Louisa May Alcott (Germantown, 29 de novembro de 1832 – Boston, 6 de março de 1888) foi uma escritora, contista e poeta norte-americana, que se dedicou principalmente à literatura juvenil.
Ficou internacionalmente conhecida por seu romance Mulherzinhas, de 1868 e suas sequências, Little Men (1871) e Jo's Boys (1886). Criada na Nova Inglaterra por seus pais transcendentalistas, Louise cresceu em meio aos intelectuais de sua época, como Ralph Waldo Emerson, Nathaniel Hawthorne, Henry David Thoreau e Henry Wadsworth Longfellow.
Sua família passou por dificuldades financeiras e ela precisou trabalhar para ajudar nas contas da casa desde pequena. Em paralelo, começou a escrever e vender seus trabalhos para complementar a renda. Começou a receber críticas positivas a partir de 1860. No começo da carreira, assinou seus trabalhos como A. M. Barnard, sob o qual escreveu contos bizarros e romances sensacionalistas para adultos que se concentravam na paixão e vingança.
Publicado em 1868, Mulherzinhas se passa na casa da família, em Concord, Massachusetts, vagamente baseado na vivência de Louisa com suas outras três irmãs, Abigail May, Elizabeth e Anna. O livro foi muito bem recebido na época e é ainda popular, tendo sido adaptado para o cinema, para a televisão e para o teatro várias vezes.
Louisa May Alcott foi abolicionista e permaneceu solteira ao longo da vida. Também esteve envolvida em movimentos de reforma social, incluindo a defesa do sufrágio feminino. Devido ao seu envolvimento com ideias progressistas, sua formação intelectual e o fato de exercer a escrita profissional — algo incomum para mulheres na época —, muitos estudiosos, como Daniel Shealy, Sarah Elbert e Madeleine B. Stern, a consideram uma precursora do feminismo, ainda que o termo não fosse amplamente utilizado em seu contexto histórico.
Louisa nasceu em 29 de novembro de 1832, em Germantown, que hoje é parte da Pensilvânia, no dia do aniversário do seu pai. Era filha de um casal de transcendentalistas, o educador Amos Bronson Alcott e a assistente social Abby May, sendo a segunda entre as quatro filhas do casal: Anna era a mais velha, Elizabeth e Abigail May as mais novas. Quando criança, Louisa gostava muito de brincar com os brinquedos típicos dos meninos, bem como suas brincadeiras.
A família se mudou para Boston em 1834, onde seu pai começou a trabalhar em uma escola experimental. Logo a família foi recebida no meio transcendentalista da região, onde conheceram Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau. As opiniões de seu pai a respeito da educação de crianças e as visões rígidas sobre a criação dos filhos, bem como seus momentos de instabilidade mental moldaram a mente da jovem Louisa com um desejo de atingir a perfeição, um objetivo dos transcendentalistas.
Suas atitudes em relação ao comportamento selvagem e independente de Louisa e sua incapacidade de sustentar sua família criaram um conflito entre Bronson e sua esposa e filhas. Abigail se ressentia da incapacidade do marido de reconhecer seus sacrifícios e relacionou sua falta de consideração com a questão mais ampla da desigualdade de sexos. Ela passou esse reconhecimento e desejo de reparar os erros cometidos às mulheres para Louisa.
Em 1840, após vários problemas na escola, a família se mudou para uma residência no campo, em um terreno de mais de 8 mil metros quadrados, próximo ao rio Sudbury, em Concord, Massachusetts. Três anos depois a família se mudaria novamente, para Fruitlands, uma comunidade utópica agrária concebida pelo pai de Louisa baseada numa quinta em Harvard, Massachusetts. A vida na comunidade baseava-se nos princípios do transcendentalismo: os seus habitantes viviam da agricultura, não consumiam substâncias vindas de animais, bebiam apenas água, tomavam banho de água fria e não utilizavam iluminação artificial. A experiência foi um fracasso e durou apenas sete meses.
A família então se mudou para cômodos alugados e o dinheiro que Abigail recebeu de uma herança e de um empréstimo feito por Ralph Waldo Emerson, foi o suficiente para que eles comprassem um casa em Concord. A família se mudou para a nova propriedade em 1 de abril de 1845 e chamou a casa de "Hillside". Eles se mudariam novamente em 1852 quando a casa foi vendida para Nathaniel Hawthorne, que a renomeou para "The Wayside". A família se mudou 22 vezes ao longo de 30 anos. A família retornaria para Concord mais uma vez em 1857 para a casa "Orchard", uma casa de fazenda de dois andares, na primavera de 1858.
