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Luís Carlos, Conde de Áquila

Príncipe, militar e artista

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Luís Carlos de Bourbon-Duas Sicílias, Conde de Áquila (em italiano: Luigi Carlo Maria Giuseppe Gaspar Baldassarre Melchiorre Gennaro Rosalino Ferdinando Francesco d'Assisi Francesco di Paola Francesco di Sales Antonio Abate Benedetto Lucio Donato Bonoso Andrea d'Avellino Luitgardo Rite Gertrude Venanzio Taddeo Spiridione Rocco Vincenzo Ferreri Camillo Vincenzo di Paola Domenico di Borbone-Due Sicilie) Nápoles, 19 de julho de 1824 — Paris, 5 de março de 1897), foi um Príncipe das Duas Sicílias, almirante honorário da Armada Imperial Brasileira, vice-almirante da marinha real das Duas Sicílias e eleito Vice-rei da Sicília em janeiro de 1848. Era o décimo terceiro filho do rei Francisco I das Duas Sicílias, e de sua esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha e, portanto, membro do ramo italiano da Casa de Bourbon.

Foi irmão da Rainha da Espanha, da Imperatriz do Brasil, da Duquesa de Berry, da Grã-Duquesa da Toscana e do Rei das Duas Sicílias. Casou-se com a princesa Januária do Brasil no Rio de Janeiro, filha do imperador e rei D. Pedro I do Brasil & IV de Portugal, e de sua primeira esposa, a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria. O casal se estabeleceu em Nápoles, onde nasceram seus cinco filhos e onde residiram até à invasão das tropas de Garibaldi em 1861.

Luís Carlos nasceu em 19 de julho de 1824 no Palácio Real, Nápoles, Duas Sicílias. Era o décimo primeiro filho do então Duque da Calábria, Francisco mais tarde rei Francisco I das Duas Sicílias, e da sua segunda esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha, ela mesma filha do rei Carlos IV da Espanha e da princesa Maria Luísa de Parma. Por meio de seu pai, o príncipe, portanto, pertencia ao ramo italiano da Casa de Bourbon, enquanto, por sua mãe, ele descendia dos Bourbons da Espanha e de Parma.

Ao nascer, ele foi registrado pelo prefeito de Nápoles, que também acumulava a função de oficial extraordinário do Estado Civil do Reino, Giuseppe Pignatelli, Marquês de Casalnuovo. O nascimento ocorreu às três e meia da manhã, do dia 19 de julho de 1824.

O rei Francisco faleceu quando Luís tinha 6 anos, vindo a mãe a casar-se, posteriormente, com um oficial da Guarda Real, ocupando-se pouco dos filhos. Os numerosos herdeiros foram educados por preceptores nem sempre de comprovada competência. A sorte dos príncipes e, em particular, de D. Luís Carlos, foi que o irmão mais velho, o rei Fernando II, era um monarca notável, que não somente fez uma ótima administração do reino, mas se ocupou pessoalmente da instrução dos irmãos. Luís Carlos recebeu o título de Conde d’Áquila, concedido por Decreto Real de 19 de setembro de 1824. Áquila é uma pequena e florescente cidade nos Abruzos, de origem pré-romana, com inúmeros e lindos palácios e igrejas. Depois do estudo primário, de religião e de línguas estrangeiras, foi decidido que ele estaria destinado à Marinha. Deve-se sublinhar que naquele tempo a Marinha de Nápoles era a terceira maior da Europa, ficando atrás somente da Inglaterra e da França. Aos 15 anos, vestiram-lhe a farda e o príncipe começou sua carreira no mar.

A família real duo siciliana era de uma absoluta dedicação à Igreja e em constante contato com o Vaticano, em particular, com o Papa Pio IX.

Serviu a bordo de várias fragatas, como a “Zeffiro”, a “Valoroso” e “Amélia”, realizando viagens de instrução e visitas a quase todos os portos do Mediterrâneo. As muitas cartas de Fernando II dirigidas ao irmão, pedindo informações sobre as atividades navais e recomendando a observação dos preceitos da Santa Madre Igreja são muito elucidativas. Além das informações do capitão de Tommaso, os comandantes dos vários navios deviam manter o Rei informado constantemente sobre os progressos do real cadete. Uma das paixões do príncipe, desde menino, era a pintura, tendo recebido, já desde a primeira infância, aulas do famoso pintor napolitano Gabriele Samargiassi. Este renomado artista retratou todas as propriedades dos Bourbons, a começar pelo Palácio Real de Caserta, com o seu maravilhoso parque. A especialidade de Samargiassi, porém, era pintar as Marinhas, tema no qual Luís Carlos também se especializou. Este talento seria de suma importância em sua vida futura. Com o passar dos anos, ele conquistaria prêmios no Salão de Paris, além da menção na famosa enciclopédia Benezit.

