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Manaus

Maior metrópole da região Norte e capital do estado do Amazonas

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Manaus é a capital do estado brasileiro do Amazonas. É a sétima cidade mais populosa do Brasil, a sexta maior mancha urbana do país e sua região metropolitana, com mais de 2,8 milhões de habitantes, é a 11.ª mais populosa do país. A cidade possui um forte caráter cosmopolita, atraindo imigrantes e turistas de diversas nacionalidades. Localizada no centro da maior floresta tropical do mundo, é uma metrópole regional que exerce significativa influência no Norte do Brasil, especialmente na Amazônia Ocidental, seja no ponto de vista ambiental, cultural ou econômico.

Originada a partir do Forte do Rio Negro no século XVII, Manaus viveu momentos de plenitude como o ciclo da borracha e o intenso processo de industrialização a partir da década de 1970. Recebeu o epíteto de Paris dos Trópicos, devido ao luxo de sua arquitetura europeia, atraindo investimentos estrangeiros e imigrantes de todas as partes do mundo. Abriga a sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o mais importante centro para estudos científicos do bioma amazônico e para assuntos internacionais de sustentabilidade, assim como possui várias universidades, como a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que estão entre as melhores da América Latina.

Em nível internacional, a capital manauara recebeu a classificação de cidade global de alta suficiência pelo Globalization and World Cities Research Network em diversas ocasiões. Em nível nacional, o município possui o sexto maior PIB do Brasil, de acordo com a pesquisa de PIB nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2023. Manaus ficou na terceira colocação na categoria empreendedorismo do Ranking Connected Smart Cities de 2021 e na 31.ª entre as Cidades Empreendedoras, do Índice de Cidades Empreendedoras (2022). Entretanto, a cidade enfrenta problemas ambientais e desigualdades sociais, tais como 53,9% de sua população vivendo em comunidades urbanas e favelas, apenas 38% da cidade possui rede de esgotamento sanitário, além de ter apenas 44,8% de sua área urbana arborizada, segundo o Censo de 2022 do IBGE.

Principal destino turístico da Amazônia, tem como seu maior símbolo cultural o Teatro Amazonas, tombado como Patrimônio Histórico Nacional pelo IPHAN. A capital amazonense foi sede do Campeonato Ibero-Americano de Atletismo em 1990, sede da CONMEBOL Copa de Ouro Nicolás Leoz de 1996, uma das doze cidades-sede da Copa do Mundo FIFA de 2014, uma das cinco cidades-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e sede da Copa Libertadores Feminina de 2018.

A origem do nome da cidade provém da tribo dos manaus, habitante da região dos rios Negro e Solimões. Na grafia antiga, escrevia-se manáos, preservando-se o o e acentuando-se a vogal precedente. Na língua indígena, a palavra significa mãe dos deuses. No século XIX a cidade chamava-se Barra do Rio Negro.

Ainda no passado, a palavra manau era atribuída aos membros de uma das muitas tribos que habitaram o rio Negro. Os etnólogos afirmam que os índios manaus são de origem aruaque. Outras formas de se escrever o nome da cidade também foram utilizadas. Em 1862, na edição da tipografia escrita por Francisco José da Silva Ramos, o nome da cidade aparece com a grafia Manáus.

Porém, na última página da tipografia, está grafado Manáos, nome comumente usado pelos habitantes da cidade e historiadores. Em uma manchete denominada Notizie Interessanti sulla Província delle Amazzoni – nel nord Del Brasile ("Notícias interessantes sobre a Província das Amazonas - no norte do Brasil"), editada em Roma, em 1882, o nome da cidade está grafado Manáos repetidas vezes. A cidade recebeu, em 1856, finalmente, o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos manaus, o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia. Por decreto estadual de 17 de março de 1937, ficou estabelecida a grafia Manaus, utilizada até os dias atuais.

Primeiros povos e colonização europeia

A região de Manaus, antes da chegada dos colonizadores, era habitada pelos povos nativos, com destaque aos manaus e aos barés. Em 3 de junho de 1542, a expedição do espanhol Francisco de Orellana descobriu e pôs o nome no rio Negro.

