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Luchino Visconti

Cineasta

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Luchino Visconti di Modrone, Conde de Lonate Pozzolo (2 de novembro de 1906 – 17 de março de 1976) foi um cineasta, diretor de teatro e ópera e roteirista italiano. Foi um dos pais do neorrealismo cinematográfico, mas posteriormente migrou para epopeias suntuosas e grandiosas que tratavam de temas como beleza, decadência, morte e história europeia, especialmente a decadência da nobreza e da burguesia. O crítico Jonathan Jones escreveu que "ninguém fez tanto para moldar o cinema italiano quanto Luchino Visconti".

Nascido numa milanesa família nobre com fortes laços com o mundo artístico, Visconti iniciou sua carreira na França como assistente de direção de Jean Renoir. Sua estreia na direção em 1943, Ossessione, foi condenada pelo regime Fascista por suas representações francas de personagens da classe trabalhadora, mas hoje é reconhecida como uma obra pioneira do cinema italiano, geralmente considerada o primeiro filme neorrealista. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele serviu na resistência antifascista e, posteriormente, foi ativo na política de esquerda.

Os filmes mais conhecidos de Visconti incluem Senso (1954) e O Leopardo (1963), que são melodramas históricos adaptados de clássicos da literatura italiana, o drama cru Rocco e Seus Irmãos (1960) e sua "Trilogia Alemã" – Os Malditos (1969), Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1973). Ele também foi um conceituado diretor de óperas e peças de teatro, tanto na Itália quanto no exterior, e manteve uma estreita associação com La Scala em sua cidade natal, Milão.

Visconti receveu várias premiações notáveis, incluindo a Palma de Ouro (por *O Leopardo*) e o Leão de Ouro (por *Sandra*, de 1965), este último entre cinco indicações no total. Venceu o David di Donatello de Melhor Diretor duas vezes e o Nastro d'Argento de Melhor Diretor quatro vezes, e foi indicado ao Oscar e ao BAFTA. Seis de seus filmes constam na lista de 100 filmes italianos para serem salvos. Muitas de suas obras são consideradas altamente influentes para futuras gerações de cineastas, incluindo Francis Ford Coppola e Martin Scorsese.

Luchino Visconti nasceu numa proeminente família nobre em Milão, um dos sete filhos de Giuseppe Visconti di Modrone, Duque de Grazzano Visconti e Conde de Lonate Pozzolo, e de sua esposa Carla (née Erba, herdeira da Erba Pharmaceuticals). Era formalmente conhecido como Conde don Luchino Visconti di Modrone, e sua família é um ramo dos Visconti de Milão, que governaram de 1277 a 1447, inicialmente como senhores, depois como duques.

Cresceu na sede da família em Milão, o *Palazzo Visconti di Modrone* na Via Cerva, bem como na propriedade da família, o *Castelo Grazzano Visconti* perto de Vigolzone. Foi batizado e criado na Igreja Católica Romana. Após seus pais se separarem no início da década de 1920, sua mãe mudou-se com os filhos mais novos, incluindo ele, para sua própria casa em Milão, assim como para sua residência de verão, a Villa Erba em Cernobbio, no Lago de Como. O pai, como camareiro do Rei Vítor Emanuel III da Itália, também possuía uma villa em Roma que Luchino posteriormente herdou e onde viveu por décadas.

Em seus primeiros anos, foi exposto à arte, música e teatro: o *Palazzo Visconti di Modrone* em Milão, onde cresceu, possuía seu próprio pequeno teatro privado e as crianças participavam de suas performances. A família também tinha um camarote próprio na casa de ópera La Scala. Luchino estudou violoncelo com o violoncelista e compositor italiano Lorenzo de Paolis (1890–1965) e conheceu o compositor Giacomo Puccini, o regente Arturo Toscanini e o escritor Gabriele D'Annunzio. Visconti descobriu a literatura lendo *Em Busca do Tempo Perdido*, de Proust, posteriormente um projeto de filme para a vida toda que nunca realizou. Antes de iniciar sua carreira no cinema, era apaixonado por treinar cavalos de corrida em seu próprio haras. Foi noivo da Princesa Irma de Windisch-Graetz, mas isso levantou preocupações de seu pai, o Príncipe Hugo, e Visconti rompeu o noivado em 1935.

Atividade na resistência durante a guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, Visconti juntou-se ao Partido Comunista Italiano, que considerava ser o único opositor efetivo do Fascismo italiano. Embora em seus primeiros anos tivesse ficado impressionado com aspectos estéticos dos desfiles solenes do Partido Nacional Fascista, como marchar em colunas de botas e uniforme, agora passara a odiar o regime de Mussolini. Acusou a burguesia de traição à tirania e, seguindo a Proclamação de Badoglio, começou a trabalhar com a resistência italiana. Apoiou a luta partidária dos comunistas com risco de morte; sua villa em Roma tornou-se um local de encontro para artistas da oposição.

