Margaret Hilda Thatcher, Baronesa Thatcher de Kesteven; LG, OM, PC, FRS, FRIC (Grantham, 13 de outubro de 1925 – Londres, 8 de abril de 2013) foi uma química, advogada, consultora e política britânica que foi Líder da Oposição entre 1975 e 1979 e exerceu o cargo de Primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo. Thatcher também era conhecida pela alcunha "Dama de Ferro", dada por um jornalista soviético e que se associou ao seu estilo de liderança. Como primeira-ministra, implementou políticas que passaram a ser conhecidas como Thatcherismo.
Graduada em Química pela Somerville College, Universidade de Oxford, Thatcher também trabalhou como barrister antes de ser eleita para a Câmara dos Comuns pelo distrito de Finchley em 1959. O primeiro-ministro Edward Heath nomeou-a sua secretária de Estado para Educação e Ciência em seu governo conservador. Em 1975, Thatcher derrotou Heath na eleição pela liderança do Partido Conservador, tornando-se a líder da Oposição, bem como a primeira mulher a liderar um grande partido político no Reino Unido. Após vencer as eleições de 1979, foi empossada como primeira-ministra.
Thatcher introduziu uma série de iniciativas políticas e econômicas destinadas a reverter o alto desemprego e as dificuldades do país na sequência de uma recessão. Sua filosofia política e suas políticas econômicas enfatizaram a desregulamentação (particularmente do setor financeiro), mercados de trabalho flexíveis, a privatização de empresas estatais e a redução do poder e influência dos sindicatos. A popularidade de Thatcher durante seus primeiros anos no cargo diminuiu em meio à recessão e ao aumento do desemprego, até a vitória na Guerra das Malvinas em 1982 e a recuperação da economia, que fizeram seu apoio popular ressurgir e ser decisivamente reeleita em 1983. Em 1984, sobreviveu a uma tentativa de assassinato.
Thatcher foi reeleita em 1987. Em seu terceiro mandato, o seu apoio a um imposto comunitário foi amplamente impopular, e suas opiniões sobre a Comunidade Económica Europeia não foram compartilhadas por outros integrantes de seu gabinete. Em novembro de 1990, após sua liderança no Partido Conservador ser desafiada, renunciou como primeira-ministra. Depois de se retirar da Câmara dos Comuns em 1992, recebeu um par vitalício como Baronesa Thatcher (de Kesteven no condado de Lincolnshire), um título que lhe garantiu um assento da Câmara dos Lordes. Em 2013, morreu vitimada por um acidente vascular cerebral aos 87 anos. Sempre uma figura controversa, Thatcher recebeu boas classificações nas pesquisas sobre os melhores e mais influentes governantes da história do país, mesmo que os argumentos sobre o Thatcherismo persistam.
Primeiros anos, família e educação
Thatcher nasceu chamando-se Margaret Hilda Roberts em 13 de outubro de 1925, em Grantham, Lincolnshire. Seus pais eram Alfred Roberts, de Northamptonshire, e Beatrice Ethel (née Stephenson), de Lincolnshire. Margaret passou sua infância em Grantham, onde seu pai era dono de duas mercearias. Antes da Segunda Guerra Mundial, em 1938 a família Roberts deu refúgio a Edith Muhlbauer, uma jovem judia adolescente que escapou da Alemanha nazista. Com 12 anos de idade, Margaret e sua irmã mais velha Muriel arrecadaram dinheiro suficiente com uma campanha no Rotary Club para pagar a viagem e a estadia da adolescente. Muhlbauer permaneceu na casa dos Roberts até 1940; mais tarde, sua filha relatou que Muhlbauer costumava dizer que os Roberts "salvaram sua vida".
Além de comerciante, Alfred Roberts foi um vereador e pregador da fé metodista, tendo criado suas filhas seguindo estritamente os mandamentos de sua religião. Era proveniente de uma família simpática ao Partido Liberal, mas, como era costume no governo local, candidatava-se nas eleições como um político independente. Alfred foi o prefeito de Grantham entre 1945 e 1946, perdendo seu cargo de vereador em 1952 depois que o Partido Trabalhista ganhou sua primeira maioria no Conselho de Grantham em 1950.
