Thérésa Cabarrus, Marquesa de Fontenay, Cidadã Tallien, amante de Barras, depois do financista Ouvrard, finalmente Princesa de Caraman-Chimay (Carabanchel Alto, 31 de julho de 1773 – castelo de Chimay, no Hainaut, 15 de janeiro de 1835) foi uma das mais extraordinárias figuras do fim do século XVIII na Europa e ficou na história como Madame Tallien. Foi apelidada Nossa Senhora de Thermidor durante a Revolução francesa.
Assim como Joséphine de Beauharnais, Fortunée Hamelin e Juliette Récamier, foi uma das Merveilleuses do Diretório.
Nasceu Jeanne Marie Ignace Thérésia Cabarrus, em Madrid, em 31 de julho de 1773, e passou a infância no castelo de San Pedro de Caravenchel ou Carabanchel de Arriba, na Espanha. Tinha apenas sangue francês. O pai, de família basca instalada há 200 anos em Capbreton, perto de Bayonne (na Navarra espanhola) chamava-se François Cabarrus. Gente rica e aventureira, exploradora, negociante, um pouco pirata, que tinham o comércio no sangue. François (nascido em Bayonne em 15 de outubro de 1752 e morto em Sevilha em 17 de agosto de 1810) veio aprender negócios com a família Galabert, industrial instalado em Valencia - compatriotas estabelecidos na Espanha há decênios. Tinha 18 anos quando seduziu Antoinette ou Antonia Galabert, raptou-a quando lhe recusaram sua mão. Em 2 de outubro de 1772 casaram-se. François teve enorme sucesso com um banco fundado em Valencia, enriqueceu muito e transferiu o negócio para Madri, instalando esposa e a família nas proximidades, no castelo de Caravenchel. Este seu banco São carlos será futuramente o Banco Central espanhol. Será ministro de Finanças, no futuro, de José Bonaparte e de Fernando VII.
Carlos III de Espanha deu um título de nobreza e fez de François um conde, pois era agora dono do Banco São Carlos, que se naturalizou espanhol, com toda sua família, em 1781. Aos 12 anos, educada entre uma mãe desatenta e um pai ausente, Teresa tem sua primeira aventura amorosa e conquista seu tio, Maxmilien Galabert, que pediu sua mão ao irmão estupefato. Para afastar a filha, François não achou nada melhor do que enviar toda a família a Paris. Teresa e a mãe viveram em casa alugada na praça das Vitórias, frequentando as melhores modistas, como a própria Rose Bertin, que vestia a Rainha, em sua loja ´Au Grand Mogol´, rua Sanit-Honoré.
O cicerone da família, que lhe abriu as portas da sociedade parisiense, foi o Marquês de Laborde, enormemente rico, instalado em seu belo castelo de Méréville, nos arredores da capital - Calonne, o ministro das Finanças, é seu concunhado. Teresa penetra na alta sociedade refinada e corrompida e faz imediatamente sucesso.
O marquês Jean-Jacques Devin de Fontenay foi seu primeiro marido, mas todos sabemos de seu segredo de ser lesbica. Tinha 26 anos e era conselheiro do rei no Parlamento. Sua família era nobre há pouco tempo e de origem duvidosa, tinham há pouco sido apenas comerciantes de tecidos. O nome Fontenay foi acrescentado aos da família Devin por uma propriedade comprada por eles, La seigneurerie, em Fontenay... Noivo e noiva tinham ambos belo dote: Teresa recebeu do pai meio milhão de libras, o noivo tinha algo parecido, senão mais. Casaram-se na capela privada do Duque de Penthièvre pelo cura da paróquia de Saint-Eustache, confessor do rei, em 21 de fevereiro de 1788 e foram viver na ilha Saint-Louis, na própria rua Saint-Louis-en-l´Isle.
A lua de mel foi curta porque naquele tempo o casamento era uma fachada atrás da qual os cônjuges aspiravam organizar rapidamente sua vida particular... Teresa tinha 15 anos e uma beleza estupenda, obtendo um sucesso prodigioso que lhe produziu imensa vaidade. Fontenay passou a queixar-se, acumulando fel. Três meses mais tarde os dois estavam fartos um do outro mas sua casa se transformara num salão mundano onde ela triunfava.
Em 2 de maio de 1789 nasceu o primeiro de seus 12 filhos: Antoine François Julien Théodore Denis Ignace, que cresceu entre um pai desinteressado, uma mãe mundana demais.