Após a fuga do rei no outono de 1943 e a intervenção dos alemães, ele se escondeu nas montanhas, em Settefrati, sob o *nome de guerra* *Alfredo Guidi*. Visconti ajudou prisioneiros de guerra ingleses e americanos a se esconderem após escaparem e também abrigou partisans em sua casa em Roma, com a ajuda da atriz María Denis.

Após a ocupação alemã de Roma em abril de 1944, Visconti foi preso e detido pelo antipartisan Pietro Koch e sentenciado à execução por pelotão de fuzilamento. Ele foi salvo da morte apenas pela intervenção de última hora de Denis. Após a guerra, Visconti testemunhou contra Koch, que foi condenado e executado.

Iniciou sua carreira cinematográfica como cenógrafo em Uma Partida no Campo (1936) de Jean Renoir, através da intercessão de sua amiga em comum Coco Chanel. Após uma curta turnê pelos Estados Unidos, onde visitou Hollywood, retornou à Itália para ser assistente de Renoir novamente, desta vez para Tosca (1941), uma produção que foi interrompida e posteriormente finalizada pelo diretor alemão Karl Koch.

Juntamente com outros membros da revista de cinema milanesa *Cinema* – Gianni Puccini, Antonio Pietrangeli e Giuseppe De Santis – Visconti escreveu o roteiro de seu primeiro filme como diretor: Ossessione (Obsessão, 1943), um dos primeiros exemplos de filmes neorrealistas (envolvendo locações reais e pessoas comuns) e uma adaptação não oficial do romance O Carteiro Sempre Bate Duas Vezes. A estreia de *Ossessione* ocorreu em um festival de cinema organizado por Vittorio Mussolini (filho de Benito), que era o árbitro nacional para cinema e outras artes, e o editor de Cinema. Embora antes da estreia sua relação de trabalho fosse positiva, ao ver o filme, Vittório saiu da sala exclamando: "Isso não é a Itália!", de acordo com o relato do colaborador do grupo *Cinema* Aldo Scagnetti. O filme foi subsequentemente suprimido pelo regime fascista, a ponto de a primeira exibição pública do filme em Roma só ocorrer em maio de 1945.

Em 1948, escreveu e dirigiu A Terra Treme, baseado no romance I Malavoglia de Giovanni Verga. Visconti continuou trabalhando ao longo da década de 1950, mas afastou-se do caminho neorrealista com seu filme de 1954, Senso, filmado em cores. Baseado na novela de Camillo Boito, é ambientado em Veneza ocupada pelos austríacos em 1866. Neste filme, Visconti combina realismo e romantismo como uma forma de se afastar do neorrealismo. No entanto, como observa um biógrafo, "Visconti sem neorrealismo é como Lang sem expressionismo e Eisenstein sem formalismo". Ele descreve o filme como o "mais viscontiano" de todos os filmes de Visconti. Visconti retornou ao neorrealismo mais uma vez com Rocco e Seus Irmãos (1960), a história de italianos do sul que migram para Milão esperando encontrar estabilidade financeira. Em 1961, foi membro do júri do 2º Festival Internacional de Cinema de Moscou.

Afastando-se do neo-realismo, Visconti criou uma linguagem visual inconfundível em seus filmes a partir da década de 1960. Graças à sua combinação única de origens aristocráticas e de classe alta, convicções políticas comunistas e brilhante análise social, ele criou obras-primas da história do cinema em O Leopardo (1963), Os Malditos (1969), Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972). Ao longo da década de 1960, os filmes de Visconti tornaram-se mais pessoais. Il Gattopardo (O Leopardo, 1963) é baseado no romance homônimo de Lampedusa sobre o declínio da aristocracia siciliana na época do Risorgimento, onde a mudança dos tempos se torna visível em dois dos personagens principais: Don Fabrizio Corbera, Príncipe de Salina (Burt Lancaster) aparece patriarcal, mas humano, enquanto Don Calogero Sedara (Paolo Stoppa), um astuto empresário e *arrivista* social da vila, aparece submisso, mas astuto e brutal ao mesmo tempo, um tipo mafioso do futuro. A tensão surge do casamento de seus parentes da próxima geração, combinado com a queda do antigo domínio bourbônico e a ascensão de uma Itália unida. Este filme foi distribuído na América e na Grã-Bretanha pela Twentieth Century Fox, que cortou cenas importantes. Visconti repudiou a versão da Twentieth Century Fox.

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