Mafra é um município brasileiro do planalto norte do estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 26º06'41" sul e a uma longitude 49º48'19" oeste, estando a uma altitude de 793 metros a 310 km da capital Florianópolis, a 105 km de Curitiba, capital do estado do Paraná e a 134 km de Joinville, maior cidade de Santa Catarina. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2020, era de 56 561 habitantes.
Suas principais atividades econômicas são a agropecuária e indústria, além de ser um importante entroncamento rodoferroviário na região. Possui uma área de 1.404,084 km², que representa aproximadamente 1,47% da área total do estado; é o 4.º maior município em extensão territorial de Santa Catarina (o 1.º é Lages, com 2.645 km², o 2.º é São Joaquim, com 1.888 km², e o 3.º é Campos Novos, com 1.850 km²). O clima é temperado, com temperatura média entre 15 °C e 25 °C.
Mafra é considerada cidade polo do planalto norte de Santa Catarina. Classificada pelo Atlas de Regiões de Influência das Cidades 2007, publicado em 2009 pelo IBGE, como um centro sub-regional B.
Mafra tem sua história unida à de Rio Negro, no Paraná, pois antes da mudança dos limites entre os dois estados, as duas cidades faziam parte de um único município. Até o século XVIII existiam na região índios botocudos. Tornou-se após caminho e parada para tropeiros, principalmente depois da abertura da Estrada da Mata. Desbravamento, colonização e costumes, são originais dos europeus. A partir de 1894, a questão dos limites com o estado do Paraná esteve em litígio, tendo sido feito acordo entre os estados, em 28 de outubro de 1916. Em 25 de agosto de 1917, depois de sentença do Supremo Tribunal Federal, o estado de Santa Catarina tomou posse do território contestado, então, restaurando o município e demarcando seus limites. A instalação deu-se a 8 de setembro do mesmo ano, ficando Mafra à margem esquerda do rio Negro. O nome do município é em homenagem ao jurista catarinense, Conselheiro Mafra, que defendeu Santa Catarina contra o Paraná. O extrativismo da erva mate e da madeira trouxe desenvolvimento para a região, que foi conseguindo autonomia econômica, até se tornar cidade em 1917, depois da Guerra do Contestado.
Neste período estava em construção a estrada de ferro, ligando Porto União a São Francisco do Sul, cuja linha passa pela centro da cidade de Mafra, ramal da Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande. Tal fato contribuiu para o desenvolvimento econômico da região. Já nos anos 60 do século XX, houve a construção de uma nova linha ferroviária, ligando Mafra à Lages, chamada de Tronco Principal Sul. Estas duas linhas atualmente são administradas pela empresa Rumo que mantém no município um grande complexo para manutenção de vagões e trens.
Até 8 de janeiro de 2000, Mafra possuía uma área territorial de 1.785 km², entretanto, com a Lei Estadual n.º 11.340, o distrito de Águas Claras, ao sul do território, foi desmembrado o qual passou a fazer parte do município de Rio Negrinho, com isso Mafra perdeu 379 km² de sua área, ficando com os atuais 1.404,084 km².
A cidade faz parte da Região Metropolitana do Norte/Nordeste Catarinense, anexada em 6 de Janeiro de 1998 pela lei complementar estadual n.º 162, sendo a cidade sede Joinville. Em 2007, a região metropolitana foi extinta pela lei complementar estadual n.º 381, porém, restituída pela lei complementar estadual n.º 495 de 2010.
Ameríndios: Kaingang e xokleng
Europeias: alemã, polonesa, italiana, portuguesa, ucraniana, tcheca, bucovina
Oriente Médio: libanesa, síria, turca.
Acampamento Indígena Urbano Ven Kanér
O Acampamento Ven Kanér é um assentamento urbano que abriga 12 famílias Kaingang, totalizando mais de 40 pessoas. Este acampamento está situado em uma área central da cidade, próxima à rodoviária, e enfrenta desafios significativos em termos de infraestrutura, refletindo a realidade de diversos povos indígenas que vivem em contextos urbanos no território brasileiro. A comunidade tem uma presença histórica na região, remontando a 1984, quando uma família indígena, liderada por Mauro da Silva, que ocupava o cargo de vice-cacique em 2020, se estabeleceu no local. Ao longo dos anos, outras famílias indígenas se juntaram a eles, buscando não apenas um espaço para vender seus artesanatos, mas também construir uma vida permanente em Mafra. A mudança foi motivada em parte pela busca por melhores oportunidades, incluindo a proximidade com o litoral catarinense, facilitando a venda de seus produtos, especialmente o artesanato, uma atividade crucial para sua subsistência.
Contudo, a comunidade enfrentou desafios consideráveis, como a ameaça de despejo devido ao embargo de uma área que ocupavam. O cacique Sadraque Corrêa Garcia, liderando os esforços de resistência, buscou diálogo com autoridades locais para preservar o direito da comunidade àquele espaço, argumentando que ocupavam a área há muitos anos. A situação da água contaminada do rio que circunda o acampamento foi uma das principais preocupações. Em 2020, a comunidade enfrentou riscos à saúde, especialmente durante a pandemia de COVID-19, ao buscar água potável em uma torneira da rodoviária. Essa condição precária levou a denúncias e ações em busca de melhorias.
A comunidade Kaingang do Ven Kanér, apoiada por organizações como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Pastoral Indigenista de Joinville, iniciou uma luta por condições básicas de vida, incluindo água potável, atendimento de saúde, energia elétrica e estrutura adequada para suas casas. A pressão sobre as autoridades locais levou a conquistas significativas, como a instalação de caixas d'água em 2021, proporcionando acesso a água potável e condições mais dignas para a comunidade, e com a promessa da construção de 15 casas no local, estabelecer uma horta comunitária e garantir o acesso à energia elétrica.
O município de Mafra apresenta um relevo de planalto, com colinas de pequena amplitude altimétrica, formando uma superfície regular, quase plana. Mafra possui uma altitude média de 800 metros do nível do mar.
A vegetação do município é classificada como "Floresta Ombrófila Mista", mais conhecida como "Mata de Araucárias", onde predomina o conhecido pinheiro-do-paraná, cuja espécie está desaparecendo diante da expansão de fronteiras agrícolas e a exploração de madeireira. Juntamente com o pinheiro-do-paraná, existem outras espécies vegetais, onde se destacam principalmente a canela, a imbuia, a sapopema, a bracatinga e a erva-mate.
Mafra localiza-se na Bacia do Iguaçu, cujo principal rio do município é o rio Negro, na divisa de Santa Catarina e Paraná. Outros rios que deságuam no rio Negro são: rio Preto, na divisa com o município de Rio Negrinho, rio da Lança (o maior rio inteiramente mafrense), o rio Negrinho, o rio São Lourenço (onde está instalada a Usina Hidroelétrica São Lourenço, em operação desde 1914, com potência instalada de 0,48 MW), o rio Ribeirãozinho, o rio Butiá e o rio São João, este já na divisa com o município de Três Barras.
O clima de Mafra está classificado como "subtropical úmido mesotérmico". Subtropical porque possui temperaturas com médias entre 15 °C e 30 °C; Máxima temperatura em torno de 32 °C , e a mais baixa em torno de 1 °C, é mesotérmico porque as temperaturas registradas na cidade estão pouco distantes das registradas nas regiões mais quentes e também das registradas nas regiões mais frias do planeta. A umidade relativa normalmente fica acima de 85%, principalmente no vale do Rio Negro, onde a taxa de umidade é bem maior.