Marcial Maciel Degollado LC (Cotija de la Paz, Michoacán, México, 10 de março de 1920 — Jacksonville, 30 de janeiro de 2008) foi o fundador dos Legionários de Cristo e do movimento Regnum Christi e predador sexual. Sua mãe, Maura Degollado Guízar, era sobrinha de São Rafael Guízar y Valencia, e formou seus filhos na piedade e caridade cristãs, ensinando-lhes a sair ao encontro das necessidades materiais e espirituais das pessoas; seu pai era proprietário de terras. Apesar da sua aparente vida de conformidade com os ditames da Igreja Católica, Maciel teve uma vida dupla e assumiu várias identidades. Abusou sexualmente de vários rapazes menores. Para além disso sabe-se que teve casos com pelo menos duas mulheres, e tinha seis filhos, dois dos quais também teria abusado - era viciado em morfina e plagiou uma das suas mais importantes obras. Tudo isto foi reconhecido pelos Legionários de Cristo na sua página de Internet após uma investigação da Congregação para a Doutrina da Fé que chegou às mesmas conclusões.
O Papa Bento XVI (J. Ratzinger), afastou-o das suas funções sacerdotais e aconselhou-lhe uma vida de oração e penitência pelos pecados cometidos. O Vaticano, em 2010, afirmou que ele mantinha um “comportamento séria e objetivamente imoral”, acusando-o de levar uma vida “desprovida de qualquer escrúpulo e autêntico sentido de religião”.
É sabido que, ao fim de sua vida, no ano de 2008, Pe. Marcial Maciel morreu impenitente, recusando os sacramentos da Igreja, ao lado de uma das suas mulheres e sua filha.
Maciel nasceu em Cotija, Michoacán, México, em 1920, o mais novo rapaz de nove filhos, numa família com fortes ligações à Igreja Católica. Numerosos parentes eram sacerdotes da igreja. Ele teve uma juventude problemática: seu pai ridicularizava-o por o achar afeminado, e encorajava os seus irmãos a chicoteá-lo. Ele enviou-o para trabalhar nos campos para que endurecesse; anos mais tarde Maciel disse a uma das suas vítimas que os condutores de mulas no rancho de seu pai tinham abusado sexualmente dele.
A população de Cotija de la Paz no começo do século XX se distinguia por uma profunda religiosidade, caracterizada por tradições piedosas variadas e pelo florescimento de vocações sacerdotais e religiosas, tendo sido o berço de seis bispos.
Quando Marcial estava prestes a cumprir sete anos, chegou à sua cidade o movimento "cristero". A insegurança da época levou a família Maciel a mudar para Jamay (Jalisco) e Zamora (Michoacán), onde Marcial receberia clandestinamente sua primeira comunhão. Ele viveu seus primeiros anos em um ambiente marcado pelo testemunho heróico de numerosos cristãos na época da perseguição religiosa.
Quando ele tinha nove anos de idade, o governo e a Igreja chegaram aos chamados "arreglos" e as tropas cristeras foram dissolvidas. Novamente em Cotija, Marcial continuou sua educação cristã, cursando os primeiros anos do Ensino Fundamental na escola particular de Maria Neri, aprendendo especialmente do exemplo de sua mãe.
Já adolescente, contemplando o cemitério, as casas e as pessoas do seu povoado, desde uma colina das imediações, Marcial diz ter pensado: "no fim de sua vida só restará o que tivermos feito por Deus e pelos nossos irmãos".
Aos quinze anos, predominando ainda um ambiente hostil com relação à Igreja, ele entrou no seminário que seu tio-avô São Rafael Guízar y Valencia, bispo de Veracruz, dirigia clandestinamente na Cidade do México. Em 1936, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, orando diante do sacrário, ele teria experimentado um impulso interior que interpretou como o chamado de Deus para que reunisse um grupo de sacerdotes que percorressem o mundo transmitindo sem descanso o amor de Jesus Cristo. Essa ideia frutificaria, anos mais tarde, na fundação da congregação religiosa dos Legionários de Cristo e, posteriormente, do seu ramo laico, Regnum Christi.
