Luís de Orleães e Bragança (Petrópolis, 26 de janeiro de 1878 – Cannes, 26 de março de 1920), cognominado "o Príncipe Perfeito", foi um príncipe brasileiro, segundo filho da princesa Isabel, Princesa Imperial e do príncipe Gastão, Conde d'Eu, integrando, assim, a família imperial brasileira.
Nascido no Brasil durante o reinado de seu avô, o imperador D. Pedro II, Luís viveu a ruptura institucional de 1889 ainda na infância e seguiu para o exílio com seus familiares após a Proclamação da República. Na França, concluiu a formação escolar na École Saint-Jean, em Versalhes, e posteriormente no Stanislas College, inserindo-se no ambiente educacional francês do período.
Ao longo da juventude e da vida adulta, dedicou-se à escrita, reunindo textos que mais tarde seriam publicados como relatos de viagem e memórias de suas experiências, incluindo a tentativa de retorno ao Brasil em 1907, em oposição ao decreto de banimento da família imperial. Após a renúncia de seu irmão, em 1908, passou a ocupar a posição de principal pretendente dinástico ao abolido trono brasileiro. Nessa condição, manteve articulação com círculos do movimento monarquista e apoiou iniciativas voltadas à restauração da monarquia no Brasil.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, alistou-se como oficial nas Forças Armadas britânicas e serviu em operações em Flandres. Durante o conflito, contraiu uma forma severa de reumatismo ósseo, enfermidade que agravou seu estado de saúde e levou à sua morte, aos 42 anos.
Luís nasceu em 26 de Janeiro de 1878, no Palácio Isabel em Petrópolis. Era o terceiro filho, segundo menino, da princesa imperial D. Isabel, e do seu marido, o príncipe consorte Gastão. O príncipe foi batizado em 14 de março na Capela Imperial do Rio de Janeiro, e Recebeu o nome de: Luís Maria Filipe Pedro de Alcântara Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleães e Bragança. Teve como padrinhos o seu avô paterno, o príncipe Luís, Duque de Némours, representado pelo conselheiro de Estado e senador do Império, o Visconde de Bom Retiro, e sua tia paterna, a princesa Margarida de Orleães, representada pela Baronesa de Santana.
Assim como os demais membros da família imperial, ele pertencia ao ramo brasileiro da Casa de Bragança, sendo referido desde seu nascimento com o prefixo honorífico de "Dom". Sua mãe era a filha mais velha e herdeira presuntiva do imperador D. Pedro II, já seu pai era o filho mais velho do príncipe francês Luís, Duque de Némours e da princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry, uma prima da rainha Vitória. Seu avô materno D. Pedro II era filho do imperador e rei Pedro I do Brasil & IV de Portugal, e da aquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria. Enquanto seu avô paterno o Duque de Némours era filho do rei Luís Filipe I de França e da princesa Maria Amélia de Nápoles e Sicília.
Muito cedo revelou interesse pelas letras que, ao se tornar adulto, faria-o dedicar-se a escrever diversas obras que mais tarde publicou relatando suas experiências de viagens: Dans les Alpes, Tour d´Afrique, Onde quatro impérios se encontram, Sob o Cruzeiro do Sul. Destacado entres os irmãos como o mais estudioso, sua educação incluía escrita, leitura, história, geografia, ciências naturais, desenho, aritmética, álgebra e linguística, em português, francês, e alemão. Luís, de natureza irrequieta, a necessidade e ação que, nos anos juvenis, o impelia a esportes impulsionou-o, na maturidade, à ação política. Não sendo a toa que no auge da campanha abolicionista, ele e seus irmãos publicavam um jornal abolicionista no Palácio de Petrópolis.
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, a família imperial se viu numa situação financeira muito complicada, que piorou com a recusa de Dom Pedro II de cinco mil contos de ajuda de custo oferecidos pelos governo republicano. Após passarem por Portugal e Espanha, Resolveram fixar-se nos arredores de Versalhes em 1890, quando Luís tinha treze anos.
