Margarida II, em dinamarquês: Margrethe II (Margrethe Alexandrine Þórhildur Ingrid, Copenhague, 16 de abril de 1940), é um membro da família real dinamarquesa que reinou como Rainha da Dinamarca, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Dinamarquesas e a autoridade suprema da Igreja Dinamarquesa de 1972 até sua abdicação, em 14 de janeiro de 2024. Tendo reinado por 52 anos como rainha reinante, tornou-se a terceira monarca europeia com o reinado mais longo e a chefe de estado feminina dinamarquesa com mais tempo no cargo. De 1953 até 1972, obteve o título de Princesa Herdeira da Dinamarca, após uma emenda constitucional permitir que as mulheres herdassem o trono dinamarquês.
Ela ascendeu ao trono no dia 14 de janeiro de 1972, após a morte de seu pai, o rei Frederico IX.
Nascida no Palácio de Amalienborg, como membro da Casa de Glücksburg, um ramo cadete da Casa de Oldemburgo, Margarida é a filha mais velha do rei Frederico IX e da rainha Ingrid. Tornou-se herdeira presuntiva de seu pai em 1953 e após sua ascensão em 1972, ela se tornou a primeira monarca feminina da Dinamarca pelo novo Ato de Sucessão, desde da rainha Margarida I, que também foi governante dos reinos da Escandinávia em 1376–1412 durante a União de Kalmar. Em 1967, casou-se com o pseudonobre Henrique de Laborde de Monpezat, com quem teve dois filhos: o rei Frederico X (nascido em 1968) e o príncipe Joaquim (nascido em 1969).
Margarida é conhecida por sua forte paixão arqueológica e participou de várias escavações, inclusive na Itália, Egito, Dinamarca e América do Sul. Ela compartilhou esse interesse com seu avô, o rei Gustavo VI Adolfo da Suécia, com quem passou algum tempo desenterrando artefatos perto de Etrúria em 1962.
Esteve no trono por 52 anos, se tornando a segunda monarca dinamarquesa com o reinado mais longo, atrás apenas de seu ancestral Cristiano IV que reinou por 60 anos. Após a morte da rainha Isabel II do Reino Unido, ela tornou-se a única mulher a reinar à frente de um país. Em seu último ano como monarca reinante, realizou por volta de 55 visitas de estado estrangeiras.
Em seu discurso anual de ano novo, ocorrido em 31 de dezembro de 2023, Margarida II anunciou que iria abdicar do trono dinamarquês em 14 de janeiro de 2024, passando-o então para o então príncipe herdeiro Frederico.
A princesa Margarida nasceu no dia 16 de abril de 1940 no Palácio de Amalienborg, em Copenhague, sendo a filha mais velha do príncipe herdeiro Frederico e da princesa Ingrid. Seu pai era o filho mais velho do rei Cristiano X. Seu nascimento ocorreu apenas uma semana após a invasão da Dinamarca pela Alemanha nazista no dia 9 de abril de 1940. Ela foi batizada no dia 14 de maio de 1940 na Igreja Holmen em Copenhague. Os padrinhos da princesa foram o seu avô rei da Dinamarca, Canuto, Príncipe Herdeiro da Dinamarca, o príncipe Axel da Dinamarca, o rei Gustavo V da Suécia, o príncipe herdeiro Gustavo Adolfo da Suécia, o príncipe Gustavo Adolfo, Duque da Bótnia Ocidental, e o príncipe Artur, Duque de Connaught e Strathearn.
Ela foi nomeada Margarida em homenagem à sua avó materna, a princesa Margarida de Connaught, Alexandrina em homenagem à sua avó paterna, a duquesa Alexandrina de Mecklemburgo-Schwerin, e Ingrid em homenagem à sua mãe. Seu avô, o rei Cristiano X, era também rei da Islândia, e por isso a princesa teve em homenagem ao povo da Islândia, um nome islandês, Þórhildur (escrito com o thorn islandês, que se pronuncia como "th"). Este nome é por vezes anglicizado como "Thorhildur".
Quando Margarida tinha quatro anos, em 1944, nasceu sua primeira irmã, a princesa Benedita, que mais tarde se casou com Ricardo, 6.º Príncipe de Sayn-Wittgenstein-Berleburg. Sua segunda irmã, a princesa Ana Maria, nasceu em 1946 e mais tarde casou-se com Constantino II da Grécia. Em 20 de abril de 1947, o rei Cristiano X morreu e o pai de Margarida ascendeu ao trono como rei Frederico IX.
