Luis Gálvez Rodríguez de Arias (San Fernando, 26 de janeiro de 1864 – Madrid, 1935) foi um advogado e aventureiro espanhol que em 1899 proclamou a República do Acre, que governou sem nenhum reconhecimento internacional entre 14 de julho de 1899 e 1 de janeiro de 1900 pela primeira vez, e entre 30 de janeiro e 15 de março de 1900, pela segunda e última vez.
Gálvez era filho de José Gálvez Álvarez, auditor da Marinha da Espanha, e da aristocrata Juana Rodríguez de Arias y Fernández de Villavicencio. Seu avô materno foi José Rodríguez de Arias, importante marinheiro e militar espanhol, 21.º capitão-geral da Real Armada. Entre seus tios maternos, um era o senador José Ignacio Rodríguez de Arias e outro, Rafael Rodríguez de Arias, ministro da Marinha.
Sua família transfere-se para Madrid pouco depois da Revolução de 1868.
Estudou Direito na capital espanhola, onde frequentava os círculos aristocráticos e sua vida noturna.
Ingressa em 1884, por concurso, no Banco da Espanha, tendo sido enviado à sucursal de São Sebastião no País Basco. Em 1890, é expulso da instituição por assinar cheques sem fundos, emitidos para saldar uma dívida de jogo. Julgado e condenado, a dívida é paga por seu pai, mas a vergonha obriga Luis Gálvez a emigrar.
Aquele erro juvenil será uma mácula para toda a vida. Reabilitar-se perante sua família e perante a história será para ele uma obsessão. Um objetivo que está na origem da aventura que mais tarde empreenderia no Acre.
Luis Gálvez chega à cidade de Buenos Aires, onde passa a trabalhar como corretor da bolsa local. Envolvido em duelos motivados por romances, resolver mudar-se para o Rio de Janeiro, onde administra um negócio de frontões de pelota basca. Torna-se figura conhecida na vida social local.
Em 1898, parte para Manaus, iniciando sua aventura amazônica. Lá, graças à sua habilidade social, torna-se taquígrafo do Congresso do Amazonas (atual assembleia legislativa), depois administrador do influente jornal Commercio do Amazonas. Também gerenciou um restaurante-cabaré frequentado pelos círculos mais boêmios da cidade.
Logo depois de o governo boliviano celebrar um acordo de comércio e exportação de borracha, através de um Contrato de Arrendamento com um sindicato de capitalistas estrangeiro, o Bolivian Syndicate, presidido pelo filho do então presidente dos Estados Unidos, Gálvez recebe uma cópia do documento para ser traduzido para o inglês do funcionário do Consulado boliviano em Belém.
Leva então o assunto ao conhecimento do governador Ramalho Júnior e revela seu intento de promover a independência do Acre. O governador apoia a ideia clandestinamente, fornecendo recursos financeiros, armas, munições, provisões, um navio especialmente fretado e equipado com um canhão e uma guarnição de vinte homens.
Lidera então uma rebelião no Acre, com seringueiros e veteranos da guerra de Cuba, no dia 14 de julho de 1899, propositadamente a data do aniversário de cento e dez anos da Queda da Bastilha. Fundou a República Independente do Acre, justificando que “não podendo ser brasileiros, os seringueiros acreanos não aceitavam tornar-se bolivianos”. Implantou o governo do país, que os Estados Unidos classificaram como um país da borracha.
Chamado Imperador do Acre, assumiu o cargo provisório de presidente, instituiu as Armas da República, a atual bandeira, organizou ministérios, criou escolas, hospitais, um exército, corpo de bombeiros, exerceu funções de juiz, emitiu selos postais e idealizou um país moderno para aquela época, com preocupações sociais, de meio ambiente e urbanísticas. Também baixou decretos e envia despachos a todos os países da Europa, além de designar representantes diplomáticos.
Um golpe de Estado em seu governo com apenas seis meses de existência o retirou do cargo, sendo substituído pelo seringalista cearense Antônio de Sousa Braga, que um mês depois devolveu o poder a Gálvez.
O Tratado de Ayacucho, assinado em 1867 entre o Brasil e a Bolívia, reconhecia o Acre como possessão boliviana. Por isso, o Brasil despachou uma expedição militar composta por quatro navios de guerra e um outro conduzindo tropas de infantaria para prender Luis Gálvez, destituir a República do Acre e devolver a região aos domínios da Bolívia. No dia 11 de março de 1900, Luis Gálvez rendeu-se à força-tarefa da marinha de guerra do Brasil, na sede do seringal Caquetá, às margens do rio Acre, para depois ser exilado em Recife, Pernambuco. Mais tarde foi deportado para a Europa.
Em 1902, voltou à América do Sul, desembarcando em Buenos Aires, na Argentina, onde foi retratado e entrevistado pela revista Caras y Caretas, que informou em artigo que ele havia regressado ao país natal para se recuperar do beribéri que teve durante a aventura no Acre.
Gálvez ainda retornou ao Brasil, anos depois, mas o governo do Amazonas o prendeu e o recambiou para o Forte de São Joaquim do Rio Branco, hoje estado de Roraima, de onde fugiria tempos depois. Morreu na Espanha só e pobre em 1935.
Existe um rio com seu nome no Acre.
Na entrada da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (ALEAC) há uma estátua de Gálvez e atrás dele a bandeira do Estado Independente do Acre. Nela, está escrito “Se a Pátria não nos quer, criamos outra! Viva o Estado Independente do Acre!”, frase que foi dita por Gálvez no dia 14 de julho de 1899, durante a declaração da República do Acre perante a população que ali habitava. A frase virou um bordão e, até hoje - mais de um século depois de dita por Gálvez - a maioria dos acrianos não a conhece perfeitamente[carece de fontes?].