Em 1907 Luís planejou um projeto ambicioso que seria desafiar o decreto de banimento da família imperial, viajando para o Rio de Janeiro. Sua chegada tendo sido noticiada em alguns jornais, o episódio alcançou grande repercussão entre monarquistas, colocando os descendentes da família imperial no centro das atenções e muitos monarquistas vieram recebê-lo. No entanto, Luís foi impedido de desembarcar, e não lhe foi permitido pisar sua terra natal pelo governo republicano. Do navio, ele enviou um telegrama à sua mãe, dizendo: "Impedido de desembarcar pelo governo, saúdo, da baía da Guanabara, na véspera do 13 de Maio, a redentora dos cativos." Algum tempo depois, relatou as experiências dessa viagem em "Sob o Cruzeiro do Sul", publicado em 1913.
Depois de um longo périplo pela Argentina, Chile e Peru, Luís voltou à França, ao encontro dos pais e irmãos.
Em 1903, quanto tinha 25 anos, começou a pensar em casamento e, então, passou a visitar os parentes, entre os quais os "Caserta", como eram conhecidos os Bourbon-Sicília. A família Caserta era numerosa, o casal tinha tido doze filhos, oito meninos e quatro meninas, das quais a princesa Maria Pia era a terceira. Inteligente e bonita, com cabelos negros de azeviche e seus olhos azuis pervinca, tinha a mesma idade de Luís. Logo eles ficaram noivos. Entretanto, eles deveriam passar por uma prova de paciência. O irmão mais velho de Luís, Pedro, então herdeiro da Princesa Isabel, tinha, por sua vez, conhecido a jovem condessa Elisabeth de Dobrzenicz. Na época, as regras das casas reais eram restritivas e formais. O herdeiro de um trono só podia casar-se com uma princesa de sangue real. Sua mãe, Dona Isabel, se opôs inicialmente a esse casamento, e pediu junto ao marido, para que o filho aceitasse um espera de cinco anos de reflexão antes de tomar sua decisão.
Em 1908, após os cinco anos de reflexão, Pedro ficará ainda fiel a sua escolhida, e então, renunciou a seus direitos e sua posição como herdeiro de sua mãe em 30 de outubro, oque fez de Luís o novo herdeiro.
Nessa altura, o Conde d'Eu, pai de Luís, tenta rever seus direitos sucessórios franceses, perdidos quando de seu casamento com a Princesa Isabel em 1964. O Conde d’Eu tinha um desejo em deixar uma descendência principesca puramente francesa, e como seu filho mais velho havia renunciado, não haveria problema em que a sucessão francesa viesse a cair na Casa Imperial do Brasil. Um acordo foi firmado em 1909, e ficou conhecido como Declaração de Bruxelas, onde foi reconhecido o pertencimento dos descendestes do Conde d’Eu como membros de um ramo da Casa Real Francesa, assim como o título de Príncipes de Orleães e Bragança para sua descendência.
Luís casou-se com a princesa Maria Pia das Duas Sicílias em 4 de novembro de 1908, na Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Cannes; e seu irmão Pedro, casou-se, em 14 de novembro, com a condessa Elisabeth de Dobrzenicz, na igreja de Versalhes, após renunciar a seus eventuais direitos ao trono do Brasil.
Do matrimônio de Luís com Maria Pia nasceram três filhos: Pedro Henrique (1909-1981); Luís Gastão (1911-1931), que faleceu jovem e sem deixar herdeiros, e Pia Maria (1913-2000), futura Condessa René de Nicolay.
A princesa Isabel não tardou a manifestar sua opinião quanto aos netos, escrevendo em 1914 uma carta dizendo: "envio-lhe uma fotografia minha com meus netos do Luís. Pedro Henrique cada vez se desenvolve mais e é criança inteligentíssima. Os avós têm um amor especial pelos queridos netinhos".
Com a renúncia do irmão, e a ascensão de Luís como novo herdeiro de sua mãe, ele pôde finalmente colaborar efetivamente com o movimento monarquista brasileiro, assumindo claramente sua posição como pretendente ao trono (após sua mãe) e buscando assumir a liderança da campanha restauradora. Seu esforço para reverter todo o mal causado pela inércia da família imperial quanto à causa monárquica foi de grande valia, e em 1909 apresentou um manifesto político aos monarquistas brasileiros que tinha por objetivo retomar a campanha que estava estagnada havia anos. Seu intentou logrou sucesso, pois conseguiu reunir correligionários em diversos estados do Brasil. Algumas das cartas de Luís revelam seus planos de restauração, como a escrita para Martim Francisco de Andrada III: