Neste Dia

Luiz Inácio Lula da Silva

35.º e 39.º presidente do Brasil (2003–2011; 2023–presente)

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Luiz Inácio Lula da Silva (nascido Luiz Inácio da Silva; Garanhuns, 27 de outubro de 1945), conhecido mononimamente como Lula, é um ex-metalúrgico, ex-sindicalista e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). É o 39.º presidente do Brasil desde 2023, havendo sido também o 35.º a ocupar o cargo, entre 2003 e 2011.

De origem pobre, migrou ainda criança de Pernambuco para São Paulo com sua família. Foi metalúrgico e sindicalista, época em que recebeu a alcunha "Lula", forma hipocorística de "Luís". Durante a ditadura militar, liderou grandes greves de operários no ABC Paulista e ajudou a fundar o PT em 1980, durante o processo de abertura política. Lula foi uma das principais lideranças do movimento Diretas Já, no período da redemocratização, quando iniciou sua carreira política. Elegeu-se em 1986 deputado federal pelo estado de São Paulo com votação recorde. Em 1989 concorreu pela primeira vez à presidência da República, perdendo no segundo turno para Fernando Collor de Mello. Foi candidato a presidente por outras duas vezes, em 1994 e em 1998, perdendo ambas as eleições no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso. Venceu a eleição presidencial de 2002, derrotando José Serra no segundo turno. Na eleição de 2006, foi reeleito ao superar Geraldo Alckmin no segundo turno.

O governo Lula teve como marco a consolidação de programas sociais como o Bolsa Família e o Fome Zero, ambos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas como iniciativas que possibilitaram a saída do país do mapa da fome. Durante seus dois mandatos, empreendeu reformas e mudanças radicais que produziram transformações sociais e econômicas no Brasil, que acumulou substanciais reservas internacionais, triplicou seu PIB per capita e alcançou o grau de investimento. Os índices de pobreza, desigualdade, analfabetismo, desemprego, mortalidade infantil e trabalho infantil caíram significativamente, enquanto o salário mínimo e a renda média do trabalhador tiveram ganhos reais e o acesso à escola, à universidade e ao atendimento de saúde se expandiram. Na política externa, desempenhou um papel de destaque, incluindo atividades relacionadas ao programa nuclear do Irã, ao aquecimento global, ao Mercosul e aos BRICS. Lula foi considerado um dos políticos mais populares da história do Brasil e, enquanto presidente, foi um dos mais populares do mundo. Foi sucedido no cargo pela chefe da Casa Civil no seu governo, Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014.

Após a presidência, Lula manteve-se ativo no cenário político e passou a ministrar palestras no Brasil e no exterior. Candidatou-se à presidência nas eleições de 2018, mas teve a sua candidatura indeferida por ser condenado à prisão no âmbito da Operação Lava Jato, em um julgamento controverso. Em 2019, foi liberto com base em decisão do Supremo Tribunal Federal, que anulou paulatinamente suas condenações. Com seus direitos políticos restituídos, candidatou-se à presidência pela sexta vez nas eleições de 2022 e, ao vencer Jair Bolsonaro no segundo turno, tornou-se a primeira pessoa a derrotar um presidente brasileiro candidato à reeleição e o primeiro a ser eleito pela terceira vez. No início do mandato, houve uma tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro, que foi malsucedida.

Primeiros anos, trabalho e vida sindical

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945 na localidade de Caetés, em Garanhuns, interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como Dona Lindu, um casal de lavradores iletrados que vivenciaram a fome e a miséria na zona mais pobre de Pernambuco. Faltando poucos dias para sua mãe dar à luz, Aristides decidiu tentar a vida como estivador em Santos, levando consigo Valdomira Ferreira de Góis, a "Mocinha", uma prima de Dona Lindu, com quem formaria uma segunda família. Quando viajaram, Mocinha já estava grávida. Aristides e Valdomira tiveram dez filhos juntos. Nos primeiros anos, Aristides enviava dinheiro a Dona Lindu.

A casa em que Lula nasceu era uma meia-água construída com estuque, sendo que seu chão era de terra. Possuía um quarto e uma sala. Não havia banheiro, de modo que os banhos ocorriam em açudes que se localizavam de seis a oito quilômetros de distância. Os filhos dormiam juntos em redes. Havia dificuldade em acessar água potável; a água que a família bebia era transportada de açudes ou de barreiros, precisando ser coada diante da quantidade de sujeira.

