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Luís de Ataíde

3.º conde de Atouguia e vice-rei da Índia (1516-1581)

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D. Luís de Ataíde, 3.º conde de Atouguia e 1.º marquês de Santarém (c. 1516 – Goa, 10 de março de 1581), foi um fidalgo, militar e estadista português do século XVI, que se destacou pelas vitórias militares que alcançou no Oriente. Exerceu o cargo de vice-rei da Índia em dois mandatos não subsequentes (1568–1571 e 1578–1581).

No seu primeiro mandato na Índia, D. Luís de Ataíde conduziu o que se qualificaria hoje como uma guerra total (conceito criado no século XVIII, como contraposição ao de "guerra limitada"); pois o Império português teve que utilizar todos os recursos disponíveis - militares, económicos, políticos e diplomáticos - e incluir também operações militares envolvendo civis, para conseguir resistir, com sucesso final, a um assalto conjunto dos potentados indianos contra a presença e possessões lusas no Oceano Índico.

Era filho segundogênito de D. Afonso de Ataíde, 3.º senhor de Atouguia e de sua mulher Maria de Magalhães; e bisneto dos 2.ᵒˢ condes de Atouguia, D. Martinho de Ataíde e D. Filipa de Azevedo.

Serviço militar no Oriente e na Europa

Partiu a primeira vez para a Índia em 1538, na nau capitânia da armada que transportou o vice-rei D. Garcia de Noronha, seu primo. Já sob o governo de D. Estevão da Gama, integrou a expedição que este conduziu até o mar Vermelho, tendo sido armado cavaleiro por ele - logo após a batalha de El Tor - na igreja de Santa Catarina do monte Sinai, em abril de 1541. Este episódio ficaria célebre, considerado um dos grandes feitos de cavalaria da história, posteriormente celebrado na Europa, tendo o imperador Carlos V dito que sentia "inveja dos que haviam sido armados cavaleiros no sopé do Monte Sinai".

Regressou ao Reino após a chegada a Goa do novo governador, Martim Afonso de Sousa, e já na condição de herdeiro da casa de Atouguia, pois seu irmão primogênito, D. Martim Gonçalves de Ataíde, falecera entretanto em combate em Marrocos, na defesa da Fortaleza de Santa Cruz do Cabo do Gué

Embaixador à corte de Carlos V

Em fevereiro de 1547, o Rei D. João III nomeou-o embaixador junto à corte de Carlos V, Imperador do Sacro Império.

Partiu de Portugal em 5 de março e chegou ao acampamento do imperador, situado nas margens do rio Elba, na Saxónia, a 17 de abril, ou seja, sete dias antes da batalha que iria ocorrer em Mühlberg. A 21 de abril, foi recebido pelo imperador, indo com ele à missa, e comunicou-lhe então o seu desejo de participar na batalha que se avizinhava, o que Carlos V logo apoiou, "manifestando contentamento ... pela intenção de [ele] o servir nessa jornada".

Ataíde participou assim na batalha que significou umas das maiores vitórias militares de Carlos V e uma estrondosa derrota dos luteranos da Liga de Esmalcalda, que levaria à posterior dissolução desta. Destacou-se pela coragem que revelou nos combates, tendo-lhe o imperador oferecido nessa ocasião uma armadura, em sinal de apreço.

Esta experiência de combate constituiu também para D. Luís de Ataíde uma oportunidade para aprender, junto dos maiores especialistas da época, como o próprio imperador e o 3.º Duque de Alba, as mais modernas técnicas de guerra terrestre, aplicadas por um exército cosmopolita e multinacional, de cerca de 25 mil homens e 8 mil cavaleiros. Tais conhecimentos, em conjunto com a prática da guerra naval que já obtivera no Oriente, muito iriam ajudar a alicercar a sua reputação de grande competência nas artes militares.

Afastamento em relação às lutas políticas sobre as Regências

No início de 1548 estava já de regresso a Portugal, sendo anos mais tarde, em 21.04.1555, confirmado por D. João III como senhor de juro e herdade da vila de Atouguia, por morte de seu pai. Ocupou-se então com a defesa da sede e território do seu senhorio, alvo de ataques de corsários franceses. Depois disso, manteve-se intencionalmente afastado das lutas e polêmicas políticas que se seguiram à morte de D. João III, a respeito das Regências de D. Catarina de Áustria e do cardeal D. Henrique.

Em 1567, num claro sinal de reaproximação à corte, foi nomeado provedor do Hospital de Todos-os-Santos, de Lisboa. E, pouco depois de D. Sebastião I tomar efetivamente o governo, foi nomeado 10.º vice-rei da India, em março de 1568. Levou poderes reforçados em relação a seus antecessores, incluindo a faculdade de decretar penas de morte e a de passar mercês em nome próprio e não do Rei.

Vice-rei na Índia, primeiro mandato (1568 - 1571)

Partiu de Portugal a 7 de abril, no comando de uma frota que incluía 5 naus e um invulgarmente elevado número de homens de armas, e chegou a Goa em outubro de 1568.

Conquista de Honnavar e Basrur e patrulhamento dos mares

No início manteve as políticas de seu antecessor. Mas, no ano seguinte, passou a evidenciar a sua faceta militar. Atuando preventivamente, a fim de impedir que o sultão de Bijapur pudesse se apoderar desses portos, conquistou em novembro de 1569, à frente de uma armada de 110 navios, a praça de Onor (hoje, Honnavar), que era também centro de refúgio de piratas. Deixou na cidade uma guarnição de 200 homens e encarregou Simão de Ruão (filho de João de Ruão e irmão de Jerónimo de Ruão) de fortificar a praça e desenhar a respectiva planta.

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