Neste Dia

Maria Esther Bueno

Tenista brasileira

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Maria Esther Andion Bueno (São Paulo, 11 de outubro de 1939 — São Paulo, 8 de junho de 2018), conhecida no exterior como Maria Bueno, foi uma tenista brasileira, que atuou nas décadas de 1950, 1960 e 1970, sendo uma das raras tenistas a conquistar títulos em três décadas diferentes. Segundo o jornalista esportivo José Nilton Dalcim: “Maria Esther Bueno é a maior atleta feminina brasileira de todos os tempos. Seus feitos são incríveis e seu reconhecimento internacional, imenso. Sem falar que foi um exemplo de como superar dificuldades para obter sucesso”.

Maior nome do tênis brasileiro (incluindo homens e mulheres), eleita a melhor tenista do século XX da América Latina, e incluída em 2012 na posição 38 entre os 100 Melhores Tenistas da história (incluindo homens e mulheres) pelo canal Tennis Channel, em seus vinte anos de carreira, colecionou 589 títulos internacionais, entre os quais se destacam feitos importantes, como a conquista dos torneios individuais de Forest Hills (atual US Open), em 1959, 1963, 1964 e 1966, e os de duplas de 1960 e 1962 (com Darlene Hard), e 1968 (com Margaret Smith Court). Ao todo, Bueno venceu dezenove torneios do Grand Slam (sete na categoria simples; onze em duplas femininas; um em duplas mistas). Segundo a Federação Internacional de Tênis, foi a n.º 1 do mundo em 1959, na categoria individual feminina. O International Tennis Hall of Fame também a incluiu como a melhor tenista do mundo, em 1964 (depois de perder a final no Torneio de Roland-Garros e ganhar Wimbledon e o U.S. Open) e 1966.

Em 1960, entrou para a história como a primeira mulher a ganhar o chamado Grand Slam de tênis, ou seja, a conquistar os quatro Grand Slams jogando em duplas num mesmo ano (três com Darlene Hard e um com Christine Truman Janes). Seu nome está no Livro dos Recordes: na final do US Open de 1964, contra a americana Carole Caldwell Graebner, Maria Esther venceu a partida em apenas dezenove minutos. Além disso, sua vitória sobre Margaret Court na final individual de Wimbledon, em 1964, é considerado por muitos um dos dez jogos mais emocionantes da história do tênis.

Ganhou a alcunha de A Bailarina do Tênis por conta da elegância do estilo de jogo. Uma outra marca registrada era a sua potência no saque. Uma de suas grandes tristezas foi não ter podido representar o Brasil nos Jogos Olímpicos, já que o tênis deixou de ser esporte olímpico na década de 1930 e voltou apenas em 1996.

Maria Bueno foi por 65 anos a única mulher nascida no Brasil a ter conquistado títulos em torneios Grand Slam de tênis, até que em 2023, jogando ao lado do também brasileiro Rafael Matos, a também paulistana Luisa Stefani venceu o título de duplas mistas no Australian Open.

Descendente matrilinear de espanhóis, Maria Esther Bueno começou no esporte aos seis anos, no Clube de Regatas Tietê, do qual era vizinha. Seu pai queria que ela estudasse balé. Antes de iniciar sua carreira no tênis, chegou a disputar com sucesso algumas provas de natação nos 50 metros livre, mas sua paixão sempre foi o tênis.

Aos onze anos, disputou o primeiro campeonato no tênis. Aos catorze anos ganhou o Brasileiro Infantil e, dois meses depois, o Brasileiro de Adultos.

Em 1955, conquista a medalha de bronze de duplas nos Jogos Pan-americanos do México.

1956 a 1958 - Primeiras conquistas internacionais

Em 1956 e 1957, sagra-se bicampeã do tradicional torneio juvenil Orange Bowl, na Flórida. Em 1957, conquista seu primeiro título internacional adulto: o torneio de Fort Lauderdale. Ainda em 1957, é vice em Coral Gables e vence seis torneios de duplas.

