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Manoel Maria (futebolista)

Futebolista brasileiro

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Manoel Maria Evangelista Barbosa dos Santos (Belém, 29 de fevereiro de 1948), mais conhecido como Manoel Maria, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como ponta-direita.

"Mané" Maria é considerado um dos maiores ídolos da história do Santos, assim como o primeiro a defender alguma Seleção Brasileira de Futebol vindo diretamente do futebol paraense, convocado para a seleção olímpica em 1968 desde a Tuna Luso, onde mais se destacou localmente embora também tenha defendido os outros grandes locais (Remo e Paysandu). Dentro e fora dos campos, trabalhou nos três principais times também da Baixada Santista: além do Santos, jogou na Portuguesa e foi gerente do Jabaquara.

Manoel Maria esteve perto de integrar a seleção principal convocada à Copa do Mundo FIFA de 1970, ano em que sua carreira atrofiou-se em função de um sério acidente automobilístico meses depois da competição. Foi eleito no ano 2000 o ponta-direita da seleção do século XX do futebol paraense, em votação realizada entre vinte e dois cronistas esportivos.

Seu prenome é ocasionalmente grafado com a letra u ao invés do o ("Manuel"), que é a letra com a qual foi registrado. Outro equívoco comum é apontar Manoel Maria como nascido em Santarém. Embora tenha morado e despontado para o futebol nesta cidade, ele nasceu na capital paraense.

Seu pai, Davi Natanael, falecido em 2013, já trabalhava com futebol: foi um dos fundadores do São Raimundo, tradicional clube de Santarém, onde também jogou e treinou, sendo técnico também do rival São Francisco; com o futebol santareno ainda tardando até 1976 para participar do campeonato estadual paraense, Davi sobressaiu-se com títulos municipais como treinador das duas equipes; e também foi presidente da liga esportiva santarena. Manoel Maria cresceu em Parintins, no Amazonas, voltando a Belém aos onze anos de idade.

O primeiro clube de Manoel foi o extinto União Esportiva, o primeiro campeão paraense de futebol, com dois títulos longínquos na década de 1900. Chegou lá em 1963, precisamente na última temporada em que a equipe adulta do União disputou a primeira divisão estadual. Embora começasse a década de 1960 sendo presidido pelo próprio governador do Pará, Aurélio do Carmo, este time vinha perdendo desde a década de 1940 o posto de "terceiro grande" para a Tuna Luso; e retirou-se em 1964 das competições de futebol. Ainda assim, Manoel Maria teve tempo para integrar goleada de 6-1 dos alvinegros sobre o Paysandu, pelo campeonato juvenil.

Após o começo no União, Manoel Maria tentou seguir no Remo o sonho de desenvolver a carreira. Curiosamente, isto ocorreu sob indireta influência de Pelé e do Santos: relembraria em 2022 que "em 1965, um amigo me levou para fazer um teste no Remo, que eu não queria fazer, mas fui apenas porque ele disse que a gente poderia ver de graça uma partida que o Santos de Pelé faria. Foi a primeira vez que vi aquele time de perto". Essa partida ocorreu em 29 de abril de 1965, em ocasião que ficou famosa no Pará por render a imagem de Pelé trajado com a camisa azulina, com a qual entrara em campo para retribuir o prestígio oferecido pelos paraenses.

Todavia, as categorias de base remistas não vinham sendo valorizadas na instituição e o Manoel Maria ainda fraturou um braço. Resolveu sair e passou a residir em Santarém com os pais, Davi Natanael e Olgarina Evangelista. No município do Rio Tapajós, Manoel Maria jogou no São Raimundo. Destacou-se e foi chamado para a seleção santarena na disputa do Torneio Intermunicipal de 1966. O município de Soure terminou campeão, mas o ponta-direita destacou-se nos jogos finais, realizados em Belém. Despertou interesse de clubes da capital e acertou com a então Tuna Luso Comercial, que dali a alguns meses viraria a Tuna Luso Brasileira.

