquirida pelo duque de Orléans, mas acabou destruída no incêndio do Palais-Royal durante os acontecimentos revolucionários de 1848. Seu registro principal sobrevive através da gravura realizada por Henriquel-Dupont.