A cidade tem sua origem na construção de uma fortificação portuguesa ocorrida, possivelmente, em 1669. Data que foi convencionada a usar como a fundação de Manaus. Alguns autores, como Mário Ypiranga Monteiro, afirmam que naquele ano o capitão Francisco da Mota Falcão foi enviado pela Coroa de Portugal ao rio Negro para erguer uma fortaleza, a fim de resguardar a entrada da Amazônia Ocidental das invasões estrangeiras, sobretudo de holandeses e espanhóis.

A construção da fortaleza foi iniciada por Mota Falcão e finalizada pelo seu filho, Manoel da Mota Siqueira. Possuía um formato quadrangular e foi construída em pedra e barro, sem conter um fosso. Surgiu, então, o Forte de São José da Barra do Rio Negro, que recebeu esse nome em invocação a Jesus, José e Maria, erguido na margem esquerda do rio Negro. A população cresceu tanto que, para ajudar no catecismo, em 1695 os missionários (carmelitas, jesuítas e franciscanos) resolveram erguer uma capela próxima ao forte sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira da cidade.

A Guerra dos Manaus foi um conflito entre a etnia dos manaus e os portugueses, entre 1723 e 1728. Os manaus negavam-se a ser dominados e servir de mão de obra escrava, entrando em conflito com os colonizadores. As lutas só cessaram com o extermínio deste povo. O líder mais notório dos manaus foi Ajuricaba, forte opositor da colonização portuguesa. Ajuricaba foi preso e estava sendo conduzido a Belém para julgamento, porém, mesmo acorrentado, lançou-se nas águas do Rio Amazonas e jamais foi encontrado. Orgulhoso, o líder dos manaus preferiu a morte à escravidão.

Capitania de São José do Rio Negro

A Carta Régia de 3 de março de 1755 criou a Capitania de São José do Rio Negro, com sede em Mariuá (atual Barcelos), mas o governador Lobo D'Almada, temendo invasões espanholas, passou a sede novamente para o Lugar da Barra em 1791, por se localizar na confluência dos rios Negro e Solimões, que era um ponto estratégico. No entanto, D. Francisco de Souza Coutinho, capitão-geral do Grão Pará, iniciou campanha contra a mudança e, em maio de 1799, a sede voltou a Barcelos. Em outubro de 1807, o governador José Joaquim Victório da Costa deixou Barcelos e transferiu a administração definitivamente ao Lugar da Barra. A partir de 29 de março de 1808, o Lugar da Barra voltaria a ser sede da Capitania de São José do Rio Negro.

Através do decreto de 13 de novembro de 1832, o Lugar da Barra passou à categoria de vila, já com a denominação de Vila de Manaus, nome que manteria até o dia 24 de outubro de 1848, quando foi elevada à categoria de cidade. Com a Lei nº 145, da Assembleia Provincial Paraense, adquiriu o nome de Cidade da Barra do Rio Negro. Em vista de a vila ter assumido foros de cidade, passou a ser chamada de Cidade de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro. A 5 de setembro de 1850, foi criada a Província do Amazonas pela Lei Imperial nº 1.592, tornando-se a Vila da Barra do Rio Negro. Seu primeiro presidente foi João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, nomeado em 27 de julho de 1851, que instalou oficialmente a nova unidade provincial a 1 de janeiro de 1852. Em 4 de setembro de 1856, pela Lei 68, já no decurso do segundo governo de Herculano Ferreira Pena, a Assembleia Provincial Amazonense deu-lhe o nome de Cidade de Manaus, em homenagem à nação indígena manau.

Durante o período imperial, a Cabanagem foi um movimento político e um conflito social ocorrido entre 1835 e 1840 no Pará, envolvendo homens livres e pobres, sobretudo indígenas e mestiços que se insurgiram contra a elite política local e tomaram o poder. A entrada da Comarca do Alto Amazonas (hoje Manaus, a qual foi o berço do manifesto na Amazônia Ocidental) na Cabanagem foi fundamental para o nascimento do atual estado do Amazonas. Durante o período da revolução, os cabanos da Comarca do Alto Amazonas desbravaram todo o espaço do estado onde houvesse um povoado, para assim conseguir um número maior de adeptos ao movimento, ocorrendo com isso uma integração das populações circunvizinhas e formando assim o estado.

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