Em Junho de 1938, morre Rafael Guízar, de ataque cardíaco, um dia depois de ter uma violenta discussão com Maciel, a propósito de queixas de vizinhos sobre o comportamento deste. O seu sucessor expulsa M.Maciel do seminário.
De setembro de 1938 a junho de 1939, Marcial estudou no Seminario Interdiocesano de Montezuma, donde é também expulso. Vai para Cuernavaca, onde teria continuado seus estudos sob a orientação do bispo de Cuernavaca, Francisco González Arias, seu tio distante. Em 6 de Dezembro de 1939 regressa como seminarista a Montezuma, e em 17 de Junho de 1940 é mais uma vez expulso, sem serem dados a conhecer os motivos. Ele dirá que a causa foi organizar um grupo de devoção ao Sagrado Coração.
Começou a reunir alguns meninos (de 9 a 14 anos) para dar início à sua fundação; alguns deles seriam os primeiros co-fundadores. Assim, com a bênção do bispo F.Arias, no dia 3 de janeiro de 1941, estabeleceu-se uma comunidade na forma de seminário menor, constituída por 13 adolescentes e pelo jovem fundador de 20 anos. Eles se reuniram nos quartos emprestados de uma casa da Cidade do México. Desde Maio desse ano, a escola contaria com uma casa própria em Tlalpan (Distrito Federal do México).
Nos anos seguintes, Marcial estudou, arrecadou doações, atendeu a formação dos alunos e buscou novas vocações. No dia 26 de novembro de 1944, o fundador da Legião de Cristo foi ordenado sacerdote na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, localizada na Cidade do México, acompanhado por seus familiares, alguns benfeitores e um grupo crescente de jovens que também dedicariam sua vida com empenho à fundação da nova obra.
Marcial Maciel, depois de visitar a Espanha e Roma, entre maio e junho daquele ano, pôde levar, em setembro, parte dos seminaristas a Comillas (Cantábria, Espanha), para que esses estudassem na renomada universidade pontifícia daquela localidade. Ainda que não tenham faltado adversidades, no dia 13 de junho de 1948, o bispo de Cuernavaca, Mons. Alfonso Espino y Silva, erigiu canonicamente a congregação religiosa dos Missionários do Sagrado Coração e da Virgem das Dores, que mais tarde seria chamada de Legionários de Cristo. Os membros do instituto, incluindo os seminaristas menores, já eram 50.
No coração do século das ideologias, da secularização e do pragmatismo, Marcial Maciel pregava que a felicidade humana se encontra na amizade pessoal com Jesus Cristo. Para ajudar este mundo que "se apaga e morre por falta de Cristo", Referência insuficiente ele tenta reunir um grupo de homens e mulheres que conheçam, vivam e transmitam o amor de Cristo, comprometidos a dar o melhor de si mesmos no esforço por comunicá-lo eficazmente ao seu próximo.
Um pedido a salvação das almas
Na década de 1940, o fundador da Legião de Cristo viaja e percebe que a sociedade se seculariza progressivamente; ele afirma ter a impressão de que as pessoas não percebiam que – como lamentaria Paulo VI em 1975 – "a ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época" (Evangelii nuntiandi, 20). Pio XII (Eugenio Pacelli) o confirmará em sua intuição: "eles deverão ser 'como um exército em ordem de batalha' (Cântico dos Cânticos, 6, 10) e hão de se empenhar na formação de católicos com liderança para os novos tempos".
O Movimento Regnum Christi será, desde os anos 1960, um dos principais instrumentos mediante o qual M. Maciel buscará formar apóstolos genuinamente cristãos. Alguns de seus membros consagram toda a sua vida a Deus na pobreza, castidade e obediência, dedicando-se em tempo integral às obras de apostolado.