Luigi Galvani (Bolonha, 9 de setembro de 1737 — Bolonha, 4 de dezembro de 1798) foi um médico, investigador, físico e filósofo italiano. Fez uma das primeiras incursões do estudo de bioeletricidade, um campo que ainda hoje estuda os padrões elétricos e sinais do sistema nervoso. Foi professor de anatomia da Universidade de Bolonha, cidade onde viveu e morreu.
Luigi Galvani nasceu em 9 de setembro de 1737 em Bolonha filho de Domenico Galvani e Barbara Foschi, jovem senhora de boa família bolonhesa. Galvani e o seu irmão mais velho, Francesco, tiveram uma infância serena e rica, de que tem-se pouca notícia, em uma casa da rua hoje denominada rua Guglielmo Marconi, em Bolonha.
Trabalhando com registro de costumes, primeiramente estudou Letras e Filosofia na Universidade. Graduou-se em Filosofia e Medicina em 1759. Frequentava as aulas expositivas de Gaetano Tacconi em Filosofia e Cirurgia, de Domenico Maria Gusmano Galezzi em anatomia, e as de Jacopo Batolomeo Beccari e Giuseppe Monti em química e história natural. Em 1762, casou com Lucia Galeazzi, filha de seu professor, que se tornou parceira afetiva e preciosa colaboradora por toda a vida.
Um papel fundamental na educação do jovem Giovani foi atribuído à educação recebida dos Padres Filippinos do oratório de São Filippo Neri. A ordem se inspira no ideal do "catolicismo iluminado", promovido por Ludovico Antonio Muratori e importado a Bologna por Prospero Lorenzo Lambertini (bispo da cidade e, a partir de 1740, papa com o nome de Bento XIV). O ordem dedica-se a incentivar iniciativas voltadas à melhoria da vida dos cidadãos mediante o retorno a uma religiosidade mais racional e menos supersticiosa (falava-se, a este propósito, de "devoção regulada"). Provavelmente Giovani foi aluno também de Giambattista Roberti, um padre jesuíta professora de Filosofia e de Sagradas Escrituras, o qual, embora pertencente a outra ordem religiosa, compartilhava a moderação religiosa dos padres filipinos.
Já nas suas primeiras experiências estudantis apareceu a sua orientação de vida: ele permaneceu sempre um convicto defensor dos valores cristãos sobre os quais baseava-se sua educação, mas teve grande influência de algumas ideias iluministas, como a importância fundamental atribuída ao método experimental na pesquisa sobre a natureza e a ideia que o saber devesse ter como fim a utilidade à sociedade. É emblemática, a tal propósito, a decisão, muito posterior, de não jurar fidelidade à República Cisalpina, instaurada na península Itálica por Napoleão Bonaparte, como era requisitado a todos os funcionários públicos, incluídos os docentes universitários: escolha alinhada comum livreto lançado naqueles anos no qual o autor, de formação filipina, afirmava a incompatibilidade entre a fé católica e os ordenamentos políticos napoleônicos.
A família de Galvani seguia a linha do "catolicismo iluminado" de Ludovico Antonio Muratori, de forma que alguns creditam aos ideais muratorianos a escolha, não usual para os filhos da classe mercantil, de inscrever o irmão Giovani na universidade. Enquanto Francesco Giovani foi encaminhado ao estudo do direito canônico, para depois empreender com sucesso a carreira de advogado, Luigi Galvani inscreveu-se na Faculdade de Medicina e Filosofia.
Apesar do tio Giuseppe Galvani, irmão de Domenico, tivesse vestido o hábito eclesiástico, Giovani preferiu outro caminho porque, segundo os ideais filipinos e muratorianos, o clero secular não apenas estava necessitado de profundas reformas, mas também era decididamente muito numeroso.
