Maria Amélia Teresa de Bourbon (em italiano: Maria Amalia Teresa di Borbone; Caserta, 26 de abril de 1782 – Esher, 24 de março de 1866) foi Rainha Consorte dos Franceses entre 1830 e 1848, como esposa do rei Luís Filipe I, durante a Monarquia de Julho.
De origem napolitana, Maria Amélia pertencia à Casa de Bourbon-Duas Sicílias e tornou-se uma figura central na vida doméstica da Casa de Orleães, sendo frequentemente descrita como reservada e profundamente religiosa. Embora presente nas cerimônias e na representação pública da monarquia, não desempenhou papel político relevante na condução do governo, que permaneceu sob a autoridade do rei e de seus ministros. Com a eclosão da Revolução de Fevereiro de 1848 e a queda da monarquia, acompanhou Luís Filipe no exílio no Reino Unido. Viúva desde 1850, permaneceu na Inglaterra até sua morte, em 1866.
Maria Amélia era filha do rei Fernando I das Duas Sicílias (na época de seu nascimento, seu pai era conhecido como Fernando IV de Nápoles) e da arquiduquesa Maria Carolina da Áustria e, portanto, neta materna da celébre imperatriz Maria Teresa. Nascida em 26 de abril de 1788 no Palácio de Caserta, nas proximidades de Nápoles, ela foi criada de forma muito religiosa. Na família, ela era chamada de Santa na juventude. Quando criança, a mãe de Maria Amélia e sua tia, Maria Antonieta, arranjaram seu noivado com o filho da rainha francesa, Luís José, delfim da França, seu primo; casamento que não se veio a concretizar em decorrência da morte do jovem delfim em 1789. Madame d'Ambrosio foi a responsável por sua educação. Ela passou a maior parte de sua infância em Palermo, na Sicília, onde ela e sua família se refugiaram e viveram sob proteção britânica durante a ocupação da península itálica pelas tropas de Napoleão Bonaparte em 1798-99 e 1806-14. De 1800 a 1802, ela residiu com a mãe na corte vienense. A morte de sua tia Maria Antonieta durante a Revolução Francesa e as subsequentes ações dramáticas de sua mãe marcaram sua memória.
Em 1808, Maria Amélia foi escolhida como noiva do duque de Orleães, de 34 anos, que vivia no exílio e se tornaria rei dos franceses em 1830. Seu noivo era filho de "Filipe Igualdade" (Philippe Égalité, que foi guilhotinado durante o Período do Terror na Revolução Francesa, e de sua esposa Luísa Maria Adelaide de Bourbon. O projeto de casamento foi realizado com a aprovação do governo britânico. Este último esperava ganhar mais influência sobre a política dos Bourbons que governavam a Sicília, já que a mãe de Maria Amélia, a rainha Maria Carolina, a verdadeira força política dominante na corte napolitana, não era muito anglófila. As expectativas britânicas posteriormente lograram sucesso.
Dois dias após sua chegada a Palermo, em 20 de junho de 1808, o duque de Orleães foi apresentado à sua futura esposa, Maria Amélia. Embora o casamento planejado tenha sido definitivamente decidido naquele momento, ele não ocorreu a princípio porque o duque, como líder militar, queria apoiar a luta dos rebeldes espanhóis contra as tropas de ocupação francesas. Ele esperava se destacar como um general bem-sucedido contra o imperador Napoleão e assim ganhar mais destaque político. Em 4 de julho de 1808, Maria Amélia anotou em seu diário que seu noivo queria ir imediatamente para Gibraltar para liderar os rebeldes e restabelecer o rei legítimo. Entretanto, o governo britânico pôs fim aos seus planos ambiciosos. Seu casamento com Maria Amélia somente ocorreu em 25 de novembro de 1809, em Palermo. Também estavam presentes nesta cerimônia dois parentes do duque de Orleães que viajaram para Palermo com este propósito, a saber, sua mãe Luísa Maria Adelaide e sua irmã Madame Adelaide. Ao passo que o rei Jorge III do Reino Unido concordou imediatamente com o casamento em 7 de novembro de 1809, o chefe dos Bourbons, o futuro rei francês Luís XVIII, somente comunicou sua permissão por carta posteriormente em abril de 1810.
Durante os primeiros anos do seu casamento, Maria Amélia e Luís Filipe viveram sob protecção britânica em Palermo, num palácio que lhes foi oferecido pelo seu pai, o Palazzo Orléans. O casamento de Maria Amélia e Luís Filipe foi muito feliz. O casal gostava muito um do outro, e Maria Amélia sempre apoiou todos os planos do marido. Entre 1810 e 1824, ela lhe deu dez filhos sobreviventes, oito dos quais atingiram a idade adulta:
Fernando Filipe (1810–1842), duque de Orleães, casou-se com a duquesa Helena de Mecklemburgo-Schwerin;
Luísa Maria (1812–1850), casou-se com o rei Leopoldo I da Bélgica;
Maria (1813–1839), casou-se com o duque Alexandre de Württemberg;
Luís (1814–1896), duque de Némours, casou-se com a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry;
Francisca (1816–1818), morreu na infância;
Clementina (1817–1907), casou-se com o príncipe Augusto de Saxe-Coburgo-Gota;
Francisco (1818–1900), príncipe de Joinville, casou-se com a princesa Francisca do Brasil;
Carlos, duque de Penthièvre (1820–1828), morreu na infância;
Henrique (1822–1897), duque de Aumale, casou-se com a princesa Carolina Augusta das Duas Sicílias;
Antônio (1824–1890), duque de Montpensier, casou-se com a infanta Luísa Fernanda da Espanha.
Durante a primeira restauração Bourbon após a queda de Napoleão, Maria Amélia acompanhou o marido à França em setembro de 1814 com seus três filhos, que ela havia dado à luz em Palermo. Ela chegou a Paris em 22 de setembro. Na França, ela deu à luz seu segundo filho varão, Luís, em 25 de outubro de 1814. Quando Napoleão retornou à França, na sequência da fuga de Elba, no início de março de 1815, para retomar o poder, surgiu uma disputa entre Luís Filipe e o rei Luís XVIII. Às diferenças sobre as medidas defensivas a serem tomadas. Na opinião do duque, Maria Amélia e seus filhos estavam em perigo devido ao avanço de Napoleão e deveriam ir para a Inglaterra para se protegerem. Sem obter a permissão do rei, Luís Filipe tomou as medidas necessárias para que Maria Amélia e seus filhos pudessem deixar sua residência, o Palácio Real em Paris, para Londres na noite de 12 para 13 de março. Ela somente encontrou o marido novamente quando ele também chegou à capital inglesa em 4 de abril de 1815. Enquanto isso, Napoleão retomou o poder na França e governou por cem dias.
Maria Amélia viveu com o marido e os filhos na Orléans House, em Twickenham, por dois anos. Após a abdicação final de Napoleão, a segunda restauração Bourbon ocorreu em 1815. Por causa de sua atitude crítica em relação a Luís XVIII e sua política, Luís Filipe e sua família permaneceram inicialmente na Inglaterra. Somente em fevereiro de 1817 ele retornou a Paris. Dois meses depois, Maria Amélia e os filhos também se mudaram definitivamente para a capital francesa, onde ela chegaram em 16 de abril de 1817. Nos anos seguintes, a duquesa viveu principalmente no Palácio Real em Paris, em Vernon ou em Neuilly-sur-Seine. Durante esse período, sua principal preocupação era criar os filhos.