Fernando II conseguiu não somente elevar a Marinha ao mais alto nível, seja a mercantil ou a militar, impulsionando o seu progresso e imprimindo uma estrutura moderna ao reino. Foi ele quem instalou o primeiro trem da Itália, criou o primeiro selo postal, saneou a moeda e conseguiu por um freio no chamado “brigantaggio”. Ele pode ser considerado um dos mais completos governantes da Europa do seu tempo. Todos o respeitavam, e, como veremos, Luís Carlos mantinha verdadeira veneração e admiração, além de um profundo respeito a seu real irmão.

Além de ser irmão do rei Fernando II, era irmão da Duquesa de Berry, da Grã-Duquesa da Toscana, da Imperatriz do Brasil e da Rainha-Regente da Espanha.

Em 1843, o príncipe não tinha vinte anos, mas seu futuro interessou muito às chancelarias das grandes potências. A questão do casamento da jovem rainha Isabel II da Espanha e de sua irmã mais nova divide a Europa, o Reino Unido e a França. Foi considerado propor ao governo espanhol o Conde de Áquila como noivo da soberana. No entanto, o príncipe napolitano tem outros projetos matrimoniais em mente e recusa a oferta que lhe foi feita.

Em março de 1843, uma das irmãs do Conde de Áquila, a princesa Teresa Cristina das Duas Sicílias, deixou Nápoles para se casar, no Rio de Janeiro, com o imperador D. Pedro II do Brasil. Tendo o conde de Áquila ingressado na marinha das Duas Sicílias, o rei Fernando II encarregou-o de acompanhar a jovem ao seu novo país. A designação do Conde de Áquila não é, no entanto, acidental. A irmã mais velha de D. Pedro II, sendo sua única herdeira, a constituição brasileira à proíbe de deixar seu país enquanto seu irmão não tiver filhos. No entanto, o Brasil não tem partido suficientemente alto para casar com a jovem: é, portanto, imperativo que um príncipe europeu venha se estabelecer no Brasil para casar com ela e garantir a continuidade dinástica. O conde de Áquila sendo colocado muito longe na linha de sucessão ao trono napolitano, poderia facilmente se estabelecer no Rio de Janeiro.

O Conde de Áquila encontra a princesa Januária em setembro de 1843, os dois jovens rapidamente se apaixonam. D. Pedro II concorda em formalizar sua união, e Luís parte para as Duas Sicílias em 1º de outubro para pedir ao rei a sua permissão e instalar-se definitivamente no Brasil. O príncipe retornou ao Rio de Janeiro no início de 1844. O casamento dele com D. Januária foi cercado de muita pompa. D. Pedro II disponibilizou como moradia ao futuro cunhado o Paço da Cidade. O conde d’Áquila partiu no domingo, dia 28 de abril, para se encontrar com a noiva e os imperadores no Palácio de São Cristóvão. De lá, um grande cortejo seguiu até o Paço da Cidade. Passaram pelas ruas cheias de gente, coloridas por flores e pelas colchas nos balcões. No Paço, com a corte reunida e a chegada do corpo diplomático e dos ministros, seguiram para a Capela Imperial. Depois da cerimônia houve recepção no Paço, parada militar e um jantar. O Paço da Cidade agora ficava sendo a residência oficial da princesa imperial e do Conde d'Áquila. No acordo matrimonial constavam:

"Art. II. Logo que se verifique o matrimônio, Sua Alteza Real o Príncipe D. Luiz Carlos Maria, Conde d'Aquila, esposo de Sua Alteza Imperial a Princesa Imperial do Brasil D. Januária Maria, será considerado como Príncipe da casa e da Família Imperial do Brasil, e gozará de todos os direitos e prerrogativas que pela Constituição do Império competem a tais Príncipes. Tomará o título de Príncipe Imperial, que atualmente pertence á sua futura Augusta Esposa; quando, porém, Sua Majestade o Imperador tiver descendência, os dois Augustos Esposos tomarão o titulo de Príncipe e Princesa do Brasil, conservando com tudo o Tratamento de Alteza Imperial, seguem-se amplas dotações, para si e para os filhos, que serão também, Príncipes do Império."

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