Em 1958, ao lado de Althea Gibson, conquista o torneio de duplas de Wimbledon, pouco depois de ganhar o Nacional da Itália. Fatura mais dois torneios na Alemanha e oito nos EUA, além de catorze troféus de duplas.

1959 - Liderança do Ranking Mundial

O primeiro título de simples de Maria Esther Bueno em um torneio de Grand Slam, veio quando tinha apenas dezenove anos de idade, no dia 4 de julho de 1959, na "grama sagrada" de Wimbledon. Ao vencer Darlene Hard, por 6/3 e 6/4, ela pôs fim a 21 anos de domínio norte-americano em Wimbledon. No dia seguinte à sua conquista, o jornal Estado de São Paulo publicou: “A vitória de Estherzinha é festejada em todo o Brasil como um feito que supera o dos craques do futebol que se tornaram campeões mundiais há exatamente um ano, na Suécia.” Um ano antes ela já havia conquistado este mesmo torneio, mas em duplas.

Sobre a conquista individual de Wimbledon, recebeu como prêmio um voucher de apenas 15 libras. “O prêmio de Wimbledon foram 15 libras em voucher, que você trocava por meia, munhequeira, porque era totalmente amador. Então não podia ter prêmio em dinheiro", contou.

Ainda em 1959, ela conquista o U.S. Championships (atual US Open), após derrotar Christine Truman na final por 2 sets diretos (6/1 e 6/4). Neste mesmo torneio, foi vice em duplas nos EUA, ao lado de Sally Moore [en]. Por conta desses resultados, foi declarada como número 1 do mundo pela Federação Internacional.

1960 a 1962 - Grand Slam de tênis

Em 1960, Maria Esther alcança o bicampeonato do torneio simples em Wimbledon, com 8/6 e 6/0 sobre Sandra Reynolds, e é vice nos EUA, perdendo para Hard por 4/6, 12/10 e 4/6. Após a conquista em Wimbledon, a jogadora estampou a capa de uma edição de janeiro de 1961 da revista "Cruzeiro", ao lado de Pelé, Éder Jofre e o bicampeão de pesca submarina Bruno Hermanny. A matéria fazia uma projeção da carreira dos quatro atletas e comentava as conquistas do ano anterior.

No tradicional torneio da Austrália (atual Australian Open) Maria Esther chegou como cabeça de chave número 1. Naquele ano, o torneio acontecia na cidade de Brisbane, e ainda se jogava na grama, especialidade da brasileira. Ela disputou as três modalidades do torneio: simples, dupla feminina e dupla mista. Na disputa de simples, após vitórias contra as australianas Val Craig (6/2 e 6/2) e Dawn Robberds [en] (6/1 e 6/0), Maria Esther caiu nas quartas de final para Margaret Smith, lendária tenista da casa, maior vencedora da história do Aberto da Austrália, com onze títulos. A derrota foi por 2 sets a 1, parciais de 5/7, 6/3 e 4/6. Nas duplas mistas, ao lado do australiano Bob Howe, a eliminação veio nas semifinais, por 2 a 0, diante do sul-africano Trevor Fancutt [en] e da australiana Jan Lehane [en]. Mas foi nas duplas femininas que veio a maior consagração no Grand Slam. Na primeira rodada, a dupla formada por Maria Esther com a britânica Christine Truman, venceu por 2 a 0 as australianas Val Craig e Lorraine Saywell, parciais de 6/2 e 6/1. Nas quartas, passaram pelas também donas da casa Betty Holstein [en] e Sandra Shipton (6/3 e 6/4). Na luta pela vaga na decisão, triunfo diante das australianas Mary Hawton e Fay Muller [en], com 6/4 e 11/9. Na final, novo encontro com Margaret Smith, que jogava com a compatriota Lorraine Robinson [en]. O título veio com parciais de 6/2, 5/7 e 6/2.

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