Marina Zatz de Camargo (São Paulo, 19 de setembro de 1978), mais conhecida pelo nome artístico Luisa Mell, é uma ativista dos direitos dos animais, apresentadora e escritora brasileira filiada ao Podemos (PODE). Tornou-se conhecida pelo resgate e proteção de animais, sobretudo cães, com o qual ganhou a alcunha de "cachorreira".
Marina, de família e religião judaicas, adotou o nome Luísa em homenagem à avó, morta num acidente automobilístico quando a modelo ainda era adolescente. O acidente fez o pai, José Alfredo, ficar deprimido, o que se resolveu com ajuda de um cachorro, que a família então adotou, motivo pelo qual a apresentadora diz ter grande ligação com esses animais. Sua mãe é Sandra Zatz. O nome Mell foi adotado por costumar vender pão de mel quando criança. No entanto, Luisa é vegana.
Em 2001 se torna repórter do Noite Afora. Em 2002 estreou seu próprio programa às sextas-feiras, o Black Brasil, que era destinado à música negra brasileira. No mesmo ano também estreia no comando do Late Show, aos domingos, programa sobre animais de estimação, promovendo resgate de bichos sob maus tratos, campanhas de adoção, levando cães e gatos abandonados aos veterinários, além de tirar duvidas sobre os animais de estimação e trazendo novidades deste universo. Também foi apresentadora principal do programa TV Fama. Com o encerramento do Black Brasil, no final de 2002, passou a apresentar também o TV Fama, onde ficou até 2006.
Em 2005 foi ofendida ao vivo por Clodovil Hernandez, contratado da mesma emissora, quando este declarou em seu programa A Casa É Sua que Luisa terminaria seus dias como atriz pornográfica, assim como Rita Cadillac. A ofensa rendeu a demissão do estilista. Em 2007 foi madrinha de bateria da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi, que trazia enredo versando sobre o aquecimento global. No mesmo ano estrelou o musical Cinderela, adaptado por José Wilker e com direção de Eduardo Martini. Em 2008 foi madrinha de bateria de escola de samba novamente, mas desta vez na Imperador do Ipiranga, que trazia enredo em apoio às causas ecológicas defendidas por Luisa. No mesmo ano estreou os espetáculos Nunca Se Sábado e Mãos ao Alto, São Paulo.
Em 6 de agosto de 2008 o Late Show foi cancelado e Luisa demitida sem prévio aviso, uma vez que a apresentadora Daniela Albuquerque havia se casado com seu ex-namorado, dono da RedeTV!, e pediu a demissão da ex. Na época Luisa declarou ter se sentido humilhada por ter recebido sua demissão pelo telefone, avisada que não poderia mais retornar à emissora e que eles enviariam seus pertences pessoais. Em 2009, ao chegar em um evento, os repórteres do Pânico na TV ficaram constrangidos por não poderem entrevistá-la, uma vez que ela estava proibida de aparecer nos programas da RedeTV!. No mesmo ano protagonizou o seriado Amorais, no Canal Brasil, como a trambiqueira Carina, sendo dirigida por Fernando Ceylão.
Em 2010 passou a apresentar o programa Comunidade dos Bichos, na Rádio Bandeirantes, além de se tornar colunista pelos direitos dos animais no website da mesma, onde ficou em ambos por três anos. O contrato, restrito somente à rádio, permitiu-a fazer outros trabalhos na televisão, sendo que em 2011 entrou para o elenco da fase final da telenovela Araguaia como Cris. No mesmo ano assinou contrato com a TV Gazeta para apresentar um programa, o Estação Pet.
Em 12 de abril de 2018 Luisa Mell foi confirmada como nova apresentadora na Rede Bandeirantes, onde deve estar à frente de um novo programa voltado aos animais.
Entre outubro e dezembro de 2018 Luisa protagonizou uma série de oito vídeos, produzida por uma parceria entre UOL e Facebook, intitulada Livre Acesso, que mostrou os bastidores do trabalho de Luisa como ativista pelos direitos dos animais.
Luisa é formada em direito e teatro. De família judia europeia, começou a frequentar a cabala depois de seu encontro com Madonna. Entre 2002 e 2005 namorou o empresário Amilcare Dallevo Jr., sócio da RedeTV!. Em 29 de junho de 2009 se envolveu num acidente automobilístico ao voltar do Teatro Folha onde participara do espetáculo Nunca Se Sábado, quando, ao fazer uma conversão, teria induzido um motociclista a bater num poste para se desviar do carro. O piloto sofreu ferimentos leves, enquanto a passageira, Bruna da Silva Viana, então com 17 anos, ficou em estado de coma por mais de 30 dias. Em 2010 começou a namorar o engenheiro Gilberto Zaborowsky, com quem veio a se casar em 26 de novembro de 2011. Em 15 de fevereiro de 2015 nasceu seu primeiro filho, Enzo Zatz Zaborowsky.
Em 2021, Luisa anunciou seu divórcio de Gilberto Zaborowsky, alegando traição e violência psicológica por parte do marido. Ao mesmo tempo, a ativista afirmou ter sofrido violência hospitalar por intermédio de Zaborowsky, que autorizou uma cirurgia plástica sem o consentimento de Luisa.
Em outubro de 2013, dezenas de ativistas, incluindo Luisa Mell, invadiram o laboratório do Instituto Royal, na cidade de São Roque, no estado de São Paulo e roubaram 178 cães da raça Beagle, sete coelhos e mais de 200 camundongos e destruíram arquivos de pesquisa. O Instituto teria recebido R$ 5,3 milhões da União para a criação, manejo e fornecimento de roedores e cães para serem utilizados em "toxicologia pré-clínica para avaliação de seguranças e periculosidade de novas moléculas candidatas a uso terapêutico", contando ainda com outro laboratório, em Porto Alegre, dentro do Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os invasores destruíram materiais de estudos relacionados a remédios contra o câncer, diabetes, hipertensão e epilepsia, prejudicando a pesquisa científica. Uma promissora pesquisa de imunoterapia contra o câncer, da USP, foi interrompida.
Desde o fato, o sistema de pesquisa e desenvolvimento de fármacos no Brasil não conseguiu preencher a lacuna deixada com o fechamento do Instituto Royal, pois o laboratório era o único no país qualificado a fazer uma série de ensaios pré-clínicos com animais, exigidos pelos órgãos internacionais para teste de vacinas e medicamentos. Com isso, cientistas brasileiros que necessitam desenvolver pesquisas nessa área ou são obrigados a realizar os testes fora do país ou abandonar seus projetos de pesquisa. Apesar da condenação de um dos envolvidos, que não participou das invasões, a insegurança jurídica causada pelo episódio desestimula qualquer investimento na área, como a construção de biotérios para pesquisa do vírus da zica pois os inquéritos de depredação, invasão de propriedade privada, furto ainda continuam em investigação.
Dois anos após a invasão do Instituto Royal, o G1 reportou que um dos beagles roubados vivia na rua, nas proximidades de onde era o laboratório. Segundo moradores, o animal apareceu logo após a invasão, possivelmente por medo da investigação policial, e tinha sarna e passava fome.
Luisa Mell foi acusada de ter roubado uma cadela polonesa da raça Borzoi chamada Pia. O cão, mascote pessoal do filho de Gabriela Bueno, teria sido resgatado por Luisa Mell em ação conjunta com a força policial no canil de buldogues de Gabriela após alegações de criação irregular, exercício ilegal da profissão veterinária e tráfico de drogas. A apreensão foi feita no chão de maus-tratos, em razão de que os buldogues foram encontrados com problemas de pele, problema endêmico à raça. Os buldogues também foram encontrados rodeados de fezes, mas críticos alegam que isso seria normal por serem fezes noturnas, dado que o resgate se passou durante a madrugada. Dos 143 cães encontrados pela polícia, 18 vieram posteriormente a óbito.
Segundo Luisa Mell, Pia, que originalmente não fazia parte da operação, foi encontrada magra, em um quarto escuro e sem janelas. Ossos aparentes são característicos da raça da cadela. A cadela teria sido colocada sob os cuidados do Instituto Caramelo, organização voluntária fundada por Luisa Mell. A veterinária do Instituto, Marina Passadore, foi posteriormente acusada de ter falsificado o atestado de óbito de Pia e doado a cadela para a família Malzoni, colaboradores pessoais do Instituto Caramelo, sob o nome Antonieta.