Galvani começou a frequentar a Escola de Medicina da Universidade de Bolonha em 1754, laureando-se cinco anos depois. Naqueles anos, o professor e mestre da Faculdade de Medicina era Bartolomeo Beccari, aluno de Marcello Malpighi. Giovani ficou profundamente impressionado com o método de ensino de Beccari, que, além da medicina tradicional, propunha aos seus estudantes a descoberta de princípios científicos mais recentes (como o estudo malpighiano das glândulas), e insistia na importância da atribuição às partes sólidas do organismo em contraste com a teoria do humor de Hipócrates. Decisiva na sua formação universitária foi também a influência de Domenico Gusmano Galeazzi, professor de Física Médica do instituto e futuro sogro de Galvani, que, enquanto em aula ensinava os fundamentos para o conhecimento da ciência médica, convidava à sua casa os seus estudantes para a dissecação anatômica (prática seguida depois pelo próprio Galvani. Muito provavelmente foi na própria saleta de Galeazzi que Galvani desenvolveu a paixão pelo conhecimento direto dos fenômenos naturais e a convicção que o corpo humano pudesse ser manipulado. Oportuna instrução do jovem Galvani: Giovanni Antonio Galli, professor de obstetrícia, a quem ele sucederia em 1782.
Estas três pessoas (Beccari, Galeazzi e Galli) tiveram uma influência decisiva na formação universitária de Galvani e representam perfeitamente a figura do intelectual receptivo nas discussões científicas surgidas entre o século XVII e o século XVIII, e, ao mesmo tempo, fortemente baseado na tradição médica.
Galvani e o Estudo da Eletricidade Através de Movimentos Musculares
A eletricidade é um dos campos que mais fascinou os estudiosos ao longo da história da ciência, embora o seu desenvolvimento sistemático tenha ocorrido no século XVII.
No período entre 1780 e 1790, Galvani sustenta que há uma forma intrínseca de eletricidade envolvida na condução nervosa e na contração muscular, e então passa a estudar sobre a interação da eletricidade em animais através de sucessivas experiências, a fim de entender as reações dos membros posteriores de rãs ao lhe aplicarem eletricidade, que nessa época, só dispunha de eletricidade estática.
A escolha por envolver sapos nas investigações do movimento muscular não foi isenta e aleatória. As características desse anfíbio tornavam a escolha extremamente adequada: seus nervos são facilmente localizáveis e separados - o que facilitava o estudo ao abrir as rãs; suas contrações musculares são evidentes e suas contrações não acabam logo após a morte, mas duram até 44 horas – tempo conveniente para os estudos de Galvani e constado por ele.
Por volta de 1786, Galvani realizou uma experiência pendurando por um gancho de latão as pernas de uma rã em um corrimão do lado de fora do laboratório, a fim de utilizar descargas elétricas fortes, no caso, de uma tempestade. Mas Galvani, de forma errônea, atribuiu o fato das patas da rã contraírem à eletricidade do animal, e não aos metais em contato com as pernas da rã. O que de fato Galvani fez sem saber, foi produzir corrente elétrica, o princípio do funcionamento de uma pilha elétrica.
O médico, físico e filósofo, com a publicação dos resultados das experiências em sua obra intitulada Comentários sobre a força elétrica nos movimentos musculares divulgada em 1791, incentiva Alessandro Volta, o italiano químico, físico e professor da Universidade de Pavia, a pesquisar tal fenômeno, o que o fez chegar na verdadeira explicação, levando-o à construção da chamada Pilha de Volta ou Pilha Voltaica.
A descoberta de Galvani e a construção da Pilha Voltaica marcaram a evolução dos estudos sobre eletricidade e magnetismo, conhecidos até então. A partir disso, o estudo de casos produzidos por corrente elétrica passou a ser chamado de Galvanismo.
Depois de ter frequentado a universidade e o instituto de ciências em Bolonha, Galvani começou a atuar nos hospitais da cidade para aprender a prática médica. Naquele período, em Bolonha havia nove hospitais: entre os principais, aquele de Santa Maria da Vida e de Santa Maria da Morte, San Giobbe, São Lázaro e Policlínico Santa Úrsula Malpighi. Galvani frequentou o de Santa Maria da Morte, onde fez solicitação para tornar-se assistente, privilégio concedido somente aos melhores estudantes de medicina que haviam terminado o curso de estudos mas ainda não haviam se graduado. Assim seu pedido foi recusado, mas alguns anos depois (1764) lhe foi concedido de tornar-se substituto de seu mestre, Giovanni Antonio Galli, que operava no Santa Úrsula.