Malam Bacai Sanhá (Empada, Guiné-Bissau, 5 de maio de 1947 — Paris, França, 9 de janeiro de 2012) foi um politólogo, professor, sindicalista, estadista e político de Guiné-Bissau.
Um homem de Estado, ocupou diversos cargos e funções de relevo no país, destacadamente presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau de 1994 a 1999, presidente interino da Guiné-Bissau de 1999 a 2000, sendo eleito presidente em 2009, após vencer as eleições presidenciais do mesmo ano, servindo até seu falecimento em 2012.
Sanhá nasceu, em 5 de maio de 1947, em Darsalam, na região de Empada, no sudoeste da Guiné-Bissau, numa família camponesa da etnia beafada que professava a fé islâmica. Seu pai chamava-se Bacai Sanhá e sua mãe chamava-se Sirem Camará.
Filiou-se ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) em 1962. Nas estruturas do PAIGC, fez seus estudos secundários e foi designado para trabalhar como professor nas escolas partidárias primárias localizadas nas zonas sob controle da guerrilha nas matas do Sul. Em 1971 o partido o enviou para Berlim Oriental para estudar na Escola Superior Karl Marx, onde licenciou-se em ciências sociais e políticas.
Após regressar da Alemanha Oriental, era poliglota (além de nativo em português, dominava o alemão, o francês e o criol) e um dos nomes intelectuais marxistas e do socialismo no partido, sendo, por isso, eleito para servir entre 1975 e 1976 como governador da região de Biombo, servindo como governador de Gabu entre 1981 e 1986, função que se destacou por promover uma extensa e bem sucedida campanha de combate à desertificação, com o plantio de 700 hectares de árvores na zona do mosaico de floresta-savana da Guiné-Bissau (na faixa de contato com o Sahel), bem como a urbanização da capital provincial. Neste ínterim, entre 1976 e 1981, serviu como secretário-geral do PAICG na cidade de Bafatá e membro do Comité Central do partido. Foi nomeado e serviu como ministro residente na província do Leste entre 1986 e 1990, tendo como destaque de seu trabalho a promoção muito forte do setor agrícola cajueiro.
Em 1990 foi eleito para o cargo de secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné — Central Sindical (UNTG-CS), cargo que ocupou até 1992. Em seguida, no ano de 1992, tornou-se ministro da Informação e Comunicações, trabalhando entre 1992 e 1994 como ministro da Função Pública e do Trabalho.
Como resultado das eleições gerais de 1994, vencidas pelo PAIGC, foi eleito deputado e Presidente da Assembleia Nacional Popular, cargo que ocupou até 1999. A Guerra Civil na Guiné-Bissau eclodiu em junho de 1998 entre elementos do Exército leais ao general Ansumane Mané e aqueles leais ao presidente Nino Vieira. Em 26 de novembro de 1998, Sanhá dirigiu a primeira sessão da Assembleia Nacional Popular desde o início da guerra. Embora Sanhá tenha sido um crítico tanto dos rebeldes quanto de Vieira, ele concentrou suas críticas mais em Vieira, tendo buscado formar consensos entre rebeldes, governo e oposição para dar fim ao conflito.
Primeiro período na presidência e eleições
Seguindo a deposição de Vieira em 7 de maio de 1999, Sanhá, como Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, e primeiro na linha de sucessão pela ordem constitucional, foi nomeado como Presidente interino pela junta militar liderada por Ansumane Mané em 11 de maio. Sua permanência no poder estava condicionada à capacidade de convocar e garantir a realização de eleições no período mais hábil possível. Sanhá fez o juramento em 14 de maio, prometendo paz e um fim à perseguição política. Uma curiosidade de seu mandato e de sua carrerira política era a modéstia, o jeito agradável com que se dirigia às pessoas e a recusa a tratamentos pomposos e ostentatórios, observada quando recebeu a designação de "novo pai da nação" de um locutor da Rádio Voz da Junta Militar, recuperando um tratamento antes dispensado a Nino Vieira, ao que respondeu:
Sanhá convocou as eleições gerais (presidenciais e parlamentares) e se pôs como concorrente à presidência contra outros 11 candidatos. No primeiro turno da subsequente eleição presidencial de 1999-2000, ocorrido em 28 de novembro de 1999, Sanhá venceu com 23,37% dos votos. Na segunda volta, em 16 de janeiro de 2000, ele conquistou apenas 28% dos votos, contra 72% de Kumba Yalá, sendo derrotado. A junta militar, liderada por Mané, apoiou sua candidatura. Além da pacificação e da normalização democrática com a garantia da realização das eleições de 1999-2000, e a reabilitação de perseguidos políticos como Luís Cabral, um de seus mais notáveis feitos na presidência foi a criação da Universidade Amílcar Cabral, a única instituição universitária pública da nação.
Percurso político entre 2000 e 2009
Cinco anos depois, nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau em 2005, Sanhá voltou a candidatar-se pelo PAIGC, mas foi derrotado por seu antigo aliado Nino Vieira em segundo turno, recebendo 47.65% dos votos. Parte da derrota foi atribuída a uma divisão interna no partido, com um grupo relevante tendo preferido apoiar seu ex-militante e ex-filiado Nino Vieira em detrimento de seu candidato oficial Bacai Sanhá. Sanhá e o grupo majoritário do PAIGC consideraram a eleição fraudada e não reconheceram os resultados.
Mesmo derrotado em 2000 e em 2005, Sanhá permeneceu em uma posição de destaque no partido trabalhando como conselheiro político do PAIGC de 2000 até 2008.
Sanhá desafiou o presidente do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, pela liderança do partido no Sétimo Congresso Ordinário do PAIGC, em junho-julho de 2008. Gomes Júnior, no entanto, foi reeleito no final do congresso, recebendo 578 votos contra 355 de Sanhá.
Concorreu e venceu as primárias de abril de 2009 do PAIGC contra o Presidente da República interino Raimundo Pereira. As primárias eram válidas para a estratégia política do PAIGC às presidenciais de 2009, porém tendo sido uma disputa interna renhida, marcada por desconfianças acerca da capacidade de Sanhá, tendo em vista suas duas derrotas eleitorais.
Segundo período na presidência
Sanhá voltou à Presidência da Guiné-Bissau após ganhar de forma avassaladora de seu oponente Kumba Yalá, em segundo turno, as eleições presidenciais na Guiné-Bissau em junho-julho de 2009, com 63.31 % dos votos. Na sua posse, prometeu investigar os assassinatos de março de 2009 do Chefe do Estado-Maior do Exército Batista Tagme Na Waie e do Presidente Nino Vieira, combater o crime, o narcotráfico e a corrupção, e trabalhar em prol da estabilização do país. Estando Sanhá na presidência da nação, na totalidade de seu mandato serviu como primeiro-ministro do país Carlos Gomes Júnior, seu antigo adversário pela liderança do PAIGC.
No panorama econômico, sua gestão e a de Gomes Júnior tinham a característica do rigor na administração pública, por pagar pontualmente os ordenados da função pública, bem como fornecedores e credores. Ainda na área econômica, em dezembro de 2010 sua presidência conseguiu concluir uma negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial que resultou no perdão de 87% da dívida externa da Guiné-Bissau, um montante avaliado a época como equivalente a US$ 1,2 mil milhão. Sua gestão focou, ainda, no incremento dos sectores cajueiro e pesqueiro para exportação.