Neste Dia

Malcolm X

Ativista estadunidense

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Malcolm X (nascido Malcolm Little; Omaha, 19 de maio de 1925 – Nova Iorque, 21 de fevereiro de 1965), mais tarde nomeado como Malik el-Shabazz, foi um ativista dos direitos humanos, ministro muçulmano e defensor do Nacionalismo Negro nos Estados Unidos. Fundou a Organização para a Unidade Afro-Americana, de inspiração separatista. Defensor dos direitos dos afro-americanos, conseguiu mobilizar brancos e negros na conscientização sobre os crimes cometidos contra a população afro-americana. Em 1998, Paul Gray, da revista Time, colocou a Autobiografia de Malcolm X, escrita em colaboração com Alex Haley, entre os dez livros de não ficção mais importantes do século XX.

Malcolm X nasceu no dia 19 de maio de 1925, em Omaha, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos. Era o quarto filho de Louise Helen Little, nascida em Granada, e de Earl Little, nascido na Geórgia. Com apenas seis anos, teve o seu pai, pregador baptista, carpinteiro e um dedicado membro da UNIA (Associação Universal para o Progresso Negro), presumivelmente assassinado. Teria sido espancado, e depois atirado aos trilhos de uma linha de elétrico (bonde no Brasil) em Lansing onde a família morava. A versão oficial foi atropelamento, aventando-se até suicídio. Mas a história de violência racista da época e local deixa supor que teria sido "executado" pela Black Legion, uma organização terrorista de supremacistas brancos. Apesar do seu corpo ter sido quase dividido em dois, não morreu de imediato, falecendo em agonia, horas mais tarde.

Louise Little, mãe de Malcolm, aos 34 anos assumiu o sustento dos seus oito filhos. Era uma mulher educada, falava sem sotaque, e por ter sido fruto da relação de uma mulher negra com um homem branco, possuía pele clara, passando facilmente por uma mulher branca, e encontrava facilmente empregos domésticos. Os empregos duravam até descobrirem que ela era de origem negra, ou viúva de Earl.

Após a morte de Earl Little, Louise recebeu o benefício — o menor — de um dos dois seguros de vida que tinham sido previdentemente feitos pelo companheiro; o outro segurador recusou-se a pagar, alegando que Earl havia cometido suicídio.

Louise também passou a receber dois cheques, sendo um pela pensão de viúva, outro da assistência social. Este dinheiro não era suficiente, e com seu desemprego frequente a família tornou-se praticamente indigente. As assistentes sociais do governo, agora visitas habituais da família, tentavam convencer Louise a encaminhar seus filhos para lares adotivos, ao que ela se opunha.

Louise apesar destas dificuldades, mantinha-se bastante atraente. Cerca de 1935 ou 1936, ela começou a namorar um afro-americano local; mas quando em 1937, Louise ficou grávida, ele abandonou-a de súbito. Foi um choque terrível para ela; diz-nos Malcolm que foi a partir daí que ela foi desligando-se da realidade, passando a andar pela casa a falar sozinha e descuidando as suas habituais preocupações com a família.

Por fim, Louise cedeu às intensas pressões que em fins de 1938 a levaram a um colapso mental e a ser internada no Hospital Psiquiátrico de Kalamazoo. As crianças foram separadas e enviadas para lares de acolhimento. Malcolm e os seus irmãos asseguraram a libertação de Louise vinte e quatro anos mais tarde.

Na escola, Malcolm era um bom aluno e geralmente tirava notas altas. E assim foi até um dia, no oitavo ano, em que disse a um professor, de que aliás gostava, que desejava ser advogado. Este desencorajou-o: "Um advogado — isso não é um objectivo realista para um negro... Porque não planeia carpintaria?" Esta declaração mudou seu comportamento fazendo com que se transformasse de um "bom aluno" em um "garoto problema". Ele concluiu que não importava o que fizesse, nunca seria plenamente aceito pelos brancos, nem lhe seriam dadas as mesmas oportunidades.

Dos 14 aos 21 anos, Malcolm teve muitos tipos de emprego. Quando abandonou a escola, tendo sido depois expulso, Malcolm foi morar em Boston, onde existia uma grande população negra, na casa de sua meia-irmã Ella Collins. Fez amizade com um jovem conhecido como Shorty e por influência deste. e de outros boémios de Boston. ele esticou os cabelos no chamado estilo conk. Passou a beber, a fumar marijuana, usar roupas extravagantes, jogar cartas, e aprendeu a dançar.