Em dezembro de 1952, Dona Lindu migrou para o litoral do estado de São Paulo com seus filhos para se reencontrar com Aristides. Ela acreditava que seu marido havia feito esse pedido, quando na verdade foi seu filho Jaime, que já morava com o pai, quem escreveu dizendo que esse era o desejo de Aristides. Após treze dias de viagem em um "pau-de-arara", chegaram a Guarujá, onde tiveram que dividir a convivência de Aristides com sua segunda família; ele já os havia visitado no Nordeste em 1950, quando inclusive apresentou seus novos filhos para sua primeira família.

A convivência difícil com Aristides, que era obsessivamente controlador, violento e arbitrário, levou Dona Lindu a sair de casa com os filhos, morando inicialmente em um barraco próximo de Aristides e, em 1955, se mudando para a Vila Carioca, um bairro de São Paulo. Lula e seu irmão José Ferreira de Melo — o Frei Chico — moraram algum tempo ainda com o pai, com sua segunda família, mudando-se para a capital em 1956. Após a separação, Lula quase não se reencontrou mais com seu pai, que morreu em 1978 e foi enterrado como indigente. Lula e seus irmãos só souberam da morte de Aristides vários dias após o enterro.

Durante o período em que as duas famílias de seu pai conviveram, Lula foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias, apesar da falta de incentivo do pai, analfabeto, que entendia que seus filhos não deveriam ir à escola, mas apenas trabalhar. Ainda quando morava no Guarujá, aos oito anos, trabalhou como vendedor no cais. Tinha que ir ao mangue para retirar lenha, marisco e caranguejo, além de buscar água e trabalhar eventualmente como vendedor nas ruas.

Aos doze anos, já em São Paulo, começou a trabalhar como entregador de roupas de uma tinturaria a fim de contribuir na renda familiar. Durante o mesmo período também trabalhou como engraxate e auxiliar de escritório. Em 1960, conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada, como office-boy nos Armazéns Gerais Colúmbia. Após, passou a trabalhar como aprendiz de torneiro mecânico na metalúrgica Parafusos Marte. Em 1961, foi aprovado em um curso de tornearia mecânica que era mantido por um convênio entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Parafusos Marte. Nos próximos dois anos, trabalhava por meio período na Parafusos Marte e no outro meio período estudava no SENAI. Em 1963, recebeu seu diploma de meio-oficial de torneiro-mecânico no SENAI.

Posteriormente, refletindo sobre o impacto de sua formação como torneiro mecânico, Lula afirmou: "O SENAI foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Por quê? Porque aí, eu fui o primeiro filho da minha mãe a ter uma profissão, eu fui o primeiro filho da minha mãe a ganhar mais que o salário mínimo, eu fui o primeiro a ter uma casa, eu fui o primeiro a ter um carro, eu fui o primeiro a ter uma televisão, eu fui o primeiro a ter uma geladeira. Tudo por conta dessa profissão, de torneiro mecânico, por causa do SENAI".

Na Parafusos Marte, Lula participou de movimentos grevistas pela primeira vez. Quando sua reivindicação por aumento salarial não logrou êxito, deixou a Parafusos Marte pela Metalúrgica Independência. Foi ali que, em 1964, esmagou seu dedo em um torno mecânico, tendo que esperar horas até que o dono da fábrica chegasse e o levasse ao médico, que optou por cortar o resto do dedo mínimo da mão esquerda. Nos meses iniciais, sentia muita vergonha da mutilação, buscando esconder a mão no bolso.

De 1964 a 1965, trabalhou na Fris-moldu-car como meio oficial torneiro. Após não ir trabalhar em um sábado, foi demitido. No ano de 1965, ficou muito tempo desempregado, assim como seus irmãos, época em que passaram por privações, sobrevivendo de trabalhos eventuais, os chamados "bicos". Em 1966, foi admitido nas Indústrias Villares, uma grande empresa metalúrgica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Lula ali trabalhou como torneiro mecânico, recebendo um salário muito mais alto que o dos seus empregos anteriores. Igualmente, as Indústrias Villares era maior e mais organizada se comparada com as metalúrgicas em que havia trabalhado. Lula se manteve ligado à empresa até 1980.

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