Mário Rodrigues Breves Peixoto (Bruxelas, 25 de março de 1908 — Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1992) foi um cineasta, roteirista e escritor brasileiro nascido na Bélgica. É conhecido por ter dirigido, escrito, editado e produzido o filme Limite, considerado uma das mais importantes obras e a maior obra-prima do cinema brasileiro. Também é considerado um dos primeiros filmes experimentais produzidos na América Latina. Além disso, fez uma participação em uma das cenas do longa, como um homem sentado no cemitério. Como escritor, é autor de livros como O inútil de cada um e Outono - Jardim petrificado.
Durante o inicío da produção de Limite, Adhemar Gonzaga, fundador da Cinédia, foi convidado para dirigir o projeto. No entanto, acabou recusando e indicando Edgar Brasil para ser o cinegrafista e Ruy Costa como o assistente. Assim, Peixoto acabou dirigindo ele mesmo o filme. As filmagens ocorreram em Mangaratiba na Fazenda Santa Justina, pertencente a Victor de Souza Breves, parente de Peixoto. Após ser concluído, Limite foi apresentado pela primeira vez em 17 de maio de 1931, no Cinema Capitólio, localizado na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro. Porém, acabou recebendo pouca repercussão no circuito cinematográfico da época. Com o tempo, virou quase um mito, sendo descrito como um filme "mais comentado do que visto".
Peixoto, inicialmente, foi o diretor do filme Onde a Terra Acaba, porém, acabou se desentendendo com a produtora Cármen Santos, que o demitiu do projeto e o substituiu por Otávio Gabus Mendes. Olga Breno, que também participou de Limite, solidarizou-se com Peixoto e saiu do projeto. Onde a Terra Acaba só seria lançado em 1933, com a direção de Otávio Gabus Mendes.
Limite apenas começou a receber atenção por volta de 1959, quando sua cópia começou apresentar sinais de deterioração. Plinio Süssekind e Saulo Pereira de Mello foram quem iniciaram o trabalho de restauração, somente voltando a ser exibido em 1978. A restauração trouxe mais interesse pela obra. Em 1988, a Cinemateca Brasileira elegeu o filme como o "melhor filme brasileiro de todos os tempos". Em 1995, o jornal Folha de São Paulo também da esse título ao longa, de acordo com uma pesquisa nacional.
Em uma lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros, Limite ficou em primeiro lugar. A Fundação Mário Peixoto, entidade cultural localizada na cidade de Mangaratiba, comemorou a conquista do primeiro lugar.
Em 2002, Sérgio Machado lança o documentário Onde a Terra Acaba, mesmo título do segundo filme de Mário Peixoto que acabou incompleto. O documentário é uma homenagem a Peixoto, com depoimentos de diretores de cinema contemporâneo e pessoas que conheceram e conviveram com ele. O filme também apresenta muitas imagens de arquivo e trechos de filmes antigos, incluindo de Limite.
1931 - Limite - diretor, roteirista, editor e produtor. Também fez uma participação não creditada como ator
Mário Peixoto. O Inútil de Cada Um. Itamar. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Mário Peixoto. A Alma, Segundo Salustre; roteiro de Mário Peixoto. Rio de Janeiro: EMBRAFILME-DAC, 1983, p. 2.
Mário Peixoto. Limite. “Scenario” original. Rio de Janeiro: Sette Letras. 1996.
Mário Peixoto. O Inútil de Cada Um. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996 (reedição da versão de 1931, 153 p.).
Mário Peixoto. Mundéu. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996.
Mário Peixoto e Saulo Pereira de Mello. Outono – O Jardim Petrificado (scenario). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.
Mário Peixoto. Poemas de Permeio com o Mar. Rio de Janeiro: aeroplano, 2002.
Mário Peixoto. Seis Contos e Duas Peças Curtas. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004.
Saulo Pereira de Mello. Limite, fotogramas. Rio de Janeiro: FUNARTE.
Saulo Pereira de Mello. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
Saulo Pereira de Mello. Mário Peixoto. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1996.