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Marcel Petiot

Assassino em série francês (1897–1946)

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Marcel André Henri Félix Petiot (17 de janeiro de 1897 - 25 de maio de 1946) foi um médico e assassino em série francês. Foi condenado por múltiplos homicídios depois da descoberta dos restos mortais de 23 pessoas na sua casa em Paris, durante a Segunda Guerra Mundial. É suspeito da morte de cerca de 60 pessoas durante a sua vida, apesar de o verdadeiro número continuar desconhecido.

Petiot nasceu a 17 de janeiro de 1897 em Auxerre, França. Mais tarde foram feitas várias queixas sobre a sua delinquência e atos criminosos durante a juventude, mas não se sabe se foram inventados, posteriormente, pela opinião pública. Deve ser notado, contudo, que um psiquiatra diagnosticou-lhe um problema mental a 26 de março de 1914 e Petiot foi expulso da escola várias vezes. Acabou a sua educação numa academia especial em Paris, em Julho de 1915.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Petiot voluntariou-se para o exército francês, entrando em serviço e janeiro de 1916.

Na Segunda Batalha de Aisne, foi ferido e gazeado, e exibiu mais sintomas de esgotamentos nervosos. Foi enviado para vários asilos, onde foi preso por roubar cobertores do exército, morfina e outros suplementos do exército, assim como carteiras, fotografias e cartas; foi preso em Orleães. Num hospital psiquiátrico em Fleury-les-Aubrais, foi novamente diagnosticado com vários problemas mentais, mas voltou à frente em Junho de 1918. Foi transferido 3 semanas depois após, alegadamente, ter ferido o seu próprio pé com uma granada, mas foi associado a um novo regimento em Setembro. Um novo diagnóstico foi suficiente para o retirar com uma pensão por praticar ações sexuais com os assassinados já mortos

Depois da guerra, Petiot entrou no programa de educação acelerada direcionada para veteranos de guerra, completou o curso de medicina em 8 meses, e tornou-se um interno no hospital psiquiátrico em Évreux. Recebeu o seu grau de medicina em Dezembro de 1921 e mudou-se para Villeneuve-sur-Yonne, onde recebeu pagamentos pelos seus serviços tanto dos pacientes como da assistência médica governamental. Neste ponto, já usava narcóticos. Enquanto trabalhava em Villeneuve-sur-Yonne, ganhou reputação pelas suas práticas médicas dúbias, tanto como receitar narcóticos, fazer abortos ilegais e roubo (por exemplo, dinheiro do tesouro da cidade, a bateria de uma banda local e uma cruz de pedra).

A primeira vítima de Petiot foi Louise Delaveau (a filha de um paciente idoso), com quem teve um caso em 1926. Delaveau desapareceu em Maio, e os vizinhos mais tarde disseram que tinham visto Petiot carregar uma mala para o seu carro. A polícia investigou, mas acabou por desistir e o seu caso foi um beco sem saída. Nesse mesmo ano, Petiot concorreu a presidente da cidade e contratou alguém para perturbar um debate político com o seu oponente. Ganhou e, uma vez no lugar, desviou fundos da cidade.

Em junho de 1927, casou-se em Seignelay, com Georgette Lablais, de 23 anos, filha do proprietário de um restaurante local. O filho do casal, Gerhardt, nasceu em abril de 1928.

O prefeito de Yonne Département recebeu várias queixas sobre os roubos de Petiot e os sobre os seus negócios obscuros. Petiot foi suspenso de presidente em Agosto de 1931 e demitiu-se. Contudo, ainda tinha vários apoiantes, e o concelho da vila também se demitiu por solidariedade. Cinco semanas depois, a 18 de Outubro, foi eleito conselheiro do Yonne Département. Em 1932, foi acusado de roubar energia elétrica da vila, e perdeu o lugar no conselho. Entretanto, já se tinha mudado para Paris.

Em Paris, Petiot atraiu pacientes com credenciais falsas e construiu uma reputação impressionante através das suas consultas no número 66 da Rue de Caumartin. Todavia, existiram rumores de abortos ilegais e excessivas receitas de remédios aditivos. Em 1936, foi apontado como médecin d'état-civil com autoridade para assinar certidões de óbito. Nesse mesmo ano, foi brevemente institucionalizado por cleptomania, mas foi libertado no ano seguinte. Ainda continuava a fugir aos impostos.

