Luísa Ulrica (em alemão: Luise Ulrike; sueco: Lovisa Ulrika; Berlim, 24 de julho de 1720 – Färingsö, 16 de julho de 1782) foi a esposa do Rei Adolfo Frederico e Rainha Consorte da Suécia de 1751 até 1771. Nascida uma princesa prussiana, era filha do rei Frederico Guilherme I e de Sofia Doroteia de Hanôver.
Como rainha, Luísa Ulrica foi uma figura politicamente ativa e controversa, empenhada em restaurar a monarquia absoluta na Suécia e em reduzir o poder do Parlamento da Suécia, recorrendo a alianças partidárias, intrigas cortesãs e sucessivas tentativas de golpe de Estado, especialmente em 1748, 1751 e 1756. Embora não tenha conseguido impor seu projeto autoritário durante o reinado do marido, exerceu influência relevante na política externa, com destaque para sua atuação nas negociações de paz com a Prússia durante a Guerra dos Sete Anos, e teve papel marcante como mecenas da cultura e da ciência, apoiando artistas, intelectuais e instituições acadêmicas. Seu ideal político concretizou-se indiretamente em 1772, quando seu filho, Gustavo III, reinstaurou a monarquia absoluta. Ela morreu em 1782, aos 61 anos.
Luísa Ulrica nasceu em Berlim, filha do rei Frederico Guilherme I da Prússia e de sua esposa Sofia Doroteia de Hanôver e, portanto, irmã mais nova de Frederico, o Grande. Recebeu o nome sueco Ulrica em homenagem à rainha Ulrica Leonor da Suécia, que foi sua madrinha. Ela mantinha correspondência com a rainha, e, embora Ulrica Leonor não tivesse filhos, havia especulações sobre a possibilidade de Luísa Ulrica se casar com algum herdeiro sueco no futuro.
Luísa Ulrica foi descrita como bela, inteligente, de temperamento forte e vontade determinada. Recebeu uma educação avançada, baseada nos princípios do Iluminismo francês, sob a orientação da governanta Marthe de Roucoulle e do preceptor Maturin Veyssière la Croze, ambos huguenotes franceses. Seus interesses intelectuais não eram restringidos por seu pai, que, embora desaprovasse a busca pelo conhecimento por parte de seus filhos homens, apoiava a educação de Luísa Ulrica, considerada, segundo registros, sua filha favorita. Ela mantinha um relacionamento relativamente bom com seu irmão mais velho, o futuro Frederico, o Grande, compartilhando com ele o interesse pela ciência e pela cultura. Entre seus irmãos, tinha especial apreço pelo irmão mais novo, o príncipe Augusto Guilherme, e pela irmã, a princesa Sofia Doroteia.
A partir de 1732, diversos casamentos dinásticos foram considerados para Luísa Ulrica, incluindo Frederico, Príncipe de Gales, Carlos III da Espanha e Luís de Hesse-Darmstadt, mas nenhum deles se concretizou.
Em 1743, foi realizada uma eleição para designar um herdeiro ao trono sueco, uma vez que Frederico I da Suécia, viúvo da falecida rainha Ulrica Leonor, não tinha filhos. O Cardeal Fleury, regente de facto da França, sugeriu um casamento entre Luísa Ulrica e o candidato francês Cristiano IV, Conde Palatino de Zweibrücken. Esses planos foram interrompidos quando Cristiano perdeu a eleição para o candidato russo, Adolfo Frederico de Holsácia-Gottorp. Posteriormente, ao negociarem um casamento para o recém-eleito príncipe herdeiro, Adolfo Frederico, a primeira candidata considerada foi a princesa Luísa da Dinamarca. Esses planos, entretanto, foram revogados em função da decisão de estabelecer uma tríplice aliança entre Suécia, Rússia e Prússia por meio de casamentos dinásticos.
Segundo esse acordo, o herdeiro do trono sueco deveria casar-se com um membro da casa real prussiana, enquanto o herdeiro do trono russo se casaria com Sofia de Anhalt-Zerbst, a futura imperatriz Catarina II da Rússia, escolhida pela Prússia. Nesse contexto, Luísa Ulrica ou sua irmã, a princesa Ana Amália, seriam as candidatas ao casamento com o herdeiro sueco. O enviado sueco em Berlim, Carl Rudenschöld, inspecionou ambas e recomendou que a proposta fosse feita a Luísa Ulrica. O próprio Frederico, o Grande, contudo, preferia Ana Amália para o casamento sueco, descrevendo-a aos representantes suecos como bondosa e mais adequada para a Suécia. Já Luísa Ulrica seria, segundo ele, arrogante, temperamental e uma intrigante conspiradora. Supõe-se que o julgamento de Frederico tenha se baseado no fato de que Ana Amália seria mais fácil de controlar como agente prussiana na Suécia, enquanto Luísa Ulrica, determinada e dominante, representaria um desafio maior à influência prussiana.
