O Malawi ou Maláui (também grafado como Malaui ou Malávi; do nianja Malaŵi, "o sol nascente"), oficialmente República do Malawi, é um país da África Oriental, limitado a norte e a leste pela Tanzânia, a leste, sul e oeste por Moçambique e a oeste pela Zâmbia. Sua capital é Lilongué. Parte da região oriental do país é banhada pelo Lago Niassa (chamado, no país, Lake Malawi). O inglês é a língua oficial.
Desde sua independência do Reino Unido em 1964, o Malawi é uma república presidencial multipartidária e uma democracia representativa, na qual o chefe de estado e de governo é o presidente da República.
O Maláui possui como maior cidade e também capital a cidade de Lilongué, que abriga um aeroporto internacional e o museu de Kamuzu, um importante destino turístico do país. A capital Lilongué é uma região de forte polo industrial nas áreas de agricultura e o turismo, e em menor escala a pecuária.
Aportuguesamentos e outras grafias
Devido ao fato de que, até a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, a letra "w" não existia oficialmente na língua portuguesa,[carece de fontes?] o nome do país teve de ser adaptado — e o foi, de diferentes formas: certas fontes chegaram a registrar Malavi e Malávi como formas aportuguesadas (com o gentílico malaviano), seguindo a lógica de transposição do "w" por "v" que se deu historicamente, por exemplo, em vocábulos de origem alemã. Outras fontes (por exemplo o dicionário brasileiro Michaelis) assignaram à última letra do nome do país, o "i", o acento marcador da tonicidade da palavra (Malauí, ou, inclusive, Malavi).
Desde logo, no entanto, entre as várias alternativas, sobressaiu a pronunciada "Maláui" — portanto, com o "w" transposto a "u", não a "v", e com o acento de tonicidade no segundo "a" — ambos refletindo adequadamente a pronúncia original do nome do país, tanto em inglês quanto em nianja.
Dos dois principais dicionários brasileiros, o Aurélio grafa Maláui, mas o Houaiss escreve "Malaui" (embora fazendo a observação, em nota, que a pronúncia correta seria "-áu-i", não "-au-í"). O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Manual de Redação da Folha de S.Paulo usam Maláui.
Também escrevem "Maláui" o Dicionário Aulete, o Dicionário Priberam e a União Europeia em português.
O Acordo Ortográfico de 1990, porém, incorporou oficialmente a letra "w" (além do "k" e do "y") à grafia oficial da língua portuguesa, explicitamente mencionando o nome do país e seu adjetivo pátrio como palavras que poderiam agora, em português, ser grafadas com "w": "Malawi" e "malawiano" — grafias essas que, embora tenham sido preteridas em Portugal e no Brasil pelas formas com "u", são as mais difundidas em países africanos de Língua Oficial Portuguesa, como Angola e Moçambique. A portuguesa Porto Editora também usa a forma original africana "Malawi" (e, como gentílico, malawiano).
Processo similar deu-se com o nome da capital do país, Lilongwe, porém aportuguesada como Lilongué em Portugal e, até a queda do trema com o Acordo Ortográfico de 1990, Lilongue no Brasil.
Desde o tempo colonial que este território é conhecido por nomes relacionados com o grande lago que o limita a oriente. Os ingleses chamaram-lhe Niassalândia (Niassaland) do nome por que era conhecido o lago naquele tempo: lago Niassa. Após a independência, o novo país adota o nome de Malaŵi e com este nome rebatiza o lago. Malaŵi significa, na língua nianja, o nascer do sol, tal como está representado na bandeira, uma vez que, para os malauianos, é sobre o lago que nasce o sol.
O primeiro contato significativo com o mundo europeu foi a chegada de David Livingstone à margem norte do lago Maláui (lago Niassa) em 1859 e o subsequente estabelecimento de missões da igreja presbiteriana escocesa. Em 1891, estabeleceu-se o Protetorado Britânico da África Central, transformado em 1907 no Protetorado de Niassalândia. Em 1953 o governo britânico criou a Federação da Rodésia e Niassalândia, ou Federação Centro-Africana, que compreendia os territórios hoje referentes ao Malawi, Zâmbia, então Rodésia do Norte, e Zimbábue, então Rodésia do Sul. Em novembro de 1962, o governo britânico concordou em conceder à Niassalândia autonomia a partir do ano seguinte, o que marcou o fim da Federação, em 31 de dezembro de 1963. O Malawi tornou-se um membro inteiramente independente da Commonwealth em 6 de julho de 1964.
Dois anos mais tarde, torna-se uma república, ao mesmo tempo que Hastings Kamuzu Banda é eleito presidente sob uma constituição que permitia a existência apenas de um partido (Partido do Congresso do Malawi — MCP), o que conduziu, em 1971, à reeleição de Banda como presidente vitalício.
Em 1993, Banda perdeu o título de presidente vitalício, o que abriu as portas à realização das primeiras eleições multipartidárias a 17 de Maio de 1994, cujos resultados deram uma vitória escassa ao principal partido da oposição, a Frente de União Democrática, liderado por Bakili Muluzi.
O Malawi é um país encravado do sudeste da África. Alongado e estreito, tem 837 km de norte a sul e largura de 8 a 160 km, com 118 484 km². Limita-se com a Tanzânia ao norte, Moçambique a sudeste, leste e sul, e com a Zâmbia a oeste. Situa-se entre as latitudes 9° e 18° S, e as longitudes 32° e 36° E.
O traço mais marcante da sua geografia é o lago Maláui, ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31 000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia.
O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no lago Niassa e deságua no rio Zambezi, já em território moçambicano, e planaltos desde a fronteira ocidental com a Zâmbia às proximidades da margem ocidental do Lago Niassa. Uma cadeia montanhosa estende-se de norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1 000 e 2 000 metros, que correspondem as montanhas que seguem o Vale do Rifte da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3 002 m. de altitude, é o ponto mais elevado do país.
O clima é tropical na região central até o norte, com uma temperatura média anual de 30 °C, e mais ameno (clima temperado) ao sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte do país.