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Loures

Município de Portugal

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Loures é uma cidade portuguesa no Distrito de Lisboa, pertencente à Área Metropolitana de Lisboa.

É sede do Município de Loures que tem 201 590 habitantes e 167,24 km2 de área, subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arruda dos Vinhos, a leste por Vila Franca de Xira e pelo estuário do Tejo (território oficialmente atribuído também a Vila Franca de Xira), a sudeste por Lisboa, a sudoeste por Odivelas, a oeste por Sintra e a noroeste por Mafra.

Todos os anos, realiza-se na cidade o famoso Carnaval de Loures que leva à cidade dezenas de milhares de pessoas. Esta tradição remonta já a 1934.

Os maiores clubes desportivos do município são o Grupo Sportivo de Loures e o Sport Grupo Sacavenense participantes na I Divisão Distrital da Associação de Futebol de Lisboa.

O município compreende duas cidades: Loures (elevada a cidade em 9 de agosto de 1990) e Sacavém (elevada a cidade a 4 de junho de 1997) e sete vilas: Bobadela, Bucelas, Camarate, Moscavide, Santa Iria de Azóia, Santo António dos Cavaleiros e São João da Talha.

O município está dividido em três grandes áreas: a rural, para o norte (compreendendo Lousa, Fanhões, Bucelas, Santo Antão do Tojal e São Julião do Tojal); a urbana, a sul (Frielas, Loures e Santo António dos Cavaleiros); e a industrializada, a oriente (Apelação, Bobadela, Camarate, Moscavide, Portela, Prior Velho, Sacavém, Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Unhos).

Em 10 de outubro de 1833 travou-se nos campos de Loures um combate entre os exércitos liberais e miguelistas (Conspiração das Marnotas) com a vitória dos primeiros. O concelho foi criado por Decreto Real de 26 de Julho de 1886, na sequência da extinção do concelho dos Olivais.

Na história de Loures, é também de destacar o facto de aqui, a implantação da República ter precedido em um dia o resto do país: foi no dia 4 de outubro de 1910 que os republicanos de Loures proclamaram o estabelecimento do novo regime, nos Paços do Concelho. Também tem relevância histórica para a Revolução dos Cravos, pois à época, o Quartel da Pontinha, situado na freguesia homónima, situava-se no município de Loures.

A 19 de novembro de 1998, sete das então 25 freguesias do município, que se situavam na parte sudoeste do mesmo, desintegraram-se administrativamente, para dar origem a um novo município tendo ficado este com o nome da freguesia maior, Odivelas.

Existe um movimento que defende mais uma divisão do município, centrado em torno da cidade de Sacavém, defendendo a criação do município de Sacavém, formado pelas dez freguesias da zona oriental do actual município de Loures. Não é um movimento novo, datando já desde a implantação da República, mas ganhou novo fôlego com a criação do município de Odivelas.

Em 2012, com a Reforma Administrativa de Lisboa, deu-se uma alteração de limites que colocou toda a área do Parque das Nações dentro do município de Lisboa, formando a nova freguesia do Parque das Nações, mudança há muito desejada pelos habitantes da zona. Tal alteração representou a diminuição do território das freguesias de Moscavide e de Sacavém, do município de Loures, e Santa Maria dos Olivais (município de Lisboa).

A Guerra Civil e a Defesa de Lisboa (1833) O combate travado nos campos de Loures a 10 de outubro de 1833 (Conspiração das Marnotas) não foi um evento isolado, inserindo-se num momento nevrálgico da Guerra Civil Portuguesa (1832-1834) que opôs o liberalismo (cartistas e vintistas) ao absolutismo tradicionalista de D. Miguel. Após a vitória naval do Cabo de São Vicente e a rápida ocupação de Lisboa pelo exército liberal do Duque da Terceira em julho de 1833, as forças absolutistas tentaram desesperadamente cercar e recuperar a capital. A vitória liberal nas periferias lisboetas, como Loures, foi essencial para suster o ímpeto miguelista, integrando-se naquilo que D. Pedro definiu como uma "luta mortal" ("ou eles ou nós") para quebrar as bases sociais e eclesiásticas do Antigo Regime. Esta defesa bem-sucedida abriu caminho para a derrota final de D. Miguel na Batalha da Asseiceira e a assinatura da Convenção de Évora Monte no ano seguinte.

A Implantação da República e a Estratégia Periférica (1910) O facto de a implantação da República ter sido aclamada em Loures a 4 de outubro de 1910 — um dia antes do resto do país — ilustra a eficácia da estratégia de mobilização do Partido Republicano Português (PRP) na periferia da capital. A historiografia contemporânea demonstra que a revolução não assentou num levantamento de grandes massas nacionais, mas sim num formidável trabalho de sapa e proselitismo liderado pelas sociedades secretas paramaçónicas (a Carbonária), que implantaram bastiões conspirativos sólidos nos subúrbios e arredores de Lisboa. A ação nestes concelhos limítrofes, como Loures, contribuiu para isolar as forças governamentais leais a D. Manuel II, gerando uma situação de anarquia militar que culminou com a proclamação oficial do novo regime a 5 de outubro na varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

Loures como Epicentro Operacional da Revolução dos Cravos (1974) A relevância do município na História contemporânea atinge o seu clímax durante a Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi no Quartel da Pontinha, à época situado na freguesia homónima pertencente ao concelho de Loures, que se instalou o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA). A partir deste reduto, figuras cimeiras como Otelo Saraiva de Carvalho coordenaram as movimentações militares que depuseram o Estado Novo e o governo de Marcello Caetano. As fontes históricas confirmam que foi a partir da Pontinha que o comando do MFA se apercebeu, com surpresa, da "maior desorganização e anarquia pelo lado do Governo", explorando essa paralisia para consolidar rapidamente a revolução no terreno, num golpe quase sem derramamento de sangue.

Com a entrada em vigor de uma nova reforma administrativa, em 2013, Loures viu as suas 18 freguesias reduzidas a apenas 10, pela agregação de várias freguesias, essencialmente na sua zona oriental:

Santa Iria de Azoia, São João da Talha e Bobadela

Santo Antão e São Julião do Tojal

Santo António dos Cavaleiros e Frielas

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