O clube cruzmaltino programou-se para passar por Santarém no início de 1967 para concretizar o negócio com a promessa. O acerto foi polêmico, pois o Remo inicialmente declarava ainda deter o passe do jogador, mas ficou silente ao fim do prazo formal estabelecido pela Federação Paraense de Desportos. Manoel Maria, por sua vez, ficou cerca de apenas um ano na Tuna. Após chegar no início de fevereiro de 1967, já em março de 1968, mês em que estreou na seleção brasileira olímpica, foi negociado com o Santos, por 80 mil cruzeiros novos. Em clássicos paraenses, sobressaiu-se especialmente na rivalidade com o Remo: em 1967, marcou o gol tunante em 1-1 amistoso em 30 de maio e em vitória, também amistosa, em 14 de setembro; e, pelo estadual, abriu triunfo de 4-1 de em 5 de novembro.

O seu melhor desempenho no futebol paraense, na realidade, deu-se no Amazonas, em excursão cruzmaltina vitoriosa entre agosto e setembro de 1967. Nenhuma outra excursão paraense retornou invicta do Estado vizinho com tantos jogos lá realizados. Foram oito jogos e Manoel Maria neles marcou seis gols, sendo o artilheiro da excursão e destacando-se também por dribles e passes. A turnê começou com um 6-1 no Fast, com quatro gols tunantes no primeiro tempo em espaço de sete minutos. Manoel Maria abriu o placar e fez outros dois, com o terceiro saindo no minuto seguinte ao do segundo. O resultado chamou a atenção local e despertou interesse de espectadores para os jogos seguintes. Manoel Maria marcou o primeiro também no jogo seguinte, no 3-0 sobre o Rio Negro. Os resultados seguintes foram 1-1 com o Olímpico, 3-3 com o São Raimundo (com outro gol de Manoel), novo 1-1 com o Olímpico e 2-0 no São Raimundo até propor-se aquele clássico com o Remo (que também se encontrava em Manaus) ocorrido em 14 de setembro. Manoel Maria fez o único gol, para no dia seguinte ele e demais tunantes entrarem novamente em campo e vencerem por 1-0 o Nacional.

No regresso daquela excursão, a Tuna começou sua participação no Estadual de 1967. Mesmo com a equipe não ganhando nenhum turno, vendo Remo e Paysandu decidirem o título após uma série de Re-Pas, Manoel Maria foi eleito a revelação do ano e também para a seleção do ano no Pará. Em algumas semanas, a seleção brasileira olímpica iniciaria treinamentos com vistas ao Torneio Pré-Olímpico de 1968. Manoel Maria teve sua convocação recomendada pelo presidente da Federação Paraense a João Havelange em pessoa, e o presidente da Confederação Brasileira de Desportos prometera-lhe que isto seria providenciado. Manoel Maria ausentou-se em uma primeira convocação, mas Havelange intercedeu para que fosse colocado no time. Superando desde os jogos-treino a inicial desconfiança alheia por conta da convocação apadrinhada, não permaneceu por muito tempo na Tuna após um bom pré-Olímpico; embora chegasse a participar do campeonato paraense de 1968, despediu-se ainda no início da competição.

O técnico da seleção olímpica era Antoninho Fernandes, que em paralelo também era o treinador do Santos, intermediando assim a transferência da revelação, que também interessava ao Flamengo, inclusive pela condição formal de amador baratear negociações. Manoel Maria tinha a aprovação também de Zito. A venda foi acertada em 80 mil cruzeiros novos, metade destinada ao clube paraense e metade ao jogador. A possibilidade de um negócio com o Flamengo teria sido rechaçada por conta do presidente tunante ser também torcedor do rival Fluminense.

Estreou na pelo Santos em meio a uma excursão da equipe pela Europa, escalado pelo treinador Antoninho Fernandes para substituir Amauri no decorrer de derrota por 5-4 em amistoso com o Zurique realizado na Suíça em 15 de junho. No Santos, Manoel gradualmente corrigiu algumas falhas, como jogar de cabeça baixa, não disputar a bola, alguma indecisão aparente quando chegava na linha de fundo e não saber chutar com o pé esquerdo ou cobrar escanteios com precisão. Embora sua estreia pelo clube no Brasil tenha sido promissora, com gol sobre o XV de Piracicaba e lembrando Garrincha, inicialmente chegou a ser criticado por falta de objetividade em seus dribles. Mas não deixou de ser imediatamente campeão como titular do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968, um dos campeonatos brasileiros daquele ano. Foi o último título nacional do Santos na Era Pelé.

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