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Manifesto Futurista

Manifesto de Filippo Tommaso Marinetti

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Manifesto Futurista foi escrito pelo poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, e publicado no jornal francês Le Figaro em 20 de fevereiro de 1909. Este manifesto marcou a fundação do futurismo, um dos primeiros movimentos da arte moderna. Consistia em 11 itens que proclamavam a ruptura com o passado e a identificação do homem com a máquina, a velocidade e o dinamismo do novo século.

Os limites da literatura italiana no final do chamado Ottocento (século XIX), sua falta de conteúdos fortes, seu laissez-faire silencioso e passivo, são combatidos por futuristas (ver artigos 1, 2 e 3) e sua reação inclui o uso de excessos pretendia provar a existência de uma dinâmica classe intelectual italiana sobrevivente.

Neste período em que a indústria assume uma importância cada vez maior em toda a Europa, os futuristas precisam confirmar que a Itália está presente, tem uma indústria, tem o poder de participar da nova experiência e encontrará a essência superior do progresso em seus principais símbolos como o carro e sua velocidade (ver artigo 4). O nacionalismo nunca é declarado abertamente, mas é evidente.

Os futuristas insistem que a literatura não será ultrapassada pelo progresso, ao contrário, ela absorverá o progresso em sua evolução e demonstrará que tal progresso deve se manifestar dessa maneira, porque o homem usará esse progresso para, sinceramente, deixar sua natureza instintiva explodir. O homem está reagindo contra a força potencialmente avassaladora do progresso e grita sua centralidade. O homem usará a velocidade, não o contrário (ver artigos 5 e 6).

A poesia ajudará o homem a consentir que sua alma faça parte de tudo isso (ver artigos 6 e 7), indicando um novo conceito de beleza que se referirá ao instinto humano de agressão.

O sentido da história não pode ser desprezado, pois este é um momento especial, muitas coisas vão se transformar em novas formas e novos conteúdos, mas o homem será capaz de passar por essas variações (ver artigo 8), trazendo consigo o que vem do início da civilização.

No artigo 9º, a guerra é definida como uma necessidade para a saúde do espírito humano, uma purificação que permite e beneficia o idealismo. Sua glorificação explícita da guerra e suas propriedades "higiênicas" influenciaram a ideologia do fascismo. Marinetti foi muito ativo na política fascista até que se retirou em protesto contra a "Grandeza Romana", que passou a dominar a estética fascista.

O artigo 10 afirma: “Queremos demolir museus e bibliotecas, combater a moral, o feminismo e toda a covardia oportunista e utilitarista”.

Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e do destemor.

A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.

A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.

Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.

É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto e munificência para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.

Nós estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Nós já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade onipresente.

Nós queremos glorificar a guerra — única higiene do mundo — o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.

Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.

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