Em 17 de julho de 1744, Luísa Ulrica e Adolfo Frederico casaram-se por procuração em Berlim, tendo como representante do noivo ausente o irmão predileto da noiva, Augusto Guilherme. Luísa Ulrica foi escoltada de Berlim até a Pomerânia Sueca pelo enviado sueco, conde Carl Gustaf Tessin, por sua esposa, Ulla Tessin, e pela sobrinha desta, Charlotta Sparre, que foi nomeada sua dama de honra. Na Pomerânia Sueca, a comitiva foi recebida pelo Governador-Geral sueco da província e pela corte da falecida rainha, sob a liderança de sua Camareira-Mor, a condessa Hedvig Elisabet Strömfelt. Nessa ocasião, Luísa Ulrica manteve apenas sua dama de companhia, Wilhelmine von der Knesebeck, e alguns criados de sua comitiva prussiana.
A comitiva partiu da ilha de Rügen e chegou à Suécia pela cidade de Karlskrona, onde Luísa Ulrica foi oficialmente recebida por seu esposo, o príncipe herdeiro Adolfo Frederico da Suécia. Em 18 de agosto de 1744, o casal foi recebido pelo rei Frederico I no Palácio de Drottningholm, local em que, no mesmo dia, realizou-se a segunda cerimônia de casamento, seguida de um baile, uma recepção na corte e da consumação da união. Relata-se que Luísa Ulrica e Adolfo Frederico causaram uma impressão mutuamente favorável em seu primeiro encontro, sendo sua relação pessoal descrita como harmoniosa e feliz. Adolfo Frederico é caracterizado como introvertido, gentil e submisso. Segundo os relatos, Luísa Ulrica ficou satisfeita com o esposo por ter imediatamente percebido que ocupava uma posição de superioridade em relação a ele. Já no primeiro dia de convivência, ela o informou de que seu irmão, Frederico, o Grande, tinha planos para uma aliança entre Suécia, Rússia e Prússia, solicitando-lhe que abordasse o tema com o enviado prussiano, ao que ele prontamente concordou.
Desde o momento de sua chegada à Suécia, Luísa Ulrica passou a envolver-se ativamente em assuntos políticos. Seu ideal político era a monarquia absoluta, e ela demonstrou aversão à monarquia constitucional sueca assim que lhe foi apresentada. Também manifestava descontentamento com o sistema de justiça vigente. Em determinada ocasião, ao sentir-se ameaçada por uma suposta conspiração, escreveu: As leis são tão estranhas, e não se ousa prender alguém por mera suspeita sem provas, o que beneficia mais o indivíduo do que o Reino. Essa visão revela sua concepção autoritária do exercício do poder. Luísa Ulrica respeitava a habilidade política de Carl Gustaf Tessin e o identificava como um aliado fundamental em seu objetivo de fortalecer a autoridade real. No Natal de 1744, ela o visitou e presenteou-o com uma lanterna em forma da deusa romana Diana, com a inscrição: Concebida unicamente para esclarecer o sistema político vigente, gesto carregado de simbolismo político.
Em seu círculo cortesão, Luísa Ulrica cercou-se majoritariamente de simpatizantes do Partido dos Chapéus (em sueco: Hattpartiet). Sua favorita, Henrika Juliana von Liewen, era uma destacada partidária desse grupo, assim como Claes Ekeblad, Hans Henrik von Liewen, Anders Johan von Höpken e outros membros de seu círculo íntimo. Por meio dessas conexões na corte, estabeleceu uma aliança estratégica com os Chapéus. Sua principal estratégia consistia em influenciar as votações do Parlamento da Suécia por meio de subornos. Após o nascimento de seu filho mais velho, um menino natimorto, em 1745, acompanhou o Príncipe Herdeiro em uma viagem oficial pelo país, durante a qual recrutou agentes entre os membros do Partido dos Chapéus mediante incentivos financeiros. Em uma visita do parlamentar Kalsenius, também pertencente aos Chapéus, Luísa Ulrica teria afirmado: O maior vilão do mundo, mas não sairei daqui até suborná-lo. Esse é o único meio pelo qual se pode alcançar o objetivo desejado. Registra-se que Kalsenius passou a votar de acordo com os interesses de Luísa Ulrica nas deliberações do parlamento. Seu objetivo final era derrubar a constituição vigente e restaurar na Suécia uma monarquia absoluta esclarecida. Tais intenções tornaram-se conhecidas internacionalmente com a criação da Ordem da Harmonia, cujo lema enfatizava a unidade. Os planos de Luísa Ulrica encontraram oposição da Rússia e da Grã-Bretanha, que, em 1746, aliadas ao Partido dos Chapéus, tentaram promover um golpe de Estado por meio de seus agentes na Suécia, direcionado contra a casa real.