Neste Dia

Mário Covas

Político brasileiro (1930–2001)

Anúncio

Mário Covas Júnior, GCM • GCIH • GOMM; (Santos, 21 de abril de 1930 – São Paulo, 6 de março de 2001) foi um engenheiro civil e político brasileiro filiado ao PSDB. Foi o 55.º Governador de São Paulo, entre 1 de janeiro de 1995 e 22 de janeiro de 2001, quando se afastou do cargo em decorrência de um câncer que o acometeu. Como Mário Covas não renunciou ao seu mandato, ele manteve a sua condição de Governador afastado até o seu falecimento, em 6 de março de 2001. Nesse ínterim, Geraldo Alckmin governou o estado na condição de Governador Interino.

Nascido em Santos, Mário Covas era filho de Mário Covas Pérez e Arminda Carneiro Neto. Pelo lado paterno, era neto do galego Jesus Covas Pérez, de Pontevedra, e da portuguesa Ana Francisca Rodrigues Estaca. Pelo lado materno, era neto do português Manuel Carneiro Neto e de Rosalina Marques, filha de portugueses.

Aos catorze anos, mostrou seu interesse pela política, quando disse que queria ser técnico de futebol do time municipal e prefeito da cidade de Santos. Cursou o primeiro grau no Colégio Santista e o segundo grau no Colégio Bandeirantes, de São Paulo. Ainda em Santos, aos 16 anos, conheceu Florinda Gomes durante uma partida de basquete, com quem se casou em 1947 e se tornou a sua grande companheira. Nesta época, interessava-se por política e esportes, dedicando-se especialmente ao tênis e ao futebol, sendo um torcedor fanático do Santos Futebol Clube.

Em 1947 ingressou na Escola Técnica Bandeirantes, na capital paulista, para cursar química industrial. No terceiro ano do curso, prestou vestibular para engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), na qual graduou-se, e onde foi colega de Paulo Maluf, que viria a ser o seu maior adversário político. Na USP, o jovem Covas iniciou sua militância política, sendo eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes em 1955. Formado, trabalhou como engenheiro da prefeitura de Santos até 1962.

Teve três filhos: Mário Covas Neto, que seguiu a carreira política do pai (antes foi piloto da Stock Car Brasil); Silvia que morreu num acidente de moto e Renata Covas Lopes, que teve dois filhos: Gustavo Covas Lopes, e Bruno Covas Lopes, ex-prefeito de São Paulo. Como seu avô, morreu no exercício do cargo, também vitimado por câncer.

Deputado durante o regime militar

Iniciou sua vida pública em 1961, quando foi candidato derrotado à prefeitura de Santos, sua cidade natal. A respeito disso, Covas dizia que só não conseguiu ser eleito para dois cargos: Presidente da República e Prefeito de Santos. No ano seguinte conseguiu eleger-se para seu primeiro cargo, o de deputado federal, pelo PST. Com a dissolução do pluripartidarismo em 1965, Covas seria um dos fundadores do MDB, único partido político de oposição existente durante o período da ditadura militar.

Em 1968, Covas era o líder da bancada oposicionista na Câmara dos Deputados, porém foi cassado em 16 de janeiro de 1969, com a outorga do AI-5. Ele ficou durante dez anos com os direitos políticos suspensos. Com a cassação e perda dos direitos políticos, Covas dedicou-se à engenharia.

O retorno, prefeito de São Paulo e o mais votado senador na constituinte

Em 1979, reconquistados os direitos políticos, Covas retomou a luta contra a ditadura militar, tornando-se presidente do MDB. Foi reeleito deputado federal em 1982 pelo PMDB (sucessor do MDB), com um total de 300 mil votos. Com a posse do governador Franco Montoro em março de 1983, seria nomeado por ele Secretário de Estado dos Transportes. No entanto, apenas dois meses depois, com o apoio do próprio Franco Montoro, venceria o grupo de Orestes Quércia dentro do PMDB e foi nomeado para a prefeitura de São Paulo, que comandaria como "prefeito biônico" até o primeiro dia de 1986, quando passou o cargo para Jânio Quadros. Como prefeito de São Paulo, conduziu um amplo processo de asfaltamento de ruas, de melhoramentos na periferia da cidade e de recuperação dos órgãos e serviços públicos. Anteriormente à chegada do PMDB ao poder, os senadores e prefeitos nomeados eram chamados pejorativamente de "senadores biônicos" e "prefeitos biônicos", com a promulgação da Lei 4 737, de 15 de julho de 1965, que permitia que o governo militar os mantivesse nos cargos sem que fossem eleitos por sufrágio universal.