Louisa iniciou a sua educação em casa com lições dadas principalmente por seu pai, mas também teve lições com o naturalista Henry David Thoreau e com os escritores Ralph Waldo Emerson e Nathaniel Hawthorne, além da jornalista Margaret Fuller, todos amigos da família. Mais tarde, Louisa escreveu sobre a sua educação num artigo de jornal intitulado "Transcendental Wild Oats". O artigo foi incluído no livro Silver Pitchers (1876), que descreve a experiência da família de uma "vida simples e altamente intelectual" na comunidade Fruitlands.
A pobreza em que vivia a família obrigou Louisa a começar a trabalhar bastante jovem como professora, costureira, governanta, empregada doméstica e escritora. Suas irmãs também se empregaram como costureiras e contribuíam para o orçamento familiar, enquanto a sua mãe trabalhava como assistente social, sendo a sua principal função o auxílio aos imigrantes irlandeses. Apenas a irmã mais nova, May, pôde frequentar a escola pública. Devido a todas estas pressões, a escrita tornou-se numa atividade de fuga criativa e emocional para Louisa. Ela publicou o seu primeiro livro, Flower Fables, um conjunto de contos que escreveu para Ellen Emerson (filha de Ralph Waldo Emerson), em 1849.
Em 1847, Louisa e a sua família acolheram um escravizado em fuga na casa da família durante uma semana. Louisa leu e era uma admiradora da "Declaração de Sentimentos", um documento relativo aos direitos das mulheres que defendia o sufrágio feminino e tornou-se na primeira mulher a registar-se para votar em Concord.
A década de 1850 foi difícil para a família Alcott. Em 1857, por não conseguir encontrar trabalho e em desespero, Louisa contemplou o suicídio. Nesse ano, ela leu a biografia de Charlotte Brontë de Elizabeth Gaskell e encontrou vários paralelos entre a sua vida e a da famosa escritora britânica. Em 1858, Elizabeth, a sua irmã mais nova, faleceu e a sua irmã mais velha, Anna, casou-se. Louisa considerava que estes acontecimentos tinham desfeito os laços de irmandade que mantinha com as irmãs.
Na idade adulta, Louisa foi abolicionista. Em 1860, começou a escrever para o periódico Atlantic Monthly. Durante a Guerra Civil Americana, ela trabalhou como enfermeira no Union Hospital em Washington D.C. durante seis semanas entre 1862 e 1863. A sua intenção era chegar aos três meses de serviço, mas contraiu febre tifoide, doença que lhe foi quase fatal. As cartas que escreveu para casa neste período foram revistas e publicadas no Commonwealth, um jornal antiescravista de Boston, e, mais tarde, reunidas no livro Hospital Sketches (1863). Este trabalho foi o seu primeiro sucesso entre a crítica, que elogiou as suas observações e humor. Ela escreveu sobre a má gestão dos hospitais e a indiferença e insensibilidade de alguns cirurgiões que encontrou.
Em meados da década de 1860, Louisa escreveu romances fogosos e histórias sensacionalistas sob o pseudónimo A. M. Barnard, entre eles A Long Fatal Love Chase e Pauline's Passion and Punishment. As protagonistas destas histórias mostram-se determinadas e implacáveis na perseguição dos seus objetivos que muitas vezes incluem a vingança contra quem as humilhou ou contrariou. Ela também escreveu histórias infantis que foram bem recebidas e que a fizeram escrever menos para adultos. Algumas exceções à regra incluem a noveleta A Modern Mephistopheles (1875) e o conto autobiográfico Work (1873).
Louisa tornou-se ainda mais famosa com a primeira parte do romance Little Women: or Meg, Jo, Beth and Amy (1868), um romance semi-autobiográfico sobre quatro irmãs que crescem durante a Guerra Civil Americana. O romance foi um sucesso imediato e Louisa não demorou muito a terminar a segunda parte intitulada Good Wives (1869), que segue as irmãs enquanto entram na idade adulta e se casam. Nos anos seguintes, a autora escreveu duas continuações de Little Women: Little Men (1871), que segue a vida de Jo na escola que ela fundou com o marido (Plumfield School); e Jo's Boys (1886) sobre os rapazes que são apresentados em Little Men.