Neste Dia

Luis Arce

Economista e político boliviano, presidente da Bolívia (2020–2025)

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Luis Alberto Arce Catacora (La Paz, 28 de setembro de 1963) também conhecido por Lucho, é um banqueiro, economista e político boliviano que serviu como o 67.º presidente da Bolívia de 2020 até 2025. Membro do Movimento para o Socialismo, foi anteriormente ministro das Finanças (mais tarde ministro da Economia e das Finanças Públicas) de 2006 a 2017 e em 2019.

Nascido em La Paz, Arce formou-se como economista na Universidade de Warwick. A sua carreira ao longo da vida na contabilidade do Banco Central da Bolívia levou o Presidente Evo Morales a nomeá-lo Ministro das Finanças em 2006. Durante mais de dez anos atuou como ministro, sendo o mais antigo de Morales, Arce foi aclamado como o arquiteto por detrás da transformação econômica da Bolívia, supervisionando a nacionalização da indústria de hidrocarbonetos do país, o rápido crescimento do PIB e a redução da pobreza. O seu mandato a frente do Ministério da Economia e das Finanças Públicas só terminou com o diagnóstico de um câncer nos rins, que o obrigou a abandonar o cargo para procurar tratamento prolongado no exterior. Após a sua recuperação, Arce foi reconduzido no cargo em janeiro de 2019, mas demitiu-se do cargo no mesmo ano, no meio da agitação social que o país enfrentou em outubro e novembro, culminando com a destituição de Morales como presidente pouco depois, devido a alegações de fraude eleitoral. Durante o governo interino de Jeanine Áñez, Arce procurou asilo no México e na Argentina, onde Morales, que havia sido impedido de concorrer novamente, o indicou como candidato presidencial do Movimento para o Socialismo nas eleições marcadas para 2020. Ao longo da campanha, Arce caracterizou-se como uma força moderadora, um defensor dos ideais socialistas do seu partido, mas não subserviente ao seu líder, Morales. Numa vitória substancial, Arce obteve cinquenta e cinco por cento do voto popular.

Com a posse em 8 de novembro de 2020, a presidência de Arce fez com que a Bolívia voltasse a alinhar-se, a nível interno e internacional, com a sua posição tradicional durante o governo de Morales e a afastar-se da guinada à direita que o governo de Áñez tinha adotado. No plano interno, o primeiro ano de mandato de Arce foi marcado por êxitos na luta contra a pandemia de COVID-19, graças à aquisição de vacinas junto de fontes russas e chinesas. O seu governo liderou um apelo internacional para que a indústria farmacêutica renunciasse às patentes de vacinas e medicamentos, a fim de permitir um maior acesso a estes produtos por parte dos países de baixos rendimentos. Embora tenha conseguido estabilizar a economia face à crise sanitária, a capacidade de Arce para conduzir o seu crescimento foi prejudicada por uma população hesitante em vacinar, o que prolongou as ramificações econômicas da pandemia. Um dos maiores desafios da administração de Arce foi a necessidade urgente de uma reforma judicial no país, que ele se comprometeu a resolver, mas que foi forçado a adiar em várias ocasiões.

Luís Alberto Arce Cataroca nasceu em 28 de setembro de 1963 na cidade de La Paz. Filho de Carlos Arce Gonzales e Olga Cataroca, ambos professores. Arce cresceu numa família de classe média, iniciando seus estudos em 1968 e se formando no ensino médio em 1980. Estudou no Instituto de Formação Bancária de La Paz, formando-se inicialmente como contabilista em 1984. Em 1991, obteve a licenciatura em economia pela Universidade Superior de San Andrés, antes de completar os seus estudos no exterior na Universidade de Warwick em Coventry, Reino Unido, onde se licenciou em 1997 com um mestrado em economia. Possui também doutorado honoris causa pela Universidade dos Andes (UNANDES) e pela Universidade Privada Franz Tamayo (UNIFRANZ) na Bolívia.

Arce passou a maior parte da sua vida como funcionário público, começando em 1987 no Banco Central da Bolívia, onde passou grande parte da sua carreira profissional. De 1992 a 2005, trabalhou na Direção de Operações Internacionais do Banco Central da Bolívia como Diretor Adjunto de Reservas. Arce também começou a trabalhar no meio acadêmico como professor de graduação e pós-graduação em várias universidades públicas e privadas bolivianas. Deu palestras em universidades na Europa, América do Norte e América do Sul, incluindo a Universidade de Columbia em Nova Iorque, a Universidade de Buenos Aires e a Universidade de Harvard.

