Marcos Ribeiro do Val GORB • GOMA • GOMD (Vitória, 15 de junho de 1971) é um instrutor, consultor, palestrante, político e ex-militar brasileiro, filiado ao Avante. Nas eleições de 2018, foi eleito senador pelo Espírito Santo. Tem atuação principalmente na área de segurança pública.
Em julho de 2025, antes de desobedecer uma determinação do Supremo Tribunal Federal e viajar para os Estados Unidos, Marcos do Val gabou-se de alegadamente ter um visto reservado para informantes, que fornecem dados valiosos para os interesses do governo estadunidense.
Marcos Ribeiro do Val é natural de Vitória (ES), nascido em 15 de junho de 1971. Prestou o serviço militar obrigatório no Exército Brasileiro, lotado no 38º Batalhão de Infantaria, sediado no Espírito Santo. Após uma entrevista em 2008 no extinto Programa do Jô, da Rede Globo, o instrutor recebeu significativa atenção da mídia, sendo convidado regularmente por veículos de comunicação no Brasil para opinar sobre assuntos relacionados à segurança pública.
Marcos do Val participou de eventos relacionados a temática da segurança pública. Como instrutor, ainda participou na produção de alguns filmes na preparação de atores, como no filme Tropa de Elite 2.[carece de fontes?] Além disso, costuma dar entrevistas em que opina sobre temas concernentes a essa área, além de demonstrar parte das técnicas que costuma ensinar em seus cursos para policiais. No programa The Noite no SBT, ele costuma aparecer em quadros humorísticos em que demonstra formas de abordagem e imobilização de suspeitos.
No início dos anos 1990, fundou a CATI, empresa de segurança voltada ao treinamento avançado de policiais. Por meio dessa empresa, do Val tem ministrado cursos e palestras que visam a difusão de de diversas técnicas e doutrinas inerentes à atuação policial, como abordagens e imobilizações táticas não letais.
Segundo o instrutor, sua motivação em desenvolver essas técnicas e aplicá-las nas policias partiu do desejo em mitigar a violência e casos de fatalidade em abordagens policiais mal sucedidas devido à falta de treinamento necessário. Boa parte dessas técnicas foram criadas por Marcos do Val a partir de sua experiência nas Forças Armadas do Brasil, do apoio da Budokai Centro de Artes Marciais de Vitória e de sua formação em Aikidô, especialidade em que é mestre de 2º grau e credenciado pela Federação Internacional de Aikidô, situada em Tóquio, no Japão.
Essas técnicas envolvem táticas para manipular e imobilizar suspeitos essencialmente por meio do uso de mãos ou mãos com algemas, ainda envolvendo um contexto de estresse, risco e imprevisibilidade.
O sucesso com as experiências iniciais de seu curso, motivou do Val a difundir esses conhecimentos para policiais de outros países. No final da década de 1990, passou a trabalhar como instrutor da polícia de Dallas, Texas, nos EUA, nas unidades da SWAT (Special Weapons And Tactics), o grupo de elite da polícia norte americana. Nessa polícia, e mais tarde nas unidades de polícia de outras cidades americanas como Beaumont e Rowlett, dedicou-se a ministrar o curso “Super SWAT” voltado ao preparo para enfrentamento de situações críticas, com técnicas de invasão, abordagem, imobilização e combate, tendo inclusive acompanhado algumas operações.
Anos mais tarde, ministrou cursos para agentes do FBI, DEA, U.S. Marshalls, o grupo anti-terrorismo da equipe de Operações Especiais da NASA (a Marshall Space Flight Center), a segurança do Vaticano, a Carabineri da Polícia de Roma e para militares das Forças Armadas Americanas.
Também passou a integrar a associação TTPOA (Texas Tactical Police Officers Association), que reúne equipes de instrutores para aprimorar sua formação e aumentar os conhecimentos, em que na convenção anual ministra o curso de Imobilizações Táticas.
Em outubro de 2008, após o trágico desfecho do caso Eloá Cristina, ele foi entrevistado no programa Fantástico, no qual teceu críticas a respeito das falhas da atuação da Polícia Militar de São Paulo e também da atuação do então governador do estado, José Serra. Na ocasião, criticou o governo do estado por ter supostamente feito ingerência na atuação da polícia, o que teria em parte contribuído para a fatalidade.
Segundo sua avaliação, “teria que ter um policial com escudo balístico na frente, a Nayara do lado, o policial segurando ela para se aproximar, para falar. Se for o caso, recuar. Mas não deixar ela sozinha, andando, abrindo a porta. O sequestrador se sentiu poderoso nessa hora, porque teve a refém de volta. É um erro gravíssimo e eu sinto vergonha de ser brasileiro e saber que a polícia brasileira fez isso". As colocações do instrutor motivou críticas de algumas pessoas, porém, ele posteriormente foi ao programa Mais Você da mesma emissora explicar suas colocações, em que disse que foram descontextualizadas, pois não teve a intenção de dizer que tinha vergonha da sua nacionalidade ou da polícia do país. Porém, alguns reiteraram suas críticas a Marcos do Val, entre eles, o jornalista e então blogueiro da VEJA Reinaldo Azevedo, que fez um artigo em sua página com o título “quem realmente é o suposto especialista da SWAT” onde alegou que Marcos era um mero professor de Taekwondo. Isso fez com que do Val ingressasse com uma ação indenizatória contra o jornalista. Posteriormente o link original do artigo foi retirado do ar.
A história do instrutor virou tema de um livro chamado “Um Brasileiro na SWAT”, de autoria da jornalista Ana Lígia Lira, publicado em 2013. O livro essencialmente narra as experiências de Marcos nos EUA na sua atuação como instrutor de segurança pública, também descreve aspectos da juventude e dificuldades que enfrentou no início de sua carreira.
Nas eleições de 2018, Marcos do Val, filiado ao Partido Popular Socialista (PPS), foi eleito senador pelo estado do Espírito Santo, recebendo um total de 863 359 votos, 24,08% dos votos válidos. Posteriormente o seu partido mudou a denominação para Cidadania. Em agosto de 2019, se desligou do Cidadania e se filiou ao Podemos.
No dia 21 de Setembro de 2023, Marcos do Val se filiou em uma reunião com o senador: Izalci Lucas do Distrito Federal, ao PSDB, porém, o parlamentar capixaba ficou menos de 24 horas na legenda e desistiu da migração depois de a Executiva Nacional do PSDB divulgar uma nota informando que não aceitaria a filiação.
Na época, o Partido possuía a intenção de filiar seu terceiro senador para não perder a sua sala no senado, onde segundo parlamentares é muito bem localizada. Apesar da Executiva do PSDB ter barrado Marcos do Val no partido, Marcos trabalhou no senado (ainda que menos de 24h) como membro da Bancada Tucana, chegando até ser registrada no site do senado como membro do PSDB. Porém, de acordo com a certidão de filiações partidárias, Do Val nunca chegou a ser filiado ao partido.
Izalci acredita que este trabalho com Marcos foi necessário para o Presidente do Senado aceitar seu pedido para um novo prazo de 90 dias, para conseguir a filiação de um novo senador.
Após não conseguir se filiar ao PSDB, Marcos retorna ao Podemos.