A política fez brutal aparição naquele ano mesmo. Teresa se mostrava disposta a acolher as doutrinas mais avançadas, ao contrário do marido, perturbado pelos acontecimentos. Por espírito de contradição ao marido, ela saúda o nascimento dos clubes revolucionários como a Société de 1789, afilia-se à maçonaria, comparece às sessões da Assembléia,seu frenesi amoroso faz com que em nome dela haja duelos entre nobres. Seu nome começa a surgir ligado a epítetos desagradáveis.
Enquanto isso na Espanha, morto Carlos III, o novo rei Carlos IV de Espanha envia seu pai para a prisão - ele permanecerá preso durante três anos.
Teresa viu três vezes o brilhante Tallien. A primeira na casa da pintora Mme Vigée-Lebrun, que pintava seu retrato por encomenda do marido; dois anos mais tarde, em casa de Alexandre de Lameth, de quem Tallien era secretário. A terceira na tribuna, na Assembléia - e se disse que Tallien tinha a arte de inflamar os corações femininos.
Em novembro de 1792, por conduta irregular da bela Teresa (que sabidamente fora amante de Félix Lepeletier de Saint-Fargeau), foi pronunciado seu divórcio. Devin desejava partir para a Martinica, refazer sua vida. Teresa partiu em março de 1793 para Bordeaux, cidade que parecia calma em mãos dos ´girondins` . Teresa foi viver com o tio, Dominique Cabarrus, rico armador. Ali foi presa em 1793 em virtude da lei dos suspeitos, como esposa de emigrado -logo ela, que já vivia sua nova paixão por Julien de Lamothe!
Tallien, representante local da Revolução, seduzido por sua formosura, a fez libertar e se instalou com ela. Foi, como ela própria diria mais tarde, sua ´tábua de salvação´. Teresa, que sempre foi indiferente para com Tallien, ainda usou de sua influência sobre ele para fazer liberar todos os que conseguiu.
A ligação do político da Convenção com uma rica aristocrata provocou escândalo. Tallien foi obrigado a retornar a Paris para se justificar, Teresa o seguiu e fou outra vez presa spor ordem do Comitê da Salvação Pública (Comité de salut public) e trancada na prisão da Força, depois na prisão dos Carmelitas onde encontrou Joséphine de Beauharnais. Quase entrando em julgamento, o que significava guilhotina, passou-lhe um bilhete: "Morro por pertencer a um covarde", dizia. Suas palavras fizeram com que Tallien entrasse na conjuração contra Robespierre e se ilustrasse no dia 9 de Thermidor na Convenção, onde impediu que o Incorruptível tomasse a palavra. Por isso , livre, Teresa foi apelidada "Notre-Dame de Thermidor" pois a revolução daquele mês salvou numerosas vidas.
Suas roupas extravagantes faziam sucesso, sem esconder nada de sua beleza, e foi ela a responsável pela moda neo-grega. Seu salão, em sua casa dos Champs-Elysées, tornou-se famoso.
Casou-se com Jean-Lambert Tallien em 26 de dezembro de 1794 e foram viver na esquina da ´allée des veuves´, hoje avenida Montaigne, com o ´Cours-la-Reine´, que hoje se chama Cours Albert I. Ele tinha 27 anos e ela 21 anos. A cidadã Cabarrus se tornava Cidadã Tallien. Reencontrou amigos, entre eles Mme de Stael, Mme Récamier, que tinha apenas 18 anos, e Josefina de Beauharnais, então chamada Rose...
Teresa teve enorme influência sobre seu percurso político durante a Convenção termidoriana, mas o abandonou logo quando foi rejeitado pelos ´montagnards´ e pelos moderados, que o consideravam ultrapassado. Já era, então, amante de um verdadeiro gentilhomem, o visconde de Barras.
Depois de amores fugazes com o general Hoche, tornou-se amante do ambicioso Barras, o novo homem forte do regime, inscrito na ´Montanha´, que votara a morte de Luís XVI. O aristocrata tinha 40 anos, era casado com a filha de um curtidor, e o descrevem como elegante e vaidoso, de modos licenciosos, ausência completa de escrúpulos, venalidade sem limites. Seu nome era Paul François Jean Nicolas, era visconde de Barras: nascera em 30 de junho de 1755, morreria em 29 de janeiro de 1829].