Margarida frequentou Zahles Skole durante os anos 1946 a 1955, e de 1946 a 1949 como aluna privada no Palácio de Amalienborg. No período de 1955 a 1956, era aluna em North Foreland Lodge, em Hampshire, Inglaterra. Tendo recebido aulas particulares, Margarida graduou-se em Zahles Skole no ensino secundário com o exame de certificado (língua linha), em 1959. Em seguida, entre os anos de 1960 e 1965, estudou em universidades da Dinamarca e outros países europeus. Depois de ter passado no exame de filosofia na Universidade de Copenhaga, em 1960, estudou arqueologia no período entre 1960 a 1961 (ganhando Diploma em Arqueologia Pré-histórica) na Universidade de Cambridge. Posteriormente, estudou ciências políticas na Universidade de Aarhus no período entre 1961-1962, na Sorbonne, em 1963 e na London School of Economics (Escola de Economia de Londres), em 1965. A sua língua materna é o dinamarquês. Além disso, fala francês, sueco, inglês e alemão.
A então princesa Margarida realizou o serviço voluntário com Women's Flying Corps nos anos 1958 a 1970, e recebeu formação abrangente no corpo durante esse período. Ela é a Comandante Suprema das Forças Armadas da Dinamarca. Para além das relações com a defesa dinamarquesa, Margarida II tem uma ligação especial com unidades da defesa britânica. Em 1972, Margarida foi nomeada Coronel-chefe do Regimento da Rainha e, em 1992 foi nomeada Coronel-chefe do Regimento Real da Princesa de Gales.
O príncipe Canuto, tio e padrinho de Margarida, estava destinado a ser o próximo soberano após a morte de Frederico IX. Nem o nascimento de Margarida nem das suas duas irmãs mais novas mudaram esta situação. Conforme o passar dos anos e devido ao fato de Margarida ser mais popular que seu tio, começaram as discussões sobre a mudança na linha de sucessão, que introduziriam a igualdade de gênero na herança ao trono. O processo de mudança da constituição começou em 1947, pouco depois de o pai de Margarida ascender ao trono e ter ficado claro que a rainha Ingrid não teria mais filhos. O Folketinget (Parlamento Dinamarquês) aceitou alterações à lei das sucessões em 1953 onde o novo Ato de Sucessão permitiu a sucessão feminina ao trono da Dinamarca, de acordo com a primogenitura cognática de preferência masculina, onde uma mulher pode ascender ao trono somente se ela não tiver um irmão. Margarida, então com 13 anos, tornou-se a herdeira do trono da Dinamarca. O tio da princesa, Canuto, não gostou disso. Durante a discussão sobre a mudança das regras de sucessão, ele teria dito: "Quero protestar contra tal lei em meu nome e em nome dos meus filhos que ainda não são adultos". Em 2009, a lei de sucessão foi modificada para primogenitura absoluta. No seu décimo oitavo aniversário, 16 de abril de 1958, Margarida recebeu um assento no Conselho de Estado. Posteriormente, ela presidiu as reuniões do Conselho na ausência do Rei.
Durante uma estadia em Londres em 1965, a princesa Margarida conheceu o diplomata francês Henrique de Laborde de Monpezat, que era secretário da legação na Embaixada da França em Londres. O noivado foi anunciado em 5 de outubro de 1966. Eles se casaram em 10 de junho de 1967, na Igreja Holmen, em Copenhague, e a recepção de casamento foi realizada no Palácio de Fredensborg. Laborde de Monpezat recebeu o estilo e o título de "Sua Alteza Real o Príncipe Henrique da Dinamarca" por causa de sua nova posição como marido da herdeiro presuntiva ao trono dinamarquês. Após a ascensão de sua esposa ao trono, Henrique expressou abertamente sua insatisfação pelo fato de não ter recebido o título de rei, mas apenas de príncipe consorte. “Estou com raiva por ser discriminado. A Dinamarca, vista como um país onde a igualdade de gênero é defendida, aparentemente acredita que os maridos valem menos do que as esposas", queixou-se apenas três anos antes da sua morte, em 2015, no jornal francês "Le Figaro". Eles foram casados por mais de cinquenta anos, até a morte de Henrique em 13 de fevereiro de 2018.
Menos de um ano após o casamento, a princesa Margarida deu à luz seu primeiro filho, um menino, em 26 de maio de 1968. Por tradição, os reis dinamarqueses eram alternadamente chamados de Frederico ou Crisitano. Ela optou por manter isso assumindo a posição de "Cristiana" e, assim, nomeou seu filho mais velho, Frederico. No ano seguinte, um segundo filho, chamado Joaquim, nasceu em 7 de junho de 1969.