Em 23 de janeiro de 2006, o Presidente Evo Morales nomeou Arce Ministro das Finanças. Três anos mais tarde, assumiu o comando do novo Ministério da Economia e Finanças Públicas. Alguns meios de comunicação bolivianos chamaram a Arce de o "arquiteto do ressurgimento econômico da Bolívia". Durante sua gestão a frente do Ministério da Economia e Finanças Públicas, supervisionou a nacionalização das empresas de hidrocarbonetos, telecomunicações e minas, bem como a criação do BancoSur. Supervisionou a rápida expansão da economia boliviana, com um aumento de 344% no PIB e uma redução dos índices de pobreza extrema de 38% para 15%

Em 2011, a revista American Economy Magazine classificou Arce como o 8º melhor ministro da economia da região, entre outros 18.

Como ministro da economia, Arce manteve um perfil relativamente discreto. Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina na Chatham House e fundador do Americas Quarterly, chamou Arce de “um dos poucos tecnocratas no MAS”. "Os meios de comunicação social bolivianos atribuem frequentemente a Arce o mérito de ter conduzido o país durante um período de crescimento econômico. As suas políticas foram importantes na redução da taxa de pobreza da Bolívia durante os seus mandatos e facilitaram um grande crescimento económico em resultado do aumento das exportações de gás.

Em 24 de junho de 2017, Arce foi forçado a deixar o seu cargo e viajar para o Brasil para se submeter a uma cirurgia para tratar um câncer grave nos rins, onde permaneceu durante um período de recuperação obrigatório, antes de regressar ao seu cargo de ministro da Economia em 23 de janeiro de 2019.

No final de 2019, a Bolívia foi tomada por uma série de manifestações, marchas e protestos cada vez mais intensos, desencadeados por alegações de fraude eleitoral nas eleições presidenciais daquele ano. Durante esse período de instabilidade política, Arce foi forçado a anunciar a suspensão, por parte do governo, de vários benefícios sociais em algumas regiões, incluindo pensões de aposentados e vales escolares, devido às greves e bloqueios em curso, bem como à ocupação de escritórios nacionais de impostos e alfândegas. Após catorze dias de paralisações, Arce estimou que os prejuízos econômicos da crise estavam custando ao governo 12 milhões de dólares por dia, totalizando 167 milhões de dólares até 6 de novembro.

Em 10 de novembro, quatro dias depois, Arce apresentou sua demissão irrevogável ao Presidente, justificando que o “trabalho irresponsável do Órgão Eleitoral Plurinacional” o obrigava a demitir-se para “pacificar o país”. O então presidente Evo Morales também comunicou sua própria renúncia horas depois.

Pouco depois de se demitir, Arce procurou refúgio na Embaixada do México em La Paz, onde lhe foi concedido asilo pelo Governo mexicano. Dado o seu histórico clínico, o governo interino de Jeanine Áñez concedeu-lhe, juntamente com a sua mulher, um salvo-conduto para abandonar o país. No entanto, Arce denunciou ter sido perseguido pela polícia quando tentava embarcar no seu voo no aeroporto internacional de El Alto. Em 6 de dezembro, após uma breve escala em Lima, Arce chegou ao México, onde se juntou a outras autoridades exiladas, incluindo Morales.

Duas semanas após a destituição de Morales, o governo de transição convocou eleições gerais antecipadas. A legislação impedia os indivíduos eleitos nas duas últimas legislaturas constitucionais de apresentarem as suas candidaturas, uma cláusula que impedia explicitamente o retorno de Morales à presidência. Consequentemente, o MAS foi encarregado de escolher um novo candidato presidencial de entre as suas fileiras, um processo que teve lugar na Argentina. Em 19 de janeiro de 2020, a maioria dos mais de cinquenta delegados do partido elegeu Arce como candidato presidencial do MAS a partir de uma lista de quatro pré-candidatos. Entre os segundos classificados, o antigo ministro das relações exteriores David Choquehuanca que foi escolhido como companheiro de chapa de Arce. Morales garantiu que a “combinação entre colegas da cidade e colegas do campo [dará] continuidade a este processo de mudança”.

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