Em 1986, ano em que foi instituído pelo Presidente José Sarney o Plano Cruzado, considerado pela oposição um "estelionato eleitoral" por favorecer os candidatos da situação, Covas foi eleito senador com 7,7 milhões de votos, a maior votação de um candidato a cargo eletivo na história do Brasil até então, beneficiado também pela reputação conquistada como prefeito. Foi líder da bancada do PMDB no Senado durante a Assembleia que elaborou a Constituição de 1988. Durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, alinhou-se muitas vezes às bancadas de esquerda e fez oposição ao chamado Centrão.

Em 1987, o governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, propôs a Mário Covas a formação de uma chapa dentro do PMDB para a disputa das eleições presidenciais seguintes, na qual Covas seria o candidato e Collor, o vice. Mário Covas recusou o convite.

Em 1988, Covas foi um dos principais líderes da dissidência do PMDB: membros da legenda (incluindo o ex-governador Franco Montoro), insatisfeitos no diálogo político com o presidente José Sarney e com o então governador paulista Orestes Quércia, decidiram fundar um novo partido, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do qual Mário Covas foi o primeiro presidente. Como indicado no próprio nome da legenda, o PSDB surgiu com uma plataforma social-democrata, defensora da manutenção do capitalismo de maneira regulada, com respeito aos direitos trabalhistas e promoção de uma justa distribuição de renda. Em relação ao PMDB, o PSDB, quando de sua fundação, pretendia manter-se em uma posição mais à esquerda, autodefinindo-se como um partido de centro-esquerda. Nas eleições presidenciais de 1989, as primeiras desde 1960, Covas foi o candidato do PSDB tendo como vice Almir Gabriel, ficando em quarto lugar. No ano seguinte, foi candidato derrotado a governador de São Paulo, ficando em terceiro lugar.

Como senador, desde o início do mandato do presidente Fernando Collor de Mello (PRN), Mário Covas, que havia apoiado o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições de 1989, fez oposição à sua administração. A partir de 1991, com dificuldades em aprovar projetos de seu interesse no Congresso Nacional, Collor passou a direcionar esforços na busca da adesão do PSDB ao governo, acordo que passaria pela cessão de cargos dentro de seu ministério. Mário Covas foi uma das principais vozes do partido a condenar qualquer negociação com Collor e, com efeito, seria um dos impositores da recusa do PSDB, recusa proferida não sem conflitos internos em março de 1992. Com o surgimento das denúncias de Pedro Collor em maio, Covas e o PSDB colheriam os dividendos de sua escolha política. O senador inclusive seria um dos principais nomes da Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Congresso para investigar os negócios do presidente e que pediria o seu impeachment no relatório final aprovado em agosto. A Câmara Federal afastaria Collor em 29 de setembro e o presidente entregaria a sua carta-renúncia no início de seu julgamento pelo Senado em 29 de dezembro, a fim de evitar a cassação de seus direitos políticos por oito anos. A renúncia não seria aceita. O julgamento prosseguiu, com Mário Covas votando pela cassação, concretizada por ampla maioria.

Em 1994 Covas foi novamente candidato a governador de São Paulo e venceu Francisco Rossi (PDT) no segundo turno com oito milhões de votos, sendo depois reeleito em 1998 para mais um mandato de quatro anos.

No início de 1995, Mário Covas assumiu o governo do estado de São Paulo declarando haver herdado inúmeras dívidas das gestões anteriores, apontando obras paralisadas e aparelhamento político de órgãos públicos, o que ocasionaria irregularidades em suas administrações. O Banespa, principal banco estadual do país, estava sob intervenção do Banco Central por má gestão. Intervenção esta que depois de ter sido investigada em uma CPI na Câmara dos Deputados mostrou-se trágica para a instituição, aumentando em muito a dívida do banco com o estado.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium