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Marília

Município do estado de São Paulo, no Brasil

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Marília é um município brasileiro do estado de São Paulo, na região Centro-Oeste Paulista. Encontra-se distante da capital do estado 443 quilômetros por rodovia; 529 quilômetros por ferrovia e 376 quilômetros em linha reta. Localiza-se à latitude de -22° 12' 50" S e longitude -49º 56' 45" W, estando a uma altitude de 679 metros. Possui uma área de 1.170,054 quilômetros quadrados, dos quais 23.040 estão em zona urbana. Tem seu nome tirado da obra "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga.

O município é formado pela sede e pelos distritos de Amadeu Amaral, Avencas, Dirceu, Lácio, Padre Nóbrega e Rosália.

Em 2016 a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) classificou a cidade como a 23ª melhor do país para se viver; em 2017 Marília figurou em estudo do Ipea entre as 15 cidades mais pacíficas do Brasil, em um índice que considera municípios com população superior aos 100 mil habitantes; figurando também no mesmo ano em estudo produzido pela Urban Systems como a 50ª dentre as cem cidades mais conectadas e inteligentes do Brasil.

O município é um importante pólo educacional paulista, contando com quatro instituições públicas de nível técnico e superior (Unesp, Famema, Univesp e Fatec) e instituições privadas como Unimar, Faef, Univem e Anhanguera. Em 2017 foram contabilizados 74 cursos de graduação, sendo administração e pedagogia os mais ofertados. Marília tem uma média de um estudante universitário para cada 18 habitantes.. O município conta, também, com a unidade de pesquisa científica rural Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios/APTA Regional de Marília).

Por conta de seu parque fabril no setor de alimentos, é comum que alguns bairros do município recebam o aroma de doces, biscoitos e chocolates por diversas vezes ao dia e a noite, já que empresas como a Marilan, funcionam ininterruptamente. Diversas empresas de projeção nacional e internacional foram fundadas em Marília, como o Banco Bradesco, a Tam Linhas Aéreas, a Sasazaki, Marilan e a Dori.

Marília possui uma expressiva comunidade nipônica, colocando-se junto a Londrina, como as maiores colônias japonesas do interior do país. A Shindo Renmei, atuante em território brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, foi fundada por ex-militares japoneses em Marília no ano de 1942, sua atuação marcou a história da colônia japonesa no Brasil. A colônia japonesa realiza anualmente uma das maiores atrações do município, o "Japan Fest", ocasião em que é eleita a Miss Nikkey da região de Marília, que é encaminhada para o concurso estadual e posteriormente nacional.

A importância do município no âmbito da colonização japonesa no Brasil, levou-o a receber duas visitas de representantes da Casa Imperial do Japão, sendo uma em 1958 (príncipe Mikasa) e uma em 2018 (princesa Mako), por ocasião dos 50 e dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil, respectivamente; ambos fizeram o plantio simbólico de um Ipê no Paço Municipal.

O artigo 18 da lei 4468 de 1998 institui a Tabebuia Araliacea (Ipê Amarelo), como árvore símbolo de Marília, coincidindo a data da comemoração com o Dia da Árvore (21 de Setembro). Marília possui duas cidades-irmãs japonesas: Higashihiroshima, desde 1980; e Izumisano, desde 2019.

Dados do Conselho Regional de Corretores Imobiliários apontam que, Marília é o segundo município do interior do estado de São Paulo em número de condomínios fechados, com um total de 27 registros, ficando abaixo somente de São José do Rio Preto.

No dia 5 de fevereiro de 2019, em votação na Alesp, Marília foi oficialmente reconhecida como município de interesse turístico, inaugurando uma nova fase em sua trajetória de desenvolvimento. Um dos grandes potenciais de Marília é o seu patrimônio paleontológico, com importantes achados de fósseis de dinossauros datados de cerca de 70 milhões de anos.

Há cerca de 70 milhões de anos, a região onde hoje fica Marília e o oeste paulista foi habitada por dinossauros e outros animais pré-históricos. Esses animais tiveram seus restos ósseos petrificados em sedimentos arenosos de primitivos rios e lagos. Com as transformações geológicas ocorridas ao longo do tempo, esses ambientes primitivos se modificaram, e os sedimentos se transformaram em rochas, conhecidas principalmente como arenitos, e os ossos se tornaram fósseis. Essas rochas são as mesmas que hoje constituem as serras e escarpas que rodeiam a cidade, como os paredões de arenito do vale do Barbosa na Via Expressa, a Serra de Avencas, o vale do Pombo, a Serra de Dirceu (adiante do aeroporto) e muitas outras.

O registro inicial da presença de dinossauros na região de Marília ocorreu em 1993, com a descoberta, pelo pesquisador William Nava, dos primeiros fósseis comprovadamente pertencentes a dinossauros (titanossauros) achados numa estrada municipal, 16 km a norte da cidade. Essa descoberta colocou Marília na rota dos dinossauros, revelando mais uma região fossilífera para a paleontologia brasileira. Outro achado importante para a paleontologia foi a descoberta (a partir de 1995) de fósseis de um pequeno crocodilo da era dos dinossauros, em rochas da formação Adamantina, próximas ao Rio do Peixe, sul de Marília. Esse crocodilo recebeu, inclusive, o nome da cidade, sendo batizado em 1997 como Mariliasuchus amarali. Seus restos fossilizados têm permitido uma melhor compreensão acerca dos ecossistemas do passado. Outro pequeno crocodilo fóssil achado na região é o Adamantinasuchus navae.

A cidade ganhou mais projeção ainda com a descoberta (também pelo paleontólogo William Nava em 2009) e escavações (entre 2011 e 2012) de um esqueleto semiarticulado de um grande dinossauro herbívoro (outro titanossauro) que viveu na região entre 70 e 80 milhões de anos atrás e que ficou conhecido como "Dino Titã de Marília". Por apresentar cerca de 60 a 70% dos ossos preservados, como boa parte da coluna vertebral, é considerado, até o momento, um dos mais completos titanossauros já encontrado no Brasil, tornando Marília um importante centro para estudos paleontológicos de projeção nacional, e fazendo com que a cidade seja também conhecida como "Terra de Dinossauros".

No final de 2021 o Museu de Paleontologia de Marília anunciou novos achados de restos ósseos de titanossauros trazidos à luz por ocasião das recentes obras de ampliação da rodovia SP-333. Os fósseis foram coletados há 6 km a oeste de Marília, e compreendem partes do esqueleto pós craniano desses saurópodes, como fêmures, costelas, fragmentos de vértebras e outros materiais indefinidos.

Em novembro de 2023 a Universidade de São Paulo anunciou à comunidade científica os resultados do estudo de um novo e importante fóssil. Trata-se do Mariliabatrachus navai, um pequeno sapo pré-histórico descoberto na região de Marília entre os anos 2000 e 2001 pelo paleontólogo William Nava. Os fósseis representam vários espécimes, inclusive um deles com crânio preservado, o que permite uma série de estudos avançados, em busca do entendimento de como esse pequeno grupo de anfíbios evoluiu ao longo de tempo geológico.

Parte dos fósseis encontrados pela região é hoje objeto de estudo em parceria com instituições científicas, como também uma parte se encontra exposta no Museu de Paleontologia de Marília, sendo hoje também referência nacional na área de paleontologia.

A primeira ocupação humana: os caingangues

Quando da chegada do "homem branco", o estado de São Paulo era habitado por inúmeras tribos de índios. Quando a ocupação do território avançou a oeste, uma das etnias que aqui estavam eram os caingangues. Suas aldeias podiam ser encontradas numa vasta área que se situava entre as elevações da Cuesta de Botucatu e a margem esquerda do Tietê, ou na outra margem, até a região atual de Dois Córregos.

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