Luís Filipe de Bragança (Lisboa, 21 de março de 1887 – Lisboa, 1 de fevereiro de 1908), foi o Príncipe Real e herdeiro aparente do Reino de Portugal de 1889 até ao seu assassinato. Filho mais velho do rei Carlos I de Portugal e de sua esposa, a princesa Amélia de Orléans, foi Príncipe da Beira antes da subida de seu pai ao trono, e Duque de Bragança após.
Luís Filipe nasceu às 21h00 do dia 21 de março de 1887 no Palácio de Belém, em Lisboa. Era o primeiro filho dos Duques de Bragança, D. Carlos de Bragança e da princesa Amélia de Orléans. Seu pai era o filho mais velho do rei D. Luís I de Portugal, e da princesa Maria Pia de Saboia. Já sua mãe era a filha mais velho do pretedente ao trono francês Filipe, Conde de Paris e da princesa Maria Isabel de Orléans, Infanta da Espanha. Os títulos que lhe foram atribuídos aquando do seu nascimento foram: Príncipe da Beira e Duque de Barcelos. Seu batizado decorreu em 14 de abril de 1887 na Capela do Palácio de Belém, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Sebastião Neto. Os seus padrinhos foram: o seu avô paterno, o rei D. Luís I, e a sua avó materna, a Condessa de Paris.
Luis Filipe foi entregue à responsabilidade da ama Carlota de Campos e da dama D. Isabel Saldanha de Gama da Casa da Ponte. Na sua infância, D. Luís Filipe correu perigo de vida quando, em dezembro de 1888, um incêndio ocorreu nos aposentos do príncipe no Paço Ducal de Vila Viçosa. As chamas só atingiram o berço do príncipe mas teve consequências que foi o parto prematuro da Duquesa de Bragança, D. Amélia, que se encontrava grávida, e nasceu uma menina a que foi posta o nome de Infanta D. Maria Ana de Bragança.
No dia 19 de outubro de 1889, morre na Cidadela de Cascais, o rei D. Luís I, e, D. Carlos torna-se o novo Rei de Portugal. Assim, o príncipe passa a ser o herdeiro aparente da coroa portuguesa e com isso, passa a ter o título de Príncipe Real de Portugal e Duque de Bragança. Nesse mesmo ano, em 15 de novembro, nasce o infante D. Manuel de Bragança, segundo filho de seus pais, que recebeu o título de Duque de Beja.
Os dois príncipes têm uma infância feliz e calma, sob a supervisão de uma mãe extremosa, da dama de companhia e da aia Calita. As suas convivências fazem-se, por vontade da rainha D. Amélia com filhos descendentes das famílias nobres do país como os Abrantes, os Sabugosa, os Figueirós, os Castro Pereira, etc.
Teve uma esmerada educação, o que fez com que o Príncipe tivesse elevadas qualidades tais como a cordialidade, a amabilidade e a bondade para com o semelhante. Sobre este tema, uma vez quando o príncipe tinha 5 anos de idade, uma mulher humilde aproximou-se dele e ajoelhou-se a seus pés, beijando-lhe as mãos e seguidamente, D. Luís Filipe respondeu: " Levante-se, eu não sou Deus!"
Foi um irmão afetuoso para D. Manuel tendo feito, muitas vezes, suas as culpas que eram do Infante. O seu pai, El-Rei D. Carlos, transmitiu-lhe o talento pela pintura e o gosto pela caça.
Tal como o seu pai, foi um amante de fotografia, encontrando-se colaboração fotográfica da sua autoria no Boletim Fotográfico (1900-1914).
Os príncipes tiveram os seguintes preceptores: Garcia Guerreiro (história e geografia), Oliveira Ramos (literatura portuguesa), Kerauch (literatura, geografia, e história alemã), Lopes Graça (filosofia e direito), Marques Leitão (matemática) e o tenente-coronel José de Castro (balística, táctica e topografia). O regime de educação era rigoroso: acordavam às 6 horas da manhã. Faziam a higiene, tomavam o pequeno-almoço e estudavam até ao meio-dia, almoçavam e tinham aulas até às 15 horas, hora a que iam dar um passeio até ao lanche. As aulas eram retomadas às 17h30 até às 19h30, hora a que iam jantar.
Do programa da sua aprendizagem, constava a realização de provas públicas, pois os seus exames eram feitos perante a corte. Uma outra componente da educação dos príncipes era a equitação.
Aos 13 anos, El-Rei D. Carlos entrega a educação do herdeiro da coroa ao herói das campanhas de África, Mouzinho de Albuquerque, o que faz com que a sua instrução seja essencialmente de teor militar. Começa a realizar, sob supervisão do seu aio, viagens pelo Reino e visita terras como o Porto, Penafiel, Braga, Viana do Castelo e quase toda a região norte de Portugal. Mouzinho de Albuquerque suicida-se em 1902 e o coronel Francisco da Costa é o novo aio do príncipe Real."O sentimento patriótico tão caraterístico no Príncipe Real, o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d´El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara. Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava." — António Carlos Coelho V.B. Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I no Ministério de João Franco (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento — El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’
O Príncipe Real, desde a sua adolescência, foi integrado gradualmente nas funções oficiais e participou nas visitas oficiais de chefes de estado estrangeiros como Eduardo VII em abril de 1902 ou a do presidente francês Émile Loubet. Também, o herdeiro da coroa viajou várias vezes para o estrangeiro, nomeadamente representar o Rei português, em Westminster, na Coroação do primo Eduardo VII, em Junho de 1902. Aí em Londres foi investido como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira, o penúltimo português a ter essa honra — o último seria o irmão El-Rei Dom Manuel II.
Em 1902 acompanhado pela mãe e irmão cruza o Mediterrâneo num prolongado cruzeiro.
Quando SS.MM. os Reis se deslocaram a Paris, entre 20 de novembro e 20 de dezembro de 1905, e também a Madrid, entre 11 e 16 de março, coube a Dom Luís Filipe assumir a regência do Reino, funções que cumpriu com grande presteza e competência facto pelo qual lhe foram tecidos enormes elogios.
Dom Luís Filipe viajou, também, foi para Madrid, ainda nesse ano, para assistir ao casamento do primo o Rei Afonso XIII, com a princesa Victória de Battenberg, onde escapou a um atentado à bomba perpetrado por um anarquista, contra o monarca espanhol.
Nos termos do art.º 112.º da Carta Constitucional em 13 de abril de 1906 — Constituição que havia jurado em 1901-, o Príncipe Real tomou assento no Conselho de Estado, a posse de um lugar que era seu por inerência aos 18 anos.
A viagem do Príncipe Real às colónias portuguesas em África foi o marco político de maior importância do príncipe Real, porque foi a primeira vez que um príncipe português desde D. João VI, visitou os domínios ultramarinos. Embarcou a 1 de julho de 1907 e visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
Com ele, seguiu uma pequena comitiva e o herdeiro da coroa e o Príncipe foi aclamado por todos os lugares em que passou.