Atividades na Segunda Guerra Mundial

Em 1940, depois de a Alemanha derrotar a França, muitos cidadãos franceses eram levados para trabalhos forçados na Alemanha. Petiot providenciava atestados de invalidez a quem fosse escolhido. Também tratava doenças dos trabalhadores que voltavam. Em julho de 1942, foi acusado de receitar demasiados narcóticos, apesar de duas testemunhas contra ele terem desaparecido. Foi multado em 2 400 francos.

Mais tarde, Petiot alegou que, durante o período da ocupação alemã, estivera associado a atividades da Resistência e que teria desenvolvido armas secretas capazes de matar os alemães sem deixar provas forenses. Disse ainda ter plantado armadilhas por toda a cidade de Paris e que tivera várias reuniões de alto nível com o comando dos Aliados, além de ter trabalhado com um grupo (inexistente) de espanhóis antifascistas.

Não havia provas que suportassem qualquer uma dessas declarações. Contudo, em 1980, Petiot foi apontado pelo espião John F. Grombach como tendo sido uma fonte de informações, durante a Segunda Guerra Mundial. Grombach era o fundador e líder de The Pond, uma pequena agência de espionagem do governo dos Estados Unidos que operou entre 1942 e 1955. Segundo ele, Petiot havia reportado o Massacre de Katyn, o desenvolvimento de mísseis alemães em Peenemünde e os nomes dos agentes da Abwehr enviados para os E.U.A. Na ocasião, nenhuma dessas afirmações foi comprovada por registos de outros serviços de inteligência. Todavia, em 2001, alguns registos de The Pond foram descobertos, incluindo um telegrama que mencionava Petiot.

A atividade mais lucrativa de Petiot durante a ocupação foi uma falsa rota de fuga. Sob o codinome de "Dr. Eugéne", Petiot simulava dispor de meios para retirar da França pessoas perseguidas pela Gestapo ou pelo governo de Vichy. Petiot lhes dizia que conseguiria obter passagens para a Argentina ou outro local na América do Sul através de Portugal, pelo preço de 25 000 francos por pessoa. Três cúmplices, Raoul Fourrier, Edmond Pintard e René-Gustave Nézondet, recrutavam os interessados, que incluíam judeus, lutadores da Resistência e criminosos comuns. Uma vez com as vítimas sob o seu controlo, Petiot lhes dizia que, por exigência das autoridades do país de destino, todas elas deveriam ser previamente vacinadas contra determinadas doenças. Com essa desculpa, injetava-lhes cianeto. Depois retirava-lhes todos os bens e livrava-se dos corpos.

Primeiro, Petiot livrava-se dos corpos no rio Sena e, mais tarde, destruía os corpos, afundando-os em cal ou queimando-os. Em 1941, Petiot comprou uma casa no número 21 de Rue le Sueur, na mesma semana em que Henri Lafont voltou a Paris com dinheiro e permissão da Abwehr para recrutar novos membros para a Gestapo francesa.

O que Petiot falhou em fazer foi manter-se discreto. A Gestapo eventualmente descobriu-o e, em Abril de 1943, descobriram tudo sobre este "plano de fuga" para pessoas procuradas, e assumiram como parte da Resistência. O agente da Gestapo Robert Jodkum forçou o prisioneiro Yvan Dreyfus para se aproximar da suposta rede, mas Dreyfus simplesmente desapareceu. Um informador, mais tarde, infiltrou-se na operação, e a Gestapo prendeu Fourrier, Pintard e Nézondet. Sob tortura, confessaram que "Dr. Eugéne" era Marcel Petiot. Nézondet foi libertado, mas os outros três passaram 8 meses na prisão, suspeitos de terem ajudado judeus a escapar. Mesmo sob tortura, não identificaram mais nenhum membros da Resistência porque não conheciam ninguém. A Gestapo libertou os três homens em Janeiro de 1944.

A 11 de março de 1944, os vizinhos de Petiot na Rue Le Sueur queixaram-se à polícia de um cheiro desagradável na zona e uma grande quantidade de fumo que saia de uma chaminé da casa. Com receio de incêndio, a polícia chamou os bombeiros, que entraram em casa e encontraram uma fogueira na cave. Na fogueira, e na cave, existiam restos humanos.

David King diz em Morte na cidade da Luz: O assassino em série na Paris ocupada por nazis, capítulo 11:

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