Manuel de Meneses (Campo Maior, c. 1565 - Lisboa, 18 de Julho de 1628) foi um general da Armada Real, cronista-mor e cosmógrafo-mor do Reino de Portugal.
"Quando moço, Dom Manoel, deu mostras de grande aplicação às boas letras; tanto que sendo filho mais velho, estudou como para letrado. Inclinouse com felicissimo progresso, às sciencias Mathemáticas, em que teve por Mestre ao Padre Delgado, discipulo de Clávio. Soube com perfeição a música, e professou a historia Romana, e Grega: de cujo idioma tinha algum conhecimento: e singular noticia, por longo estudo, das linhagens do Reyno; logrado com tal satisfação de si proprio, que muytas vezes lhe ouvi: "Desejára ter oficio de poder casar, elle sómente, aos homens de Portugal; porque só elle, lhes poderìa dar a cada hum, a molher que lhe competisse". Amava a Poesia, e della antes a poética, que a versificatoria: o que lhe procedia de sêr nos versos (que tal vez provou a fazer) infelicíssimo; quão prático nos preceitos da arte, assi no modo Lyrico, como no Cómico, Satyrico, e Épico. O seu Autor latino era Tácito, o Grego Tucídides; e dos Poetas vulgares, estimava pella variedade o Ariosto: confessando sobre os heroycos, a eminencia do nosso Camões".
"Começou a servir na guerra, quando a vinda dos Ingrezes a Lisboa, que o Prior do Crato, Dom Antonio (António I de Portugal), conduziu com grande Armada, em socorro de seus direitos ; e como Dom Manoel fosse então mancebo, e fosse tal, não sendo comummente conhecido, com presença muito semelhante aos naturais do Norte, sucedeu, que por algumas companhias de gente miliciana, foi preso, com vós : De que era espião dos Ingleses, que entre os Portugueses se dissimulava. Por esta causa, reteve toda a vida, a alcunha de Flamengo: como em Portugal viciosamente são chamados, sem distinção, todos os Estrangeiros".
Quanto a Barbosa Machado diz ele na sua "Biblioteca Lusitana" que Manuel de Meneses "na armada inglesa veio embarcar em favôr do senhor Dom António, Prior do Crato, pretendente da Coroa portuguesa", armada inglesa que chegou em 3 de Outubro de 1581 à ilha Terceira diz-nos Frazão de Vasconcellos.
Também para o tempo da sua mocidade, podemos lembrar estas palavras de Manuel ele mesmo (falando de João Fajardo e dele): "corriam com amizade antiga, havendo sido Manuel soldado de seu pai algumas vezes". O pai de Juan Fajardo ( "Juan Fajardo Tenza, 1. vizconde de Monteagudo, 1. marqués de Espinardo, capitán general de la armada de la Guarda de Estrecho, almirante general de mar Océano, del Consejo de Guerra de Felipe IV, gobernador y capitán general de Galicia") era Luis Fajardo, que tinha sido "comendador del Moral, OCal, capitán general de la Armada del mar Océano, capitán general en la conquista de la Mármora".
</ref>"Desde os primeiros annos cultivou com tanta aplicação as letras como que não havia de manejar as Armas. Aprendeu as disciplinas Mathematicas com o P. Delgado discipulo do infsgne P. Chriftovão Clavio em que fez admiráveis progressos a sua comprehensão."
O prólogo da sua carreira militar começou no apoio à pretensão do Prior do Crato D. António, contra Filipe II de Espanhaquando na Armada Ingleza veyo embarcado em favor do Senhor D. António Prior do Crato pertendente da Coroa Portugueza. Nesta jornada se habitou para quatro vezes exercitar o posto de Capitão mór das Naos da India sendo a primeira no anno de 1581 em que triunfou heroicamente dos Malabares; a segunda no anno de 1609 capitaneando cinco Galeoens; a terceira no anno de 1614 em que infelizmente arribou a Lisboa, e a quarta no anno de 1616 em que depois de pelejar intrepidamente com quatro Naos Inglezas, naufragou na Costa da Ilha de S. Lourenço donde surgio em Goa.
Enquanto embaixador de Filipe III esteve com o Duque de Pastrana nas negociações com os franceses. Regressado, recebeu depois os lugares de Cronista-mor e Cosmógrafo-mor:Retirado a huma dilatada quinta que possuia em Campo-Mayor solar da sua Casa renovou os seus antigos estudos em premio dos quaes foy nomeado Chronista mór do Reyno no anno de 1628, e do lugar de Cosmografo mór, que vagara por Manoel de Figueiredo, discipulo do famoso Pedro Nunes.
Depois, enquanto General da Armada, celebrizou-se pela reconquista da Bahia aos Holandeses em 1625 (...) governando com o posto de General da Armada que constava de vinte seis navios guarnecidos de quatro mil homens, com a qual se restaurou no ano de 1625 a Bahia do violento domínio dos Holandeses, em cuja heróica empresa adquiriu novos timbres ao seu nome venerado por "vigilante Capitão", "valeroso Soldado", e "destro mareante".
Mas por outro lado, previu o insucesso de uma Armada que vinha da Índia em 1626Sendo mandado no anno de 1626 conduzir as Naos, que vinhão da índia governadas pelo Capitão mór Vicente de Brito de Menezes, sahio acompanhado de muita Fidalguia na Capitania, e Almirante com os navios S. Jozé, San Tiago, S. Filippe, e S. Isabel, os quaes todos com os dous que vinhaõ da índia naufragarão lastimofamente na Costa de França em 15 de Janeiro de 1627. A fatalidade deste socesso vaticinou como experimentado General escrevendo a ElRey huma carta em 25 de Dezembro na qual lhe dizia. «Com tudo, Senhor, por seguir a estes cegos vou perderme com elles julgando ser assim maior serviço de V. Magestade, e honra minha que escapar para ouvir sua triste forte, e dar a V. Magestade (ainda que sem culpa) taõ ruim conta das armas, que me tem encarregado».
Frazão de Vasconcellos só reconhece três Armadas da Índia em que Manuel de Meneses foi como capitão-mor:
Diz-nos "que a primeira capitania-mor de D.Manuel de Meneses que se encontra documentada é a da armada de 1609, de cinco naus, que saíu a barra de Lisboa em 22 de Março. Manuel ia na nau Piedade. As outras eram a Jesus, capitão Antonio Barroso; a Penha de França, capitão Ambrósio de Pina; a Guadalupe, capitão Luís de Bardi.
Da viagem da nau Piedade existe o diário de bordo, escrito pelo piloto Simão Castanho. Faz parte do códice pertencente ao Arquivo Histórico Militar, que a Agência-Geral do Ultramar devia publicar, com prefácio e notas do senhor comandante Humberto Leitão. Essa armada teve "grande proveito" como no diz o capitão-mor ele mesmo numa Petição ao Conselho da Fazenda em 29 de Fevereiro de 1616. Depois houve a "Armada de 1613, (que se) compunha de quatro naus e partiu de Lisboa em 5 de Abril. Manuel de Meneses, capitão-mor, ia na nau Nossa Senhora da Luz. Arribaram todas as naus a Lisboa no mês de Agosto e não tornaram a saír nesse ano".
E por fim "a terceira e última capitania-mor da carreira da Índia de que teve mercê foi a da armada de 1616, composta das naus S. Julião, em aquale ia embarcando, e das Vencimento e Nossa Senhora do Cabo, capitaneadas, respectivamente, por Lançarote da França Pita e um primo deste, Lançarote da França de Mendonça.
Nos sucessos desta armada avulta o heróico combate que Dom Manuel sustentou com quatro naus inglesas. Seguia só, pois a nau Nossa Senhora do cabo, e a Vencimento (Vencimento do Monte do Carmo), também designada por Nossa Senhora do Carmo, havia-se separado da capitânia por alturas da Guiné".
Reconquista de Salvador da Bahía de Todos os Santos
"Porque um bom juizo em tudo quer discorrer, e não há algum que do seu não seja muito satisfeito"
Tomada da Baía pelos Holandeses