Sua melhor parceira era Laura, uma inteligente jovem negra que morava com a avó e sonhava formar-se na universidade. Ele a conheceu na sorveteria onde ela trabalhava e a namorou, levou-a aos bailes. Numa destas festas, a trocou por uma branca loira, Sophia (de seu verdadeiro nome Bea Caragulian). Laura, em futuro próximo, cairia na droga e prostituição. Malcolm confessou que uma das vergonhas que carregou por anos foi considerar-se culpado por tudo isso: "Tê-la tratado como eu fiz por uma mulher branca tornou o golpe duplamente pesado." Nessa altura — disse Malcolm — em qualquer gueto negro dos EUA, ter uma mulher branca (que não fosse uma prostituta) era, pelo menos para o homem negro médio, um símbolo de status de primeira classe.

Após uma curta estadia em Flint, em Michigan, mudou-se para o bairro de Harlem, em Nova York, onde morou a partir de 1943. Nas noites do Harlem ele conheceu muita gente, entre os quais vários músicos (muito deles famosos) e criminosos. Malcolm envolveu-se em atividades criminosas. Ele traficava drogas, participava do negócio de jogos de azar, estava envolvido em extorsão e lenocínio, e roubava. Foi declarado "mentalmente incapaz para o serviço militar" depois que ele disse ao conselho de alistamento que seu desejo era ser enviado para o Sul, "roubar algumas armas e matar brancos".

Sophia ia de Boston para o Harlem visitá-lo. Algum tempo depois, Sophia casou com um homem branco, mas, sem problemas, manteve Malcolm como amante.

Malcolm passou a praticar seus primeiros assaltos, e se preparava para esses trabalhos com drogas mais fortes. Era viciado no jogo dos números, e quando ganhava, convidava Sophia para passar alguns dias em Nova Iorque. Sua vida marginal levou-o a se meter em tantas encrencas no Harlem que acabou ficando num "beco sem saída", estava "jurado de morte". Sammy ligou para seu velho amigo Shorty vir buscá-lo e levá-lo de volta para Boston. Em Boston, foi morar com Shorty em seu apartamento. Mesmo Shorty não estava preparado para a forma como ele agora vivia e pensava — como um animal predador, nas suas próprias palavras. Quase todos os dias assim que o amigo saia para trabalhar, como saxofonista, Sophia encontrava-se com Malcolm, e ele arrancava-lhe todo o dinheiro e a maltratava "só para a mantê-la na linha", mas ela voltava sempre. O marido de Sophia havia arrumado emprego de caixeiro-viajante, e estava fora constantemente.

Para sair da inatividade Malcolm propôs a Shorty que assaltassem casas. Nessa altura, só o hábito da cocaína custava a Malcolm qualquer coisa como vinte dólares por dia. Formaram um grupo com a participação de Rudy, amigo de Shorty, Sophia e sua irmã. Sophia havia apresentado sua irmã para Shorty e os dois passaram a namorar. O primeiro "trabalho" foi um sucesso, e depois vieram outros e outros. "Todo ladrão espera o dia em que será apanhado”. Chegou o dia inevitável de Malcolm, Shorty e Sophia e sua irmã, somente Rudy conseguiu escapar. As duas mulheres tiveram penas reduzidas, pegaram de um a cinco anos. Malcolm disse: "Apesar de serem ladras eram brancas”. Quanto aos dois negros, seu próprio advogado de defesa confessou: "Vocês não deviam ter-se metido com mulheres brancas”. Shorty pegou de oito a dez anos, e Malcolm onze anos.

Conduzido à Prisão Estadual de Charlestown, em fevereiro de 1946, Malcolm ficou ali conhecido como Satã por causa de sua atitude rebelde e antirreligiosa. De repente privado de drogas, usou noz-moscada e outras drogas substitutas. Mais tarde, conseguiu, através dos próprios guardas da prisão, marijuana, Nembutal e outras substâncias.

Na prisão, em 1947 Malcolm X conheceu outro condenado, John Elton Bembry, um mestiço, a quem chamavam Bimbi, um homem autodidata, respeitado e considerado por todos, que ele descreveria mais tarde como "o primeiro homem que eu já vi impor respeito total... com palavras". Um dia, Bembry disse-lhe que ele deveria usar a sua inteligência, e sob a sua influência Malcolm começou um curso por correspondência de língua inglesa e até um de Latim, e a ler avidamente os livros da biblioteca prisional.

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