Margaret Roberts estudou na Escola Primária Huntingtower Road e transferiu-se para a Escola para Meninas Kesteven e Grantham após ganhar uma bolsa de estudos. Seus registros escolares revelam um trabalho árduo e melhoria contínua; suas atividades extracurriculares incluíam piano, hóquei em campo, recitais de poesia, natação e caminhadas. Em seu último ano em Kesteven e Grantha, candidatou-se a uma bolsa de estudos para estudar Química no Colégio Somerville, pertencente à Universidade de Oxford, na época uma faculdade que aceitava apenas mulheres. Inicialmente rejeitada, ofereceram-lhe uma vaga somente depois que outra candidata desistiu.
Roberts chegou a Oxford em 1943 e graduou-se em 1947 com honras de segunda classe, nos quatro anos de licenciatura em Bacharelado de Ciência em Química, especializando-se em cristalografia de raios X sob a supervisão de Dorothy Hodgkin. Sua dissertação abordou a estrutura do antibiótico gramicidina. Roberts não se dedicou inteiramente ao estudo da química, pois só pretendia ser uma química por um curto período de tempo. Mesmo quando trabalhava nesta área, já estava pensando em leis e política. Ela teria ficado mais orgulhosa de tornar-se a primeira primeira-ministra com um Bacharelado em Ciência do que a primeira mulher a ocupar o cargo, e como primeira-ministra tentou preservar Somerville como uma faculdade apenas para mulheres. Em 1946, tornou-se a presidente da Associação Conservadora da Universidade de Oxford. Ela foi influenciada por trabalhos como O Caminho da Servidão de Friedrich Hayek, que condenou a intervenção econômica do governo como precursor de um estado autoritário.
Durante seus estudos em Oxford, Roberts foi reconhecida por sua postura isolada e séria. Nesta época, conheceu e namorou um jovem chamado Tony Bray (1926–2014), que ficou impressionado com Roberts e posteriormente recordou que era "muito pensativa e muito boa conversadora. Provavelmente o que me interessou. Era boa com assuntos gerais". Sendo mulher, seu entusiasmo pela política o fez pensar que era "incomum". Bray conheceu os pais de Roberts e descreveu Alfred como "um pouco austero" e "totalmente correto" e Beatrice como "muito adequada" e "maternal". Bray e Roberts afastaram-se e, depois da graduação, Roberts mudou-se para Colchester, em Essex, para trabalhar como pesquisadora da BX Plastics. Em 1948, candidatou-se a um emprego na Imperial Chemical Industries, mas foi rejeitada depois que o departamento de recursos humanos a avaliou como "teimosa, obstinada e perigosamente dona da verdade". O professor Jon Agar explorou sua carreira como química e argumentou que sua compreensão da pesquisa científica moderna impactou seus pontos de vista como primeira-ministra.
Início da carreira política e casamento
Roberts juntou-se à Associação Conservadora local e participou da conferência do partido em Llandudno, País de Gales, em 1948, como representante da Associação dos Graduados Conservadores da Universidade. Enquanto isso, tornou-se uma afiliada do Vermin Club, um grupo de conservadores formado em resposta a um comentário depreciativo de Aneurin Bevan. Um de seus amigos de Oxford também era amigo do presidente da Associação Conservadora de Dartford em Kent, que estavam em busca de candidatos. Os oficiais da associação ficaram tão impressionados com Roberts que pediram-lhe para se candidatar, embora não estivesse na lista de aprovados pelo Partido Conservador; ela foi selecionada em janeiro de 1951 (aos 25 anos de idade) e adicionada post ante à lista de aprovados.
Em preparação para a eleição, Roberts mudou-se para Dartford, onde trabalhou como pesquisadora da J. Lyons and Co. como parte de uma equipe que desenvolvia emulsificantes para sorvetes. Nas eleições de 1950 e 1951, foi a candidata dos conservadores à Câmara dos Comuns por Dartford, um distrito considerado fortemente trabalhista. O partido local a escolheu como candidata pois, embora não fosse uma oradora pública dinâmica, estava bem preparada e destemida em suas respostas; outro candidato à vaga, Bill Deedes, lembrou que "assim que ela abria a boca, o resto de nós começava a parecer um pouco de segunda classe". Ela atraiu a atenção da mídia como a mais nova e a única candidata mulher. Roberts perdeu em ambas as ocasiões para o trabalhista Norman Dodds; em 1950, por 56,3-36,2% (uma redução de 16,5% da vantagem trabalhista em relação a 1945) e, em 1951, por 59,1-40,9%.