Luiz Antônio Fleury Filho GOMM (São José do Rio Preto, 30 de março de 1949 – São Paulo, 15 de novembro de 2022) foi um professor, promotor de justiça e político brasileiro. Por São Paulo, foi Governador, Deputado Federal durante dois mandatos e Secretário Estadual de Segurança Pública no Governo Quércia.
Seu governo como governador (1991-1995) foi marcado por realizações em infraestrutura e programas sociais, mas também por graves controvérsias, incluindo o Massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 presos, e o endividamento do estado, que chegou a 19,7 bilhões de dólares ao final de seu mandato.
Formou-se em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, em 1972, passando a atuar como professor universitário e promotor de justiça, já em 1973. Foi professor de Direito Penal na mesma FMU e também em cursinhos especializados.
Participou do movimento das Diretas Já em São Paulo e exerceu atividades no Ministério Público até 1987. Chegou a ser presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, por três mandatos sucessivos, e da Associação Paulista do Ministério Público. Atuou junto à Assembleia Constituinte representando o Ministério Público. Em 1987, passou a ocupar o cargo de Secretário de Segurança Pública do governo Orestes Quércia.
Em julho de 2020 foi submetido a um transplante de fígado devido a cirrose causada por esteatose hepática.
Apesar de compartilhar o sobrenome Fleury com o delegado Sérgio Fleury, não havia qualquer relação de parentesco entre ambos.
Fleury também foi conselheiro vitalício do Sport Club Corinthians Paulista.
Em 1990, sob a legenda do PMDB, Fleury foi eleito governador na primeira eleição em dois turnos para o governo de São Paulo, derrotando Paulo Maluf no segundo turno.
Infraestrutura e obras públicas
Em sua gestão, deu continuidade a obras públicas iniciadas no governo anterior, com destaque para a Hidrovia Tietê - Paraná, que viabilizou a navegação até o sul de Goiás a partir do sistema de eclusas da Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava e do Canal Pereira Barreto. Construiu o complexo de aproveitamento múltiplo Mogi Guaçu e deu prosseguimento ao complexo de Canoas.
Iniciou o Projeto Tietê, conjunto de iniciativas para despoluição do Rio Tietê na Região Metropolitana de São Paulo. O governo estadual, por meio da Sabesp, negociou empréstimo junto a organismos internacionais, principalmente o banco japonês JBIC, mas a liberação dos recursos ocorreu apenas no governo seguinte, de Mário Covas.
Buscou melhorias no transporte ferroviário metropolitano, negociando com o presidente Itamar Franco a transferência da administração da CBTU para o governo estadual. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos foi criada em 1994, com participação do então Secretário dos Transportes Metropolitanos Aloysio Nunes Ferreira, incorporando posteriormente a FEPASA.
Entre as obras entregues ao final do mandato está a Rodovia Carvalho Pinto.
O governo implementou programa habitacional que resultou na construção de 250 mil moradias, com investimento da ordem de US$ 1 bilhão. As Campanhas de Vacinação alcançaram índice de cobertura de 97,1% e o trabalho de imunização contra a poliomielite resultou em prêmio da Fundação Meriéux de Paris ao Estado de São Paulo.
Na educação, criou o projeto das "escolas-padrão", que em quatro anos transformou 2.225 escolas de uma rede de 6,7 mil, concedendo-lhes autonomia pedagógica e financeira. Uma caixa de custeio, formada por recursos estatais e doações da comunidade e empresas, permitia a aquisição de mobiliário e equipamentos, manutenção do prédio, reforço da merenda e contratação de serviços.
Em 1992, Fleury Filho foi admitido pelo presidente Collor à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.
Durante seu governo, enfrentou instabilidade econômica com três moedas diferentes, dois Presidentes da República, oito Ministros da Fazenda, diversos planos econômicos e o impeachment de Fernando Collor